E se as próteses robotizadas pudessem estar cobertas por uma pele electrónica capaz de recriar a sensibilidade no toque? Como é que isso mudaria a vida daqueles que são obrigados a utilizar próteses em substituição de membros funcionais? E será possível dotar os robots ou mecanismos robotizados de sensibilidade?
Pensa-se que as primeiras pirâmides foram construídas entre 2630 a.C-2611 a.C., e que as primeiras próteses para o corpo humano, usadas em amputados (ainda que pouco funcionais), poderão remontar a essa altura…
Por mais assustador que pareça, este infelizmente continua a ser um problema real nos dias de hoje, e a ciência tem tentado recriar uma substituição cada vez mais viável para membros perdidos.
Até quase ao final do século XX, as próteses para amputados eram quase como algo saído de um filme de terror. No século XXI porém, começaram a aparecer experiências com próteses em que era possível predizer o movimento, porque foram concebidas para receberem comandos emitidos pelo cérebro. Como é o exemplo este vídeo:

 Ainda assim, falta algo para que as próteses possam vir a ser entendidas como um real substituto de um membro humano perdido, muito à semelhança do que vemos na saga Star Wars, com o braço de Luke Skywalker… E para além da funcionalidade de um membro no que diz respeito aos movimentos, falta-lhe a parte da sensibilidade.
A verdade é que o problema principal que os amputados muitas vezes experienciam, é a sensação de um “membro fantasma” – a consciência de que uma parte do corpo ausente ainda está lá, quando infelizmente já não está…
Contudo, essa ilusão sensorial está cada vez mais próxima de se tornar realidade graças a uma equipa de engenheiros da Universidade Johns Hopkins que criou uma capa electrónica para substituição da pele humana, e para funcionar por cima dos esqueletos com mobilidade que estão a ser desenvolvidos pela robótica.
O e-dermis (como se chama esta pele electrónica), consegue trazer de volta a sensação real de toque através das pontas dos dedos…
Resumindo, a e-dermis é feita de tecido e borracha com sensores incorporados para imitar as terminações nervosas. A e-dermis recria uma sensação de toque, assim como a dor, “sentindo” os estímulos e retransmitindo os impulsos de volta para nervos periféricos.
E a dor é uma importante parte da informação sensorial que recolhemos, nas nossas actividades…
No comunicado de imprensa da Universidade, Luke Osborn afirma que “fizemos um sensor que passa pelas mãos de uma prótese e age como a própria pele. É inspirado por aquilo que já existe na biologia humana, com receptores tanto para o toque quanto para a dor”.
Os resultados da pele electrónica e-dermis foram tão animadores que foram publicados a 20 de Junho na revista Science Robotics.
A pele humana contém uma complexa rede de receptores que transmitem uma variedade de sensações ao cérebro. Essa mesma rede serviu de modelo biológico á equipa de pesquisa que desenvolveu esta pele electrónica, e que inclui membros dos departamentos de Engenharia Biomédica, Engenharia Electrónica e de Programação, e Neurologia da Johns Hopkins e do Instituto de Neuro-Tecnologia de Singapura.
Image Credits: Universidade Johns Hopkins