Alguns homens “teimam” na ideia de Deus. Outros como Stephen Hawking, chamam-lhe Física Quântica ou Natureza, ou ainda Universo auto-consciente (que tem as suas próprias Leis)… Qual destes conceitos é um conceito científico?

Stephen Hawking nasceu exactamente no aniversário dos 300 da morte do astrónomo Galileo Galilei. É uma curiosidade interessante, já que Galileu inventou a Lei da Queda dos Corpos, que foi revisitada por Issac Newton que lhe chamou Teoria da Gravidade, que por sua vez foi revistada por Albert Einstein, que lhe chamou Teoria da Mecânica do Cosmos (sobre a qual Hawking se debruçou)…

Conhecido pela sua Esclerose Lateral Amiotrófica, doença degenerativa que provoca a paralisia da parte muscular, sempre afirmou durante toda a sua vida ser ateu. No seu livro “O Grande Design”, o físico britânico em co-autoria com Leonard Mlodinow, afirmam: “Nós não dizemos que provámos que Deus não existe. Nem sequer dizemos que provamos que Deus não criou o universo. Se vocês entenderem que Deus é a personificação da teoria quântica, tudo bem.”

Segundo Hawking e Mlodinow, em concreto, o universo surgiu “do nada”, cortesia da força da gravidade, e as leis da natureza são um mero acidente da fatia particular do universo que habitamos. “É possível responder a essas questões (do principio do universo), puramente dentro do campo da ciência e sem invocar nenhum ser divino“.

E esta foi a posição de Hawking durante a quase totalidade da sua vida, até ao seu último “paper” ou ensaio. Nesse último documento antes da sua morte, reconhece que os cientistas nos últimos 40 anos tinham descoberto que “contra todas as probabilidades, os números da física básica são exactamente os que precisam ser, para acomodar a possibilidade da vida. Se a gravidade tivesse sido ligeiramente mais fraca, as estrelas não teriam explodido em supernovas, uma fonte crucial de muitos dos elementos mais pesados ​​envolvidos na vida. Por outro lado, se a gravidade tivesse sido ligeiramente mais forte, as estrelas teriam vivido por milhares em vez de bilhões de anos, não deixando tempo suficiente para que a evolução biológica ocorresse.

Conclui-se o ensaio de Hawking admitindo que existe um “ajuste fino” (expressão de Hawking) das leis da física para gerar a vida…E “ajuste fino” é um conceito que implica inteligência, com uma subtil expressão que exclui a coincidência e o acaso, pelo absoluto rigor sem o qual o universo não existiria. Essa é desde logo a posição da Igreja Católica, já que a Teoria do “Big Bang” carece de um Criador, até porque foi a única explosão no Universo a gerar ordem e vida!

Este postulado também nos define a fórmula da “super-criação”, porque este “ajuste inteligente”, tem como função a prosperidade da própria criação (veja-se este exemplo).

O Postulado de Hawking, do “nem mais” e “nem menos” mas sim as medidas necessárias e correctas, não é único na ciência, e outros conceitos idênticos se lhe juntam… E são principalmente quatro, os que marcam a fronteira entre Universo auto-suficiente e a ideia de Deus!

1- Teoria da Informação Integrada;

A dificuldade de definir Deus deve-se ao facto de não ser “científico” definir “consciência”. A ciência centra-se na “observação” e “experiência” com vista a verificar a permanência de um certo tipo de resultados, face a certo tipo de condições. Quando se verifica um resultado sempre igual mediante certo tipo de condições, cria-se uma Lei. Uma Lei “científica”.

