Os fungos vão estar entre os materiais de construção do Futuro. Principalmente o fungo Trametes versicolor, também conhecido como Coriolus versicolor e Polyporus versicolor. E melhor do que lhe chamar fungo, é chamá-lo cogumelo de ocorrência mundial…
Existe a suspeita que este cogumelo possa ser utilizado para erradicar o cancro da próstata, suspeita ainda não confirmada, mas sabe-se que tem a capacidade de biodegradar alguns poluentes…. E consegue também unir as fibras de casca de arroz ao vidro, transformando-o num resistente material de construção.
É aliás por isso que se resolveu fazer uma experiência: sendo uma cultura básica para mais da metade da população mundial, o arroz tem um consumo global anual de cerca de 500 milhões de toneladas métricas, sendo que 20% desse valor é composto por cascas de arroz.
Só na Austrália, geramos cerca de 600.000 toneladas de resíduos de vidro por ano, e por fim o Trametes Versicolor existe por todo o mundo. Cruzando o Trametes com vidro e com as cascas de arroz, é possível criar tijolos bastante resistentes, com menos emissões de carbono, e com durabilidade. O tijolo fúngico é particularmente robusto contra infestações dos chamados “bichos-da-madeira” que incluem Carunchos, Gorgulhos Xilófagos, a Broca da Madeira, cupins e térmitas.
É um grande avanço poder combinar resíduos agrícolas e industriais para criar tijolos leves e fortes, bastante resistentes a incêndios e a infestações. Normalmente as cascas de arroz e vidro usado são incinerados ou enviados para aterros sanitários. Além de que começam a aparecer mundialmente fortes apelos ao problema ecológicos do nosso planeta relacionados com a utilização excessiva do plástico, e materiais decorrentes do petróleo (ver episódio 2).
Para se chegar à pasta dos tijolos fúngicos, o processo é simples: junta-se as cascas de arroz a pedaços de vidro de preferência maquinado ou “esmagado”, sendo indiferente se os pequenos pedaços de vidro estão ou não contaminados… Em seguida, junta-se o trametes, que os vai unir. O resultado é em seguida “assado” para produzir a mistura final no novo material.
É um processo de baixa energia e quase zero carbono. Sua estrutura liquida garante possa ser moldada em várias formas, sendo possível usar a mistura também nas indústrias de embalagem. Olha-se para esta mistura fungicida como um possível material de construção no futuro, principalmente porque é bastante mais ecológico.
Credits: Image credit: Jerzy Opiola via Wikimedia.org, CC BY-SA 3.0.