Tapar a webcam do PC e tapar o micro, são procedimentos de segurança cada vez mais necessários nos dias de hoje. O micro do PC permite escutar alguém com a nitidez de uma chamada telefónica, e se a camera do PC, tablet ou smartphone estiver hackeada consegue-se também tirar fotografias e fazer vídeos, sem o conhecimento da vítima.

Este assunto tem vindo à baila, depois de Zuckerberg, que investiu 16 milhões em seguranca informática e relacionados, apenas para proteger os membros do Executivo do Facebook, foi fotografado a 21 de Junho de 2016, agradecendo os 500 milhões de utilizadores do Instagram, usando no seu PC fita-cola para tapar as saídas do Micro e da camera.

A história tornou-se viral quando um especialista na área de Cloud Security chamado Chris Olson, que deu o alerta.

Mas Edward Snowden também o faz. E o Director do FBI James Comey recomendou numa palestra em Ohio, no Kenyon College onde a maioria dos 1,600 alunos são mulheres, que deveriam adoptar “práticas simples para garantir a sua privacidade”, referindo-se a esta questão.

Como esta conferencia era em modelo Q&A (Question and Answer), ele admitiu que ele próprio o faz. Aliás o Washington Post já tinha noticiado que o FBI usava o acesso a cameras e microfones por exemplo para capturar um desconhecido que se intitulava “Mo”, que desde Julho de 2012 começou a fazer ameaças de bomba em universidades e aeroportos nos Estados Unidos, e do qual apenas se sabia que tinha cabelo escuro, pronúncia estrangeira e se vestia com um uniforme do exercito do Irão.

O assunto não se esgota aqui. Pouco depois da recomendacão feita por James Comey no Kenyon College, ele foi mais claro numa conferencia que fez no Center for Strategic and International Studies. Aí afirmou que é “habitual” em todo o FBI e também em qualquer Gabinete de Governo, usar “tampinhas” para tapar as cameras…

A “Ms. Violet Blue” a quem o The London Times chamou “uma das 40 bloggers que realmente interessa”, e que é uma investigadora na área de “hacking” e “cyber-crime”, colunista com diversas participacões na CNN, BBC, Newsweek, Wall Street e no Oprah Winfrey Live Show, e conferencista na ETech, LeWeb, CCC, Forbes Brand Leadership Conference e Google Tech Talks, foi autora do livro “The Smart Girl’s Guide to Privacy”, onde referiu por diversas vezes esta questão.

As histórias são muitas: Em 2010 por exemplo, funcionários da Lower Merion School District escaparam por pouco a uma condenacão por terem feito 56.000 fotografias do aluno Blake Robbins, despido e a dormir, através da utilizacão não-autorizada da webcam do seu computador. A lista é vasta e continua…

Há à venda “tampinhas” e adesivos específicos para tapar a camera do seu computador, tanto na Europa como nos Estados Unidos. Há fundacões norte-americanas para combater o cyberbullying, que os oferecem até, e muitas foram fundadas na sequência de suicídios de adolescentes.

O The Verge há dois dias deu a conhecer uma nova empresa chamada Striiiipes que lançou capas para webcam em couro no Kickstarter, no início deste mês.
As capas de couro são pegajosas e reutilizáveis, e podem ser removidas para fazer chamadas de vídeo.

O assunto é tão premente que os EliteBooks recentes da HP já incluem capas de webcam integradas, bem com alguns telefones que têm sido apresentados na Ásia.

Em resumo, vale mesmo a pena ver este vídeo do The Verge, e com atenção. Em alternativa há a ferramenta criada por Patrick Wardle, um ex-agente da CIA que criou programa (download aqui) que bloqueia a acção do malware de acesso à camera e o micro, sendo que cada vez que começa vez que um dos dois entra em funcionamento, solicita a autorização expressa do utilizador (alertando para o uso indevido). Nessa altura basta dar o comando para o bloquear!