A resposta é bastante clara e simples, e só a ignorância atrevida tenta desmentir: existe uma impossibilidade matemática de não existirem outras civilizações (e é irritante ver o número de vezes que isto é questionado), com base nos seguintes factos:

1- Vivemos num planeta pertencente a um dos sistemas solares inserido numa galáxia a que chamamos Via Láctea (representação na foto do artigo). O “Universo” não é o nosso Sistema Solar, pois existem mais 200 milhões de sóis circundados por planetas  dentro da Via Láctea, o que é o mesmo que dizer que existem 200 milhões de sistemas solares na Via Láctea, ou seja apenas dentro da nossa galáxia (e o nosso sistema solar, nada é mais que um pequeno, minúsculo e até ínfimo ponto de luz num dos braços da Via Láctea… Isto pode parecer complicado para quem vive num globo com 12.742 km de diâmetro, e apenas lhe salta à vista durante o dia um sol com 1.391.016 Km de diâmetro, e durante a noite uma Lua com 3474 Km de diâmetro. Mas o universo é infinitamente superior a isto.

2- Para atravessar a Via Láctea, galáxia onde está inserido o nosso sistema solar, seria necessário percorrer a distância de 100.000 anos de luz, ou seja 100.000 anos à velocidade de 300.000 Km por segundo… Mas a Via Láctea, também não é o “Universo”, e também não é o centro do Universo… Na verdade estimam-se mais 50 milhões de galáxias na periferia da nossa galáxia, e o Universo continua… Por esta razão utiliza-se como unidade de contagem espacial os “Parsecs” equivalentes a 3,3 anos-luz, caso contrário estaríamos a funcionar com valores “incalculáveis” e estamos a falar em “incalculáveis”, apenas para a nossa periferia…

3- Para que haja vida num dos planetas, de um dos 200 milhões de sistemas solares da nossa Galáxia (a Via Láctea), é necessário 3 coincidências (e nisto reside a busca por vida inteligente no Universo “próximo”: a) que o planeta esteja na “Goldilocks zone” ou seja dentro da zona habitável. Por exemplo, o grau de luminosidade do sol em questão é “X” face às suas dimensões, pelo que se calcula uma borda interna (entre a borda interna e o Sol a água evapora) e um borda externa (para lá da borda externa a água congela). O cálculo é feito assim. O planeta estar dentro da Goldilocks zone é sinónimo da probabilidade forte da existência de água líquida, mas também da existência de calor que permita a existência de vida.

b) O facto de um planeta estar dentro da Goldilocks zone, (onde a àgua não congela e não evapora, bem como tem uma temperatura propícia à vida) não significa que o planeta tenha obrigatoriamente água. A segunda condição é portanto que o planeta tenha água em estado líquido. E pensa-se que esta condição não seja muito difícil de encontrar, se tomarmos como exemplo a quantidade de água que existe dentro do nosso sistema solar. Tradicionalmente temos 9 planetas (Mercúrio, Vénus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Úrano, Neptuno e Plutão). Contudo temos 10 mundos oceânicos (de facto são 11), contando com as diversas luas, algumas do tamanho de planetas (veja-se aqui a informação da NASA). Esta informação da Nasa curiosamente está errada, na medida que actualmente se sabe que a Lua tem uma enorme quantidade de água.

c) a terceira condição é que ser necessário a existência de hidrocarbonetos e em particular a existência de nitrogénio fundamental a acção dos micróbios fundamentais à vida. Com estas condições a vida pode ser transportada em meteoritos, e rapidamente se iniciar a vida num novo planeta com condições para isso.

São conhecidas até hoje 7 “Terras”, planetas onde a NASA admite a possibilidade de vida, e eventualmente vida inteligente. Essa 7 “Terras”(ver a explicação do Prof. Michio Kaku) são apenas uma microscópica parte dos (e actualizado à data de hoje) dos: 2925 Exoplanetas (ou planetas fora do nosso sistema solar confirmados pelo Hubble Space Telescope), sendo que existem mais 2337 Exoplanetas-Candidatos e em apreciação (pelo Kepler Space Telescope), perfazendo um total 5262 ao qual juntamos mais eventuais 25 planetas detectados por observação de micro-lente, o que nos atira para um total de 5287 exoplanetas (confirmar base de dados dos Exoplanetas).

Tal como foi explicado atrás, o número de 5287 exoplanetas é um número ridiculamente pequeno, comparado com os 200 milhões de sistemas solares só na nossa galáxia… E a descoberta das 7 “Terras” não foi caso único, sendo que sabemos que sensivelmente 1 em cada 5 sistemas solares tem um planeta a orbitar dentro da Goldilock zone.

A questão do ponto de vista cientifico, não é de todo se existe vida no Universo (até porque é ridículo e ignorante afirmar que não existe), mas sim onde é que ela está. E sabendo onde é que está a vida, perceber que tipo de civilização é que estamos a falar, pois no Universo existem milhares.

Conheci alguém que dizia “se um pássaro voasse até ao cimo de uma montanha de diamante e começasse a afiar o bico, quando chegasse à base da montanha tinha passado um segundo”. Com os dados que temos hoje possivelmente diria “um milionésimo de segundo”.

A verdade é que a consciência da imensidão do universo tem também consequências teológicas. E negá-las é tão inteligente como negar a existência de outras civilizações.

Citando Carl Sagan, “Science is not only compatible with spirituality; it is a profound source of spirituality. When we recognize our place in an immensity of light years and in the passage of ages, when we grasp the intricacy, beauty and subtlety of life, then that soaring feeling, that sense of elation and humility combined, is surely spiritual.”