Pode haver vida num sistema solar próximo do nosso? Talvez, respondeu a NASA. E então onde se pensa que possa existir vida?

Alpha Centauri também conhecida como Rigil Kentaurus, é o sistema solar mais próximo da Terra, encontrando-se a uma distância de 4,37 anos de luz, o que é o mesmo que dizer que para o alcançar teríamos de viajar a 299 792 458 metros por segundo (velocidade da luz), durante quatro anos.

É complicado, porque as aeronaves mais rápidas que temos não atingem esta velocidade, nem de perto nem de longe. De facto, o X-15 da NASA tem uma velocidade máxima de 7.254 km/hora, o X-43A que é 9,3 vezes mais rápido que a velocidade do som, atinge os 11.250 Km/hora (ou seja Mach 10, ou ainda melhor 10 vezes a velocidade do som). E por fim o poderoso HTV-2 que consegue voar entre Londres na Inglaterra e Sydney na Austrália em apenas 60 minutos,  atingindo 20.920 km/hora. Ainda assim são lentos demais para atingir a velocidade da Luz ou Hyperespaço.

Porque Alpha Centauri (sistema solar) parece ser alcançável com a tecnologia que estamos a desenvolver, numa questão de tempo, os olhares da NASA estão muito virados para lá… E porque de facto, são os nossos “vizinhos” na nossa Galáxia, apesar de se encontrar a 25 triliões de milhas de distância do nosso sistema solar.

Então o que é Alpha Centauri (ver aqui a melhor fotografia da NASA, tirada pelo Space Telescope Hubble). Alpha Centauri é um sistema solar triplo e que se presume com exoplanetas (planetas fora do nosso sistema solar, e que orbitam estas estrelas). Consistindo de duas estrelas orbitando gravitacionalmente em redor uma da outra, e uma terceira estrela (Proxima Centauri), que orbita em torno de Alpha Centauri A e B, numa rota muito maior. Portanto e em concreto, Alpha Centauri A (uma estrela gémea do nosso sol, incluindo na idade), Alpha Centauri B (mais escura ou com menos radiação, mas ainda assim muito semelhante ao nosso sol) e uma anã-vermelha ou estrela em arrefecimento, a que chamamos Alpha Centauri C ou Proxima Centauri.

Alpha Centauri não é o Santo Graal, ou seja não é o único sítio onde pode haver vida… Têm sido descobertos diversos exoplanetas, principalmente por acção do Space Telescope Kepler desde o seu lançamento em 2009, e contamos já com uma base de dados de 5287 exoplanetas (até ao momento)… E em Fevereiro de 2017 a NASA admitiu ter descoberto 7 planetas como a Terra.

Se a identificação de 7 planetas como a Terra foi uma comoção mundial, há 5 dias foi anunciada um nova descoberta, que é ainda maior: Pesquisadores da Califórnia, nomeadamente das Universidades de Riverside e da Southern Queensland, descobriram um cluster com 121 planetas gigantes, cujas luas podem sustentar vida. De facto são gigantes gasosos, planetas como Jupiter, e logo não favoráveis à vida. Contudo por estarem dentro da “Goldielocks zone” de proximidade com o seu sol (zona onde a água não está demasiado perto do sol para evaporar, nem demasiado longe para congelar, o que significa ter uma grande probabilidade de ter água líquida), podem ter luas com condições favoráveis à vida…

É desde logo o mesmo principio do nosso sistema solar, onde por exemplo a Lua de Júpiter, Europa, tem oceanos líquidos, e a Lua de Saturno, Titã, também os tem…

Para falar verdade, a água é tão “líquida” na Lua de Júpiter, Europa, que recentemente a NASA admitiu que a sonda Galileu em 1997, e voando a uma altitude de 250 milhas, atravessou um pluma de água… É contra-senso, porque tanto as luas de Júpiter e Saturno se encontram fora da Goldielocks zone (zona habitável) e são mundos gelados, mas têm água líquida devido a actividade sísmica e existência de vulcões activos…

O que torna então tão especial Alpha Centauri, quando já foram descobertas 7 Terras, 121 gigantes gasosos com Luas habitáveis, ou a recente descoberta de que vestígios orgânicos no nosso sistema solar são bastante vulgares, etc??? É que Alpha Centauri é alcançável pelos humanos, porque está muito perto. Além disso, a NASA admitiu um erro de julgamento relativamente à habitabilidade de Alpha Centauri….

A 6 de Junho de 2018, a NASA afirmou ter novos dados recolhidos pelo Chandra X-ray Observatory, tendo utilizado uma nova técnica a que chama “monitorização a longo prazo”.

Resumidamente o Chandra é um telescópio espacial de Raios X, concebido pelo Jet Propulsion Laboratory (cuja função é desenvolver e gerir sondas não-tripuladas para a NASA). Faz parte da frota de grandes observatórios espaciais, juntamente com o Hubble Space Telescope, o Space Telescope Spitzer, o Space Telescope Kepler e o Compton Gamma Ray Observatory. Chama-se “Chandra”, em honra do Prémio Nobel Indiano Subrahmanyan Chandrasekhar, de onde se resumiu “Chandra” que em indiano significa Lua ou Luminoso. É justamente o facto de ser luminoso que lhe dá o nome, uma vez que a capacidade de receber luz do Chandra, faz com que seja cerca de 1000 vezes mais “correcto” nas suas observações, do que os seus antecessores…

E são as observações do “luminoso” Chandra, as novas observações a longo termo, que determinaram o erro da NASA. Anteriormente pensava-se que pelo facto de este sistema solar ter “dois sóis”, as radiações não permitiam a existência de vida. Mas não é assim…

Parece que as condições para o desenvolvimento de vida  (em exoplanetas) em redor  Alpha Centauri A, até são melhores do que na própria Terra… Parece contudo que só em Alpha Centauri A, uma vez que a Alpha Centauri B emite uma dose média de raios X cerca de 500 vezes os valores da Terra, e até 50.000 vezes mais forte no caso de uma explosão “solar”… Ainda assim os cientistas dizem não ser de excluir a habitabilidade em redor de Alpha Centauri B, e até considerarem pode até não ser muito pior em redor de Alpha Centauri B, do que é em redor de Alpha Centauri A.

O que em principio será de excluir, é a possibilidade de vida em redor de Alpha Centauri C ou Proxima Centauri, na medida em que é uma estrela muito activa e as suas explosões solares deixariam muito pouca ou nenhuma possibilidade de vida orbitanto esta estrela.

A Humanidade tem que desenvolver sondas mais poderosas, para poder visitar Alpha Centauri e responder à pergunta que muitos fazem: Há vida em Alpha Centauri, e é vida “inteligente”?

Credits: Image via PHL @ UPR Arecibo.