A novidade foi apresentada hoje de manhã pelo The Verge, mas havia algo mais para dizer… Aquilo que é interessante no HEXA não é só a capacidade de carregar plantas na “cabeça”. De facto o HEXA faz muito mais do que isso, e muito mais do que os seus criadores acham que ele alguma poderia fazer… Aliás, foi concebido para isso mesmo! Para surpreender!

Este robot com 6 pernas vem também muito bem equipado com sensores que incluem 720p camera com “night vision”, acelerómetro com 3 eixos, medidor de distância e transmissores com infravermelhos, entre outros…

O HEXA consegue evitar obstáculos, subir escadas e correr. Tem visão 360, uma vez que consegue virar a sua camera e restantes sensores na direcção pretendida.

O mais curioso é a sua MIND, ou centro de programação. Equipado com uma versão para IOS e Android, o MIND SDK é basicamente um simulador onde podemos ensinar novos movimentos e tarefas ao HEXA, sem necessidade de codificação. Contudo, a programação-base do HEXA é Open Source, pelo que quem saiba escrever código pode programá-lo rigorosamente para aquilo que lhe apetecer.

Já na apresentação do “The Verge” centram-se mais no projecto “Compartilhando Tecnologia Humana com Plantas”, iniciado no final de 2014 e que chamou a atenção de Bob Xu, que se tornou no primeiro investidor da Vincross. Foi aliás pela atenção que Bob Xu deu a este projecto, que permitiu construir o HEXA rapidamente graças ao seu financiamento.

A ideia foi conceptualizada por Sun Tianqi, fundador da Vincross e técnico de robótica. Tianqi explicou que teve a ideia de construir o HEXA quando foi ver uma exposição em 2014, e acabou por se concentrar num girassol morto, que estava sempre à sombra…

Não sabendo Tianqi se o girassol teria morrido por falta de luz solar ou por falta de água, começou a imaginar que se a planta tivesse a capacidade de se deslocar cerca de 30 pés (cmais ou menos 9 metros), para a zona onde estavam os girassois saudáveis, a planta teria sobrevivido com quase toda a probabilidade.

Foi a partir daí que teve a ideia de construir o HEXA, que é um robot robusto, desenhado para caber numa mochila e ser levado para o campo, bem como projectado com a capacidade de transportar volumes até 1,5Kg.

A ideia seria portanto tentar alterar a configuração padrão que a natureza deu às plantas, que de “raiz” são passivas, ou são passivas por causa da sua “raiz”… Tal como explicou, as plantas não se deslocam se estiverem a ser cortadas, mordidas, queimadas ou arrancadas da terra, da mesma forma como se não estiverem a apanhar sol ou a receber água.

Segundo o criador do HEXA, adaptar a robótica ás plantas acaba por ser uma “evolução natural”. Nos vídeos do “The Verge” podemos ver um vaso com a planta, em cima de um HEXA, que por sua vez está programado para deslocar a planta para o sol e para a sombra, sempre que necessário.

Tianqi chama-lhe evolução natural porque o próprio ser humano ultrapassou por necessidade, as suas barreiras naturais em prol da sobrevivência: deslocou-se às profundezas do oceano, pousou na Lua, inventou submarinos e aviões, e assim quebrou as suas definições-padrão…

Ora as plantas são “heliotrópicas” ou seja, crescem em direcção ao Sol. O facto de terem raízes impede-as de se moverem, mas se estiverem acopladas a um HEXA, as suas chances de sobrevivência e interacção são bastante superiores. No limite, até de polinização!

Para provar a sua teoria, Tianqi utilizou uma planta da espécie Echeveria “Hakuhou”, uma planta suculenta japonesa que serviu de base a este projecto híbrido.

Pessoalmente considero que há outros aspectos mais interessantes, do que a utilização para que foi destinada. Ao visitar o site da Vincross, logo de entrada vemos a sugestão de utilizar o HEXA para explorar o planeta Marte.
O HEXA tem a característica de poder receber energia wireless, e é reprogramável literalmente sem limites, bem como foi concebido para utilização no exterior.
Pergunto-me portanto se não chegaremos a ver um “primo” do HEXA a anteceder os primeiros humanos em Marte. Talvez só lhe falte uma bateria com mais tempo de vida, e a capacidade de incorporar paneis solares no seu esqueleto.
Para já, parece ser um brinquedo muito engraçado e que custa cerca de 900 euros. Teremos que esperar para ver o que poderá fazer quando começar a ser reprogramado pelos developers de todo o mundo… Quase de certeza que o HEXA ainda dará muito que falar…

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Credits: images published in The Verge