Urano é o sétimo planeta a contar do nosso Sol. Tem uma órbita lenta e pouco brilho, o que costuma ser um dos principais factores para identificação de um planeta a olho nu. É um gigante gasoso, tendo como principais componentes da atmosfera o Hidrogénio e o Hélio, e gelo contendo água, amónia e metano. Tem uma temperatura semelhante a Plutão, em média de 224 graus negativos enquanto Plutão costuma apresentar uma média de 230 negativos.

Urano é o planeta mais estranho do sistema solar. Em primeiro lugar deveria ser mais quente do que realmente é, e contudo é quase tão gelado como Plutão. Depois, todos os planetas giram mais ou menos da mesma forma, e Urano gira sobre o seu lado, rodando com um “tilt” de 97/98 graus. Isto na prática significa que os seus polos, se estivessem na Terra, andariam pela zona do Equador. Também significa que num dos polos é sempre de dia, porque está continuamente virado para o sol, enquanto que noutro polo é sempre de noite…

Mas o que é realmente estranho é a sua atmosfera e o seu comportamento magnético. A Terra tem atmosfera, por exemplo. E Urano tem Magnetosfera, ou seja tem uma atmosfera magnética, com algumas particularidades únicas: liga-se e desliga-se diariamente como se “alguém” ou “alguma coisa” carregasse num interruptor. É aquilo que se chama de magnetosfera “errática”!

Por estarmos no ano anterior ao início (tanto quanto se espera), do turismo espacial, abordamos hoje Urano, uma vez que nos preocupa no Bit2Geek falar daquilo que é tangível nos próximos 100 anos em termos de exploração (e que é o nosso Sistema Solar), por este ser um Site não de Astronomia, mas de Futurismo.

E segundo um estudo recente, confirma-se a colisão de um objecto enorme, talvez duas vezes do tamanho da própria Terra, o que explica a extrema inclinação do planeta e a outros atributos estranhos.

Este estudo foi realizado por Jacob Kegerreis, do Instituto de Cosmologia Computacional da Universidade de Durham, no Reino Unido, e atribui a essa colisão de há cerca de 4 bilhões de anos, as características inexplicáveis de Urano.

E foi isto que em principio aconteceu a Urano:

A equipa de pesquisa usou um supercomputador de alta potência para executar uma simulação de colisões maciças – algo que nunca tinha sido feito anteriormente. E usando uma simulação de alta resolução, confirmaram que um objecto com o dobro do tamanho da Terra colidiu com Urano e alterou sua inclinação. Pensa-se que o que chocou com Urano foi um jovem protoplaneta, composto essencialmente de rocha e de gelo.

Esta colisão é “praticamente o único caminho” que temos para explicar a inclinação de Urano, disse Kegerreis num comunicado da Universidade de Durham.

Surpreendentemente, Urano manteve sua atmosfera após este impacto, levando os pesquisadores a pensar que isso aconteceu porque o objecto apenas “roçou” o planeta, atingindo-o com força suficiente para mudar sua inclinação, mas não o suficiente para afectar sua atmosfera.

É provável que esse tipo de evento não seja incomum ou invulgar no universo: “Todas as provas apontam para impactos gigantescos, sendo  estes frequentes durante a formação do planeta, explicou Luis Teodoro, co-autor do estudo e pesquisador do Centro de Pesquisa Ames da BAER / NASA.

A pesquisa sobre os mistérios de Urano é importante para percebermos antes de mais, os efeitos de colisões similares em exoplanetas potencialmente habitáveis.

Esta imagem composta, criada em 2004 com a óptica adaptável do telescópio Keck Observatory, mostra os dois hemisférios de Urano em inclinação:

Credits: Lawrence Sromovsky, Universidade de Wisconsin-Madison / W.W. Observatório Keck

De acordo ainda com este estudo, quando o proto-planeta chocou com Urano e se desfez, terá deixado uma crosta fina na superfície do planeta, o que faz com que seja frio, por reter o calor do seu núcleo.

Esta hipótese explicaria também o porquê do planeta ter 27 Luas, que basicamente se terão formado a partir dos destroços do proto-planeta que colidiu com Urano.

Este trabalho foi publicado no The Astrophysical Journal em 2 de julho de 2018.

Sugestão: Ler o Plano da NASA para evitar que asteróides colidam com a Terra.