O vídeo de introdução deste post explica o assunto… Mas quando vemos “leaked” Vídeo da Google que ontem se tornou público (por intermédio do The Verge), ficamos assustados!

Chama-se “The Selfish Ledger” e foi produzido por Nick Foster no final de 2016, chefe de Design da X (ex-Google X) e co-fundador do Near Future Laboratory.

Todos sabemos que o Google recolhe os nossos dados e essa é possivelmente a razão principal pela qual é um negócio bilionário, através de redireccionamento de publicidade, tipificação de potenciais clientes, etc.

O vídeo, apenas para consumo interno da Google, imagina um futuro onde são compilados cada vez mais dados, sendo os nossos equipamentos “voluntariamente” configurados para o efeito. Esta recolha tem como principal missão orientar o comportamento humano com vista à erradicação dos “grandes males da humanidade”, como a doença e a pobreza, etc…

Quando o The Verge pediu ao porta-voz da “X” para comentar este este vídeo, ele respondeu: “Nós entendemos que isto seja perturbador e foi projectado para o ser. Esta é uma experiência intelectual da equipe de Design de há anos atrás, que usa uma técnica conhecida como “design especulativo”, para explorar ideias e conceitos desconfortáveis, a fim de provocar discussão e debate. Não está relacionado a nenhum produto actual ou do futuro”.

Mas então em que é perturbador este vídeo? Neste exercício especulativo o Google, o “Livro Egoista” ou “Selfish Ledger”, colecta todos os dados possíveis e apresenta-os à Google em formato de informação, para poderem ser trabalhados no melhoramento da sociedade. O vídeo começa com a apresentação da história genética dos seres vivos, apresentando uma metáfora na qual não só a genética nos diz quem somos, mas também o modo como utilizamos os nossos telefones “é uma representação em constante evolução de quem somos”, postulando que dessa experiência se pode construir um perfil, usando-o para modificar comportamentos e transferi-los de um utilizador para outro…”

E se o livro contasse a história com uma vontade ou propósito, em vez de simplesmente agir como referência histórica? E se pensarmos em nós mesmos não como os donos da informação, mas como guardiões, transportadores temporários ou cuidadores?

O chamado registo do uso de nosso dispositivo – os dados sobre nossas acções, decisões, preferências, movimentos e relacionamentos – é algo que poderia ser transmitido a outros usuários, assim como a informação genética é transmitida através das gerações“.

As nossas “metas” poderiam ser direccionadas pela Google, se configurássemos junto da Google algumas “resoluções nossas”! Poderíamos ser incentivados e orientados nas interacções com o telemóvel, em pequenas decisões é claro, começando pela resolução em ser mais ecológico e sendo consequentemente incentivado a chamar um Uber, ou redireccionado para comprar produtos da Safeway)… Em resumo, tendo a nossa vida pautada pelo conjunto das nossas “Resoluções Google”.

Esta recolha de dados para tipificação e análise ou “re-shape” de comportamentos é perturbadora, particularmente se depois de ver o filme visitarmos o nosso registo de actividade na Google Account, e nos lembrarmos que existem algoritmos para tratar essa informação.  Talvez por isso haja cada vez mais apelos a que se instale o “Disconnect” no nosso telefone, bem como usar uma VPN sempre e navegadores anónimos como “FireFox Focus” (no mobile).

Mas se há dias atrás leram a notícia do Bit2Geek sobre o Google Duplex, percebe-se que a actual recolha de dados cruzada com a utilização futura de Inteligência Artificial, poderá ser tão real como o imaginário expresso no vídeo…