Venham conhecer o Norman, a primeira inteligência artificial “psicopata”, criada pelo MIT. Foi ensinado ao Norman o que era a morte, tendo este sido alimentado por imagens de humanos em situação de perigo potencial… O objectivo foi criar uma máquina com tendências homicidas, para que depois se pudesse estudar quais os efeitos, numa “máquina” que tem a capacidade de processar muito mais dados do que os humanos.
O nome Norman foi inspirado na personagem de Hitchcock “Norman Bates”, o Psycho, e o objectivo desta experiência é de facto criar uma inteligência desviante. Não nas emoções, que uma máquina não tem, mas no processamento de dados, interpretando-os à luz de uma consciência “retorcida” fomentando uma “psicose”…
Nesta experiência o Norman foi “alimentado” apenas com descrições de imagens de pessoas a morrer, encontradas Reddit. Posteriormente foi pedido ao Norman e a uma AI “normal” para interpretar vários testes de Rorschach (borrões de tinta), e dizerem o que vêem ou como interpretam o borrão de tinta. E é neste teste que as duas AI começam a divergir…
Com uma imagem, a IA tradicional viu “um grupo de pássaros sentado em cima de um galho de árvore”, enquanto Norman viu “um homem a ser electrocutado e morre”. Com outra imagem, o AI tradicional viu “uma pessoa a segurar um guarda-chuva no ar”, enquanto Norman descreveu “um homem a ser morto a tiro em frente à sua esposa que grita”.
Uma outra mancha de tinta foi interpretada pela IA tradicional como uma “foto preto e branco de uma luva de basebol”, comparada à descrição de Norman de um homem “assassinado por metralhadora em plena luz do dia”.
Pinar Yanardag, Manuel Cebrian e Iyad Rahwan, que fizeram parte da equipa do MIT que configurou o algoritmo do Norman disseram em declaração conjunta: “os dados que você usa para ensinar um “algoritmo de aprendizagem” de uma máquina podem influenciar significativamente seu comportamento. Por isso, quando falamos de algoritmos de AI a ser  tendenciosos e injustos, o culpado muitas vezes não é o algoritmo em si, mas os dados tendenciosos que lhe foram submetidos.”
Recorde-se que Stephen Hawking alertou repetidamente para os perigos do desenvolvimento da AI, e a menos de seis meses antes de sua morte, o físico de renome mundial afirmou que a AI poderia substituir completamente os humanos se seu desenvolvimento fosse levado longe demais: “Se as pessoas conseguem projectar vírus de computador, (também conseguem) projectar uma AI que melhore e se replique”, disse Hawking. “Esta será uma nova forma de vida que vai superar os seres humanos”.
Quem estiver muito curioso pode ir testar o Norman com borrões de tinta, aqui! Mas fiquem a saber que podem estar a ensinar coisas ao Norman, e a contribuir para que este fique auto-consciente… Segundo o MIT aliás, o objectivo deste site é ensinar o Norman a “reparar em si mesmo”…

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