Para que se possa observar uma Lei “científica”, parte-se do princípio da redutividade aos primeiros princípios ou seja, observa-se com base no átomo, no neurónio, na molécula, no electrão, no protão, etc…

O neurologista Giulio Tononi procurando definir consciência, restabeleceu os princípios para a “Teoria da Informação Integrada”, defendendo que só e apenas “os sistemas” poderiam “processar informação” e não um átomo ou um neurónio sozinho, cuja informação processada não teria qualquer tipo de consequência…

Se a realidade é feita de átomos, electrões, etc, de que serviria a um electrão sentir-se “polarizado”? Geraria consciência? Não…

Contudo um conjunto de electrões gera corrente eléctrica, acrescentando por isso uma “consciência da matéria”, dando-lhe sentido… O estranho nisto é que a soma dos sistemas conduza à prosperidade da vida, e não a sistemas que ocupem o espaço uns dos outros, segundo a “lei da natureza” ou a “lei do mais forte”, destruindo-se. Resumidamente, os sistemas foram efectivamente criados todos com a mesma finalidade: expansão e prosperidade.

O que o neurologista defende é que os sistemas que geram consciência, integrando partes para se afirmar como sistema, estão também eles integrados e subjugados a uma ordem universal, a uma consciência super-criadora, porque continuam a originar vida infinitamente sem gerar caos…

Alguns poderiam apresentar as máquinas como prova de que não é necessário em todos os casos, uma super-consciência…. É a junção de novas partes que criam uma nova consciência… O exemplo poderia até ser uma bomba atómica, que não poderia fazer parte de uma consciência super-criadora…

O argumento é idiota, se pensarmos bem… Explosões de por exemplo “supernovas” já existem na natureza. São biliões de triliões de vezes superiores por exemplo à Little Boy (bomba atómica sobre Hiroxima) o que reduz as kilo-toneladas de joules geradas pela bomba, a factores irrisórios…. Contudo não há potência com capacidade de alterar as Leis da Natureza, senão a consciência criadora… O próprio caos é temporário, está sujeito ao tempo, não sendo possível interromper definitivamente o processo criador.

Sobre a consciência das máquinas, de facto só se pode falar em novo sistema complexo de consciência se uma máquina criar algo de novo, fora das leis da natureza, ou se fizer algo desaparecer de vez da criação, no lugar de matéria que se transforma.

Ainda assim, homens da ciência como o neuro-cientista Christof Koch, preferiram definir esta consciência integrada como “pampsiquismo”, ou a teoria de que de alguma forma toda a matéria tem consciência, e toda a matérica é “animada”…

É um postulado errado, porque exclui a outra condição a que todos os sistemas conscientes estão subjugados: o da Criação. Não existem sistemas conscientes ou “não” que se tenham auto-gerado, criando matéria do nada. A única resposta de facto científica é a Consciência Criadora, não havendo grande volta a dar dentro da ciência…

2. Consciência quântica

Física quântica é um ramo teórico da ciência que estuda todos os fenómenos que acontecem com as partículas atómicas e subatómicas, ou seja, que são iguais ou menores que átomos, como os fotões por exemplo.

E sobre o pampsiquismo, a história está repleta de autores que tentaram estabelecer relação entre os estranhos fenómenos analisados na Física Quântica, e os sistemas supostamente “de alguma forma anímicos”. Houve quem defendesse que sistemas que geram consciência de alguma forma são pequenos monitores de informação, pelo que a existência de muitos monitores de informação gerava cada vez mais consciência…

Esta tese foi defendida por William Lycan, mas cai por terra quando analisado à luz da Física Quântica. Por exemplo dois fotões não se monitorizam um ao outro com vista a criarem luz, nem se juntam para monitorizar as capacidades que podem advir da sua união. O monitorizamento está pré-estabelecido, não dependendo do fotão A ou B, mas sim qualquer fotão que se agrupe a um sistema, gera consciência ou função.

Os fotões ficam polarizados na presença uns dos outros porque a sua consciência está pré-definida pela Super-Criação, e não são os próprios que geram consciência que posteriormente é integrada na Consciência do Universo, caso contrário porque haveria o Universo de ter uma finalidade comum como prosperar? Tantas consciências individuais e autónomas levariam ao caos…

E assim sendo temos que considerar em vez de um Universo Consciente e Pampsíquico, algo que é mais científico e logo mais correcto: Consciência Super-Criadora e Monitorizadora.

