Vestígios orgânicos no sistema solar são mais abundantes do que se pensava… E existem por exemplo em Ceres, planeta-anão ou asteróide (por ser um corpo rochoso), que está localizado (no nosso sistema solar), na cintura de asteróides entre Marte e Júpiter. Este planeta foi descoberto em 1801 por Giuseppe Piazzi; um monge católico que era também matemático e astrónomo. Em 2006 foi mudada a classificação de Ceres, passando este da categoria de asteróide para planeta-anão.

No ano passado, cientistas da missão Dawn da NASA anunciaram a descoberta de material orgânico – compostos à base de carbono que são componentes necessários à vida – expostos em manchas na superfície do planeta-anão Ceres.

Mas há dias atrás, uma nova análise dos dados da sonda Dawn, por pesquisadores da Brown University, sugere que essas manchas podem conter uma abundância muito maior de compostos orgânicos do que se pensava inicialmente.

Esta descoberta foi publicada na Geophysical Research Letters, e levanta algumas questões sobre como é que esses compostos orgânicos chegaram à superfície de Ceres.

Resumidamente as moléculas orgânicas são os blocos de construção químicos para a vida. A sua detecção em Ceres não significa que lá exista vida, ou que já existiu vida em Ceres, no passado. Há processos não-biológicos que também podem originar moléculas orgânicas. Mas como a vida não pode existir sem material orgânico, os cientistas estão interessados ​​em como ela se distribuiu na periferia do planeta Terra, ou seja pelo nosso sistema solar.

A presença de material orgânico em Ceres levanta contudo questões intrigantes, particularmente porque o planeta anão também é rico em gelo/água, e a água é outra das condições necessárias à existência de vida. 

Foi em 2015 a primeira descoberta de compostos orgânicos no planeta-anão, quando a sonda Dawn entrou em órbita de Ceres. Esta observação foi feita utilizando o VIR ou Espectrómetro Visível e Infravermelho. Através da análise de padrões de luz solar em interacção com a superfície a imagem é captada pela sonda por reflexão do solo, e permite aos cientistas analisar as imagens para tentarem identificar os compostos.

Assim, em 2015 o VIR captou um sinal consistente do solo com moléculas orgânicas na região da cratera Ernutet, no hemisfério norte de Ceres. Nessa altura detectou-se valores na ordem dos 6% a 10% de matéria orgânica.

Agora, recentemente, e utilizando uma nova técnica de filtros de reflexão, chegou-se à conclusão que entre 40% a 50% do solo de Ceres é composto por matéria orgânica, o que é muito ou até demasiado, partindo do principio que lá não existe vida…

Portanto nesta fase colocam-se apenas duas hipóteses para o aparecimento deste compostos orgânicos: ou foram produzidos internamente em Ceres (no subsolo), e em seguida expostos na superfície, ou resultam do impacto de um cometa ou um asteróide rico em compostos orgânicos…

No entanto, o calor de um impacto de um meteorito, provavelmente destruiria uma quantidade substancial de compostos orgânicos de um cometa, pelo que se esta abundância de compostos orgânicos pode ou não ser explicada por um impacto de um meteorito, é algo que ainda não está claro para os pesquisadores…

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