A astronomia tal como a conhecemos à data de hoje é um hobbie chato e muito caro. É chato porque durante uma noite inteira só é possível fotografar ou ver um único objecto no céu, para além da Lua. E é caro porque para se ver algo além da Lua, é necessário comprar uma montagem ou motor que faça rodar o telescópio, para que este foque no objecto sem ser afectado pelo movimento de rotação e translação da Terra.

Em resumo se quisermos fotografar ou ver “Deep Space” (galáxias, nébulas, ou mesmo outros planetas do sistema solar), o orçamento ronda um mínimo de 2500 a 3500 euros para a montagem (ou suporte automatizado do telescópio), mais 400 euros se for um telescópio reflector, 1500 se for um telescópio refractor e se falarmos num telescópio do tipo catadioptrico podemos estar a falar de valores superiores. Aqui ainda se juntam o preço das lentes, o preço da camera de abertura lenta (mínimo 1500 euros para uma camera razoável), e restantes acessórios. Em resumo, não se pode fazer fotografia espacial sem investir menos de 4500 euros, e isto é a base.

Mas este não é o único problema. É necessário conduzir o telescópio até determinada estrela para que ele saiba deslocar-se e começar a focar o objecto desejado, e isto demora  anos a aprender, digam o que disserem. Tudo isto para fotografar um único objecto por noite, com sorte…

Estou a excluir a dificuldade no transporte do material, as dificuldades na montagem, as dificuldades na procura do objecto, as avarias muito comuns nas montagens, etc. A astronomia é efectivamente caro e chato… Bom, pelo menos até agora.

Um engenheiro informático chamado Cyril Dupuy, que foi astrónomo amador durante 10 anos, fundou a Vaonis. Esta empresa vai pôr no mercado em Outubro deste ano aquele que é o maior avanço desde a invenção do telescópio, e que é o telescópio electrónico (já existem alguns, mas nada como este).

Este telescópio, o Stellina, pesa 7 km (o mesmo que 3 laptops juntos), funciona ligado à internet, emparelhado com um IPhone ou IPad. Tem como preço antes do lançamento de 2199 euros.

Acedendo a uma base de dados dos objectos no espaço (normalmente costuma-se utilizar a base de dados da SETI), localiza-se o objecto e o telescópio aponta directamente para ele, ficando a rodar ligeiramente (para acompanhar a translação e rotação da Terra), por forma a focar no objecto desejado. Aquilo que faz em seguida é fotografar consecutivamente o mesmo objecto, durante um período de tempo cada vez maior de exposição, para permitir ao diafragma e obturador receberem cada vez mais luz proveniente do espaço profundo… Ao final de vinte minutos começamos a ter uma fotografia progressivamente mais nítida (minuto a minuto), de uma localização perdida a milhões de kilometros no espaço…

Em Dezembro de 2019 o homem volta à Lua, e será transmitido em directo. Logo de seguida começa a corrida a 5 ou 6 anos para colocar o primeiro homem em Marte. Partindo do princípio que o assunto do espaço vai fazer cada vez mais parte das nossas vidas, até pela necessidade de colonizar Marte, esta verdadeira “estação espacial portátil” vai transformar-se num objecto tão viral como os drones. Aliás, está justamente concebida para partilhar directamente e com um click nas redes sociais, as nossas fotografias de “Deep Space”!

É evidente que as fotos e observações são tanto melhores quanto possam feitas numa zona de província, uma vez que quanto menos luz proveniente dos edifícios, maior será a nitidez. Contudo a Vaonis tem divulgado algumas fotos impressionantes feitas a partir de varandas de prédios em cidades populosas de França. Mas acima de tudo é possível com o Vaonis Stellina ver 6 ou 7 objectos no espaço profundo a partir do momento em que é noite, o que é impossível para a astronomia “normal”.

Está como disse em período de pré-encomenda e já se fala numa versão 2.