A Lua é o único satélite natural da Terra, e o quinto maior do Sistema Solar. O seu tamanho é 27% do diâmetro da Terra e a sua formação terá ocorrido há 4,51 mil milhões de anos, logo após a formação do planeta Terra.

Porque é um satélite sem atmosfera, a Lua tem sido entendida pela ciência como futura base de lançamento de operações de exploração espacial. De facto, qualquer nave-espacial que queira lutar contra a força da gravidade, vai gastar a quase totalidade do seu combustível a tentar sair de órbita. Se existir uma base lunar, isto já não acontece. A partir da lua, a nave poderá levantar com um esforço mínimo, e por não existir gravidade no Espaço, um pequeno impulso levará uma nave a percorrer longas distâncias, sem gastar combustível, até ter que fazer uma correcção de rota…

Para que isto aconteça, é necessário que seja possível a habitabilidade da Lua. É preciso que existam pessoas a trabalhar permanentemente na Lua, para construir bases de lançamento de naves, e transformar a Lua no principal cenário de operações, reduzindo o problema logístico a algo bastante mais barato e simples ou seja, o abastecimento da Lua a partir da Terra.

Além de uma base de operações, 2019 será em principio o ano em que a Humanidade irá iniciar o Turismo Espacial. E tem obrigatoriamente que começar pela Lua, já que não existem recursos nem tecnologia para nos aventurarmos mais longe.

Para já estão posicionadas para esta corrida, três grandes companhias: a Virgin Galactic, com o SpaceShipTwo, a Blue Origin com o New Sheppard, e a SpaceX de Elon Musk também na área do turismo lunar, embora o seu plano prioritário seja assumidamente o de colonizar Marte, a partir de uma base lunar, razão pela qual continue a aperfeiçoar o Falcon Heavy…

Desta forma tornou-se imperativo que as primeiras infra-estruturas lunares comecem a ser projectadas, para abrir espaço à acção humana. E as infraestruturas mais importantes são de longe as comunicações.

Sobre a importância das comunicações vejamos o exemplo da guerra do Afeganistão, onde o Pentágono admitiu que começou por bombardear as redes de comunicações e fazendo operações cirúrgicas de forças especiais, para deixar o inimigo sem “boas opções”… E o mesmo aconteceu também na Guerra do Iraque, principalmente porque toda a guerra é essencialmente uma guerra de comunicações. A capacidade bélica é grandemente valorizada, tanto pela eficácia das comunicações, como pela incapacidade do inimigo reagir.

Também funciona assim, num ambiente inóspito e portanto hostil, como a Lua. E para criar as infraestruturas de suporte, para que se possa construir um base lunar, com pessoas a viver, e para combater a adversidade dos imprevistos, começam a ser estudadas as primeiras redes de comunicações.

Como tal, a Vodafone juntamente com a Nokia e com a Audi, anunciaram um consórcio que visa dotar a Lua da primeira rede de comunicações e em 4G.

50 anos depois de Neil Armstrong e Buzz Aldrin pisarem o solo lunar, a Vodafone está a planear a criação da primeira rede 4G na Lua, para apoiar os cientistas da PTScientists em 2019.

PTScientists sediada em Berlim começou assim esta parceria com a Vodafone Germany, para obter a primeira aterrizagem com financiamento privado na Lua, com vista a entrar no negócio do Espaço, que a partir de 2019 dará um salto sem precedentes.

Tanto quanto se sabe, esta Missão à Lua deve ser lançada no final de 2019 a partir do Cabo Canaveral, e num foguete SpaceX Falcon 9.

Esta primeira experiência visa ligar em rede dois rovers Audi, a uma estação-base no Módulo de Navegação e Desembarque Autónomo (ALINA). A Nokia, por meio do Nokia Bell Labs, criará uma Rede Ultra Compacta de grau espacial, que será a mais leve já desenvolvida – pesando menos de um quilo, ou o mesmo que um saco de açúcar.

Esta rede 4G permitirá aos Audi lunares comunicar e transferir dados científicos e vídeo em alta definição. Está programado para esta fase de experiência, a monitorização do veículo lunar Apollo 17 da NASA, que foi usado pelos últimos astronautas para caminhar na Lua (astronautas Eugene Cernan e Harrison Schmitt), e para explorar o vale de Taurus-Littrow em Dezembro de 1972.

Os testes da Vodafone indicam que a estação base deve ser capaz de transmitir 4G usando a frequência de 1800 MHz e enviar o primeiro vídeo HD ao vivo da superfície da Lua, que será transmitido para um público global, através de um link de espaço profundo que liga ao servidor PTScientists no Centro de Controle da Missão em Berlim. E isto é uma grande evolução, desde a utilização de rádio analógico nestas missões.

Robert Böhme, CEO e fundador da PTScientists, afirmou no anúncio deste consórcio que:

“Este é um primeiro passo crucial para a exploração sustentável do sistema solar. Para que a humanidade deixe o berço da Terra, precisamos desenvolver infra-estruturas além do nosso planeta. Com a Missão à Lua, vamos estabelecer e testar os primeiros elementos de uma rede de comunicações dedicada na Lua. O melhor desta solução LTE é que ela economiza muita energia, e quanto menos energia usamos para enviar dados, mais temos para fazer ciência!”

Na mesma ocasião, o Director de Tecnologia da Nokia e Presidente da Bell Labs, Marcus Weldon, acrescentou ainda:

“Estamos muito satisfeitos por termos sido seleccionados pela Vodafone como seus parceiros de tecnologia. Esta importante missão está apoiando, entre outras coisas, o desenvolvimento de novas tecnologias de Espaço para futuras redes de dados, processamento e armazenamento, e ajudará a avançar a infra-estrutura de comunicações necessária para académicos, indústria e instituições educacionais na condução de pesquisa lunar. Estes objectivos têm implicações potencialmente abrangentes para muitos intervenientes e para a humanidade como um todo, e esperamos trabalhar em estreita colaboração com a Vodafone e com os outros parceiros nos próximos meses, antes do lançamento em 2019.”