A NASA está interessada nas Luas de Saturno, e a European Space Agency, também… Principalmente porque Enceladus, uma das suas Luas, é um dos “mundos oceânicos” que conhecemos fora da Terra, e tanto quanto se sabe (mas não era difícil de adivinhar, uma vez que têm água líquida), tem orgânicos complexos, e possivelmente vida…
Sabe-se que a sonda Cassini voou pela primeira vez através das “plumas” da lua de Saturno “Enceladus” em novembro de 2009, e realizou análises químicas. Estas plumas provêm do oceano de água líquida de Enceladus, e escapam para o Espaço através de fracrturas na crosta de gelo que envolve completamente a lua.
Para um planeta ser considerado habitável, ou com capacidade para albergar vida, isto é ter condições de habitabilidade, têm que se verificar os seguintes factores: água liquida, energia disponível e os elementos químicos conhecidos por CHNOPS (Carbono, hidrogénio, nitrogénio, oxigénio, fósforo e enxofre). Estes factores aliados a uma estabilidade prolongada no tempo aumentam as condições de habitabilidade de um planeta, e com isso a possibilidade de com isso um dia poder vir a aparecer vida.
Recentemente novos dados divulgados confirmam que essas plumas possam conter moléculas orgânicas complexas (e orgânicos significa que têm carbono na sua composição), o que é o mesmo que dizer que é praticamente impossível que não exista vida debaixo da crosta gelada de Enceladus, dentro dos seus oceanos líquidos.
A sexta maior das luas de Saturno, Enceladus, tem apenas cerca de 314 milhas (505 quilómetros) de diâmetro. Isso torna a lua pequena o suficiente para caber dentro das fronteiras do estado do Arizona, nos EUA.
Foi em 2005 que a sonda Cassini da NASA detectou pela primeira vez as plumas de vapor de água e partículas geladas em erupção desta pequena lua (Enceladus), revelando a existência de um oceano gigante escondido sob a sua crosta congelada.
Levando em linha de conta o exemplo do planeta Terra, onde existe vida virtualmente onde quer que haja água, essas descobertas sugerem que a vida também possa existir em Enceladus. Anteriormente, os cientistas tinham detectado apenas compostos orgânicos simples (baseados em carbono), cada um com menos de cinco átomos de carbono em tamanho, e que foram identificados nas plumas de Enceladus.
Recentemente os cientistas também afirmaram que os compostos orgânicos no nosso sistema solar, são muito maiores do que se esperava
Agora, os pesquisadores detectaram moléculas orgânicas complexas da Lua de Enceladus, incluindo pelo menos 15 átomos de carbono. “Esta é a primeira detecção de orgânicos complexos vindos de um mundo aquático extraterrestre”, disse Frank Space, cientista planetário da Universidade de Heidelberg, na Alemanha.
Os cientistas analisaram dados que a Cassini reuniu, quando numa das missões voou dentro de uma pluma de Enceladus, bem como quando a sonda passou pelo anel “E” de Saturno, que é composto de grãos de gelo expelidos por Enceladus. E foram detectados grãos de gelo carregados com material orgânico complexo, tanto na pluma como no anel “E”.
Segundo os investigadores, no fundo do oceano de Enceladus existem chaminés hidrotermais, que ajudam a circular a água através do manto rochoso. Durante esta circulação, as rochas do manto são alteradas, num processo que se chama de serpentinização, que na terra é conhecida por produzir compostos orgânicos: “Os orgânicos são então injectados, juntamente com a água quente, no oceano frio sobre as suas fontes hidrotermais”, afirmou Postberg, um dos cientistas que estudam estes fenómenos em Enceladus.
Os pesquisadores alertaram que essas novas descobertas não são “provas sólidas” da existência de vida, já que as reacções biológicas não são as únicas fontes potenciais de moléculas orgânicas complexas. 
Postberg acrescentou que a Agência Espacial Europeia já tem programadas as missões “Clipper” e “JUICE” para Europa (Lua de Júpiter) , para serem lançadas em 2022, e que visitarão tanto a Lua Europa (1561 Km de diâmetro) como a Lua Ganimedes (Lua de Júpiter)  (2634 km de diâmetro), as duas luas geladas de Júpiter maiores que Enceladus (Lua de Saturno), e que têm oceanos abaixo da superfície. Essas missões visam exclusivamente verificar a habitabilidade desses mundos. 
Os cientistas anunciaram estas recentes descobertas online, a 27 de Junho na revista Nature.