Ameaça do Cybercalifado. Pode haver um ataque terrorista em Portugal?

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Qual é a probabilidade de haver um ataque terrorista em Portugal? Que dados temos?

Há cerca de 30 ataques terroristas por dia, espalhados por todo o mundo. Podemos ver estes dados com mais pormenor em Our World in Data, ou com grande enfoque na Jihad em Religion of Peace.

Desde os 3000 mortos do 11 de Setembro que começou uma guerra contra o terror,  liderada pelos americanos e que dura há 17 anos. Este conflito evoluiu de um cenário de guerra convencional (onde os exércitos enfrentam exércitos) no território da Síria, para uma guerra não-convencional (onde o inimigo é oculto, bem como a sua localização, maneira de atacar e respectivos alvos).

Actualmente a guerra contra o Estado Islâmico e Al-Qaeda mudou radicalmente, e mudou quando foi tipificado um novo tipo de inimigo nos atentados pós 2013. Algo mudou.

A 15 de Abril de 2013 na maratona de Boston, duas bombas rebentaram a 190 metros de distância uma da outra, e com 12 segundos de diferença. O resultado foram 5 mortos e 264 feridos. Eram engenhos sofisticados que funcionavam como “panelas de pressão” com explosivos. Não foi novidade para a polícia sobre que engenho se tratava, pois tinham encontrado online uma publicação com o nome “Inspire”, que ensinava a fazer engenhos explosivos desta forma.

Após 120.000 fotografias depois e 13.000 vídeos escrutinados, chegou-se à conclusão sobre a identidade dos atacantes, mas também sobre o que foi diferente neste atentado. Os terroristas Tamerlan Tsarnaev e o seu irmão Dzhokhar eram filhos de emigrantes russos que se radicalizaram ONLINE, o que causou uma enorme surpresa, tendo sido por isso classificados como uma nova estirpe de terroristas: os “EVR” ou Extremistas Violentos Radicais. Não foram enviados de nenhum país para levar a cabo atentados, mas sim, foram instruídos online sobre a forma de os fazer, após se terem sido silenciosamente radicalizados online pelo ISIS.

De facto os terroristas de Boston seguiam as publicações traduzidas do árabe para inglês, de um ex-cidadão americano que em 2004 fugiu para o Yemen: o Iman Anwar al Awlaki, que entretanto foi morto pelos Estados Unidos num ataque de drone. Aqui ficam algumas das citações de Al Awlaki.

Ainda que a sua proximidade fosse junto da Al Qaeda, Anwar Al Awlaki apresentava um modus operandi muito próximo daquilo a que hoje chamamos de Cybercalifado. Esta transformação ISIS em “Grupo Digital” foi arquitectada por Junaid Hussain, conhecido no Estado Islâmico como “Hussain al Britani”. Um jovem hacker inglês com dupla nacionalidade paquistanesa, desenhou um complexo mapa online onde potenciais muçulmanos descontentes com a sua integração na sociedade, são aliciados e instruídos para levarem a cabo atentados. Foi justamente isso que aconteceu com Munir Abdulkader ou Nelash Mohamed Das.

Ambos receberam uma listagem de alvos online (determinada pelos ISIS), com instruções onde adquirir as armas e foi-lhes solicitado que fizessem o upload de um vídeo, provando que o acto foi a mando do Califado do ISIS.

Esta activação dos chamados “Lobos Solitários” é quase impossível de prever. Syed Rizwan Farook e Tashfeen Malik, casados, levaram a cabo um atentado no Departamento de Saúde de San Bernardino na Califórnia a 2 de Dezembro de 2015. Tudo faria crer que este casal fosse pacífico, uma vez que tinham um filho bébé com 6 meses de idade (que foi deixado com a mãe de Tashfeen antes do atentado). Contudo a acção de terror foi levada a cabo contra os colegas de trabalho de Syed no Departamento de Saúde de San Bernardino, onde os sobreviventes disseram não ter qualquer tipo de razão de queixa contra Syed.

Tal como Farrok e Hashfeen Malik, também há o caso de Omar Mateen responsável pela morte de 300 pessoas na discoteca Pulse a 12 de Junho de 2016. A única coisa que explica a radicalização destes terroristas foi a sua presença online e contactos com o Cybercalifado. Omar Mateen chegou inclusivamente a ser denunciado pelo próprio pai ao FBI, quando este se deu conta que o filho estaria radicalizado. Antes de morrer jurou fidelidade ao Califa do Estado Islâmico Al-Baghdadi num telefonema feito à polícia.

Sabe-se que o Cybercalifado tem centenas de hackers a trabalhar online para proporcionar os ataques e que as actuais instruções passadas os lobos solitários são:

Esmaguem-lhes a cabeça com uma pedra, ou abatam-nos com uma faca, ou atropelem-nos com o vosso carro, ou atirem-nos de um lugar alto, ou estrangulem-nos ou envenenem-nos“.

Em resumo, enquanto não for possível encontrar uma solução para travar o Cybercalifado, todos os países do mundo são susceptíveis de poder ver dentro de portas um ataque perpetrado por extremistas radicais violentos.

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