Instituto de Tecnologia de Massachusetts, mais conhecido por MIT, desenvolveu um sistema de sinais de rádio emitidos por Inteligência Artificial, com o objectivo de “sentir” os movimentos das pessoas através das paredes.

As aplicações desta tecnologia são virtualmente incontáveis. Desde poderem ser utilizadas pelas equipes da SWAT (forças de intervenção) antes de fazerem uma rusga (para detectar a localização de um criminoso, antes de deitar a porta a baixo), a poder-se monitorizar os movimentos de doentes de Parkinson sua própria segurança (e sem os filmar, preservando a sua imagem).

Dina Katabi, professora de engenharia electrotécnica e de programação informática do MIT afirma que “houve um grande projecto do DARPA (Agência de Projectos de Pesquisa Avançada de Defesa), para tentar detectar pessoas através das paredes usando sinais Wireless. Contudo, antes destes resultados recentes, o melhor que esses sistemas podiam fazer era revelar uma pessoa atrás de uma parede, em forma de “bolha”…

Estas representações centram-se em pontos-chave do corpo, incluindo articulações como cotovelos, quadris e pés. Assim, quando uma pessoa está ocluída por uma parede a Inteligência Artificial consegue reproduzir os esqueleto, compondo a posição através da leitura das sinais de rádio. É como se fosse um sonar dirigido aos pontos com mobilidade do corpo humano, projectando um “boneco” que é a representação desse mesmo corpo.

Os sinais de rádio utilizados pelo MIT funcionam com grande semelhança a uma rede Wi-Fi, embora os sinais em concreto sejam substancialmente menos poderosos.

É aliás justamente aqui que aparece o “truque” desta experiência: as ondas de rádio podem “penetrar” uma parede e dirigir-se a um corpo, mas sendo o corpo humano constituído maioritariamente por água, que não é um bom condutor do sinal rádio, o sinal é enviado de volta ou “rebatido”. Funcionando como uma rede Wi-Fi o espaço ocupado pela cobertura de rede “rebatida”,  é analisado pela ferramenta de interpretação do programa, conferindo-lhe uma silhueta móvel…

Como explicou a pesquisadora Katabi, a interpretação dos sinais de rádio rebatidos é impossível a um humano, mas fácil de analisar com uma “rede neuronal” ou inteligência artificial.

O complicado nesta tarefa é “treinar” a rede neuronal para esta fazer boas “deduções”. Este treino deve ser feito com uma alimentação de informações anotadas, muito semelhante ao processo que leva uma inteligência artificial a traduzir um texto de outro idioma, ou mesmo gerar um texto próprio, ou explicar a um carro automático o que é um semáforo.

Mas como uma surpresa nunca vem só, os cientistas do MIT resolveram fazer um novo teste, e desta vez acoplar uma segunda rede neuronal à inteligência artificial. A missão primária desta rede neural era identificar as pessoas pelo tipo de andar, para através das paredes poder chegar à sua identificação. Este novo teste revelou ter uma precisão de 83% de identificações positivas…

Este estudo durou 8 semanas e envolveu 7 pessoas. Pensa-se que esta tecnologia poderá vir a substituir no futuro as cameras de segurança em alguns locais mais sensíveis, onde a imagem poderia ser de alguma forma “invasiva”.

Por enquanto pensa-se que a sua utilidade imediata deverá ser no campo da medicina, como forma de monitorização de doentes e dos seus movimentos, com vista à despistagem daqueles que têm comportamentos diferentes das reais carências ou limitações que possam revelar apenas numa consulta. Resumindo, esta IA está a ser entendida como forma de preservar a imagem e a privacidade daqueles que estão a ser monitorizados.

Nota: Aceite a sugestão do Bit2Geek e leia o artigo sobre os Animatronics que substituem os humanos na Disney