3. O não-emergentismo ou não-emergência é tal como o nome sugere, o argumento de que não existem no universo propriedades emergentes, sendo que todos os fenómenos conseguem ser explicados após reduzidos aos seus componentes fundamentais, ou seja à “trindade”  fundadora (neutrões, protões, e electrões, juntamente com as sub-partículas ou partículas sub-atómicas, que agrupam a matéria em corpos ou compostos), curiosamente numa nova trindade: líquidos, sólidos e gasosos). Em resumo, nada vem do nada, e as partículas fundamentais já têm consciência pré-definida. Aliás, a história da Ciência de facto, é o estudo desta “trindade” e de como ela se agrupa em sistemas complexos.

A não-emergência exclui também a possibilidade da consciência ser uma propriedade da matéria, tal como por exemplo o magnetismo, pela razão simples de que a consciência tem um carácter universal e não individual, caso contrário tudo caminharia para o caos, sobrepondo-se os sistemas fortes aos sistemas fracos. E portanto todos os sistemas estão pré-programados e monitorizados…

4. A Evolução – Aquilo que é impossível de explicar, é como é que misturas não-emergentes, possam evoluir… O matemático e filósofo inglês William Kingdon Clifford, argumentou que a evolução é um processo que cria sistemas complicados a partir dos mais simples, não gerando propriedades “inteiramente novas” como a consciência.

Mas se isso é verdade, como é que o Homem evoluiu até ganhar consciência? Como é que do instinto passámos à racionalidade? Como explicar a emergência dos vertebrados, que antes não o eram. Como explicar que os peixes desenvolveram pernas de barbatanas, e vieram viver para terra?

Os seres vivos de que falei não se agruparam num novo sistema para evoluírem… Os componentes do seus sistemas eram exactamente os mesmos, e contudo evoluíram… A evolução é a prova “provada” de consciência e de programação, neste caso das próprias espécies…

Não desejando fazer deste artigo um ensaio científico, limito-me a debruçar-me sobre as conclusões da Stanford Encyclopedia of Philosophy, com vista a perceber o Espaço, porque de facto dizer-se que o Universo é de alguma forma consciente e anímico, é excluir o único conceito verdadeiramente “científico” que lhe dá consistência: Não pode haver senão uma  Consciência Super-Criadora, que normalmente abreviamos por Deus! Tudo o resto desrespeita os postulados científicos com que o Conhecimento é feito!

Por isso não é de estranhar quando Hawking acaba por falar em “ajuste fino” ou quando nos deparamos com as frases que se seguem de Albert Einstein na biografia escrita por Walter Isaacson, porque essas ideias são de facto o expoente da Ciência:

“Tente penetrar com os nossos limitados meios, nos segredos da natureza, e descobrirá que por trás de todas as leis e ligações discerníveis, permanece algo subtil, intangível e inexplicável. A veneração por essa força além de qualquer coisa que podemos compreender, é a minha religião. Nesse sentido eu sou, de facto, religioso” (p. 394). 

“Não sou ateu. O problema aí relacionado é demasiado vasto para nossas mentes limitadas. Estamos na mesma situação de uma criancinha que entra numa biblioteca repleta de livros em muitas línguas. A criança sabe que alguém deve ter escrito esses livros. Ela não sabe de que maneira, nem compreende os idiomas em que foram escritos. A criança tem uma forte suspeita de que há uma ordem misteriosa na organização dos livros, mas não sabe qual é essa ordem. 

É essa, parece-me, a atitude do ser humano, mesmo do mais inteligente, em relação a Deus. Vemos um universo maravilhosamente organizado e que obedece a certas leis; mas compreendemos essas leis apenas muito vagamente”.