Lua Europa Júpiter Nasa
Quase todas as semanas há notícias sobre Europa, a lua de Júpiter também apelidada de Júpiter II.  E aparecem estas notícias, muito provavelmente porque se aproxima a “Jupiter Icy Moon Explorer” (JUICE) em 2022, a missão da Agência Espacial Europeia (ESA), que está planeada para se dirigir a Ganímedes, mas incluindo 2 estudos a Europa. Mas também porque a missão da NASA a Europa está também a ser preparada, e será lançada depois de 2020.
Europa, juntamente com as outras três grandes luas de Júpiter, Io, Ganímedes e Calisto, foram descobertas por Galileu em Janeiro de 1610.
A verdade é que o que estamos a encontrar em redor do Gigante Gasoso “Júpiter”, cada vez nos surpreende mais: recentemente foram descobertas mais 10 luas em torno de Júpiter, que fazem a sua órbita no mesmo sentido da rotação do planeta, e uma lua que se move no sentido inverso a todas as outras luas, o que é por enquanto inexplicável… Principalmente se pensarmos que ainda não houve colisões conhecidas entre esta lua, e as outras 78 que se movem em sentido contrário (Júpiter tem 79 Luas).
Júpiter é estranhissimo e aterrar nele seria como aterrar numa nuvem terrestre, razão pela qual o homem muito dificilmente poderá vir a explorá-lo tão cedo…
Vale a pena ver este vídeo, para perceber o planeta-mãe de Europa:

Mas a Lua Europa, é muito diferente: ao contrário de Júpiter (que é um gigante gasoso), a lua Europa é rochosa, composta de silicato (um composto de sílica e oxigénio), tem uma crosta composta por gelo, uma atmosfera ténue essencialmente à base de oxigénio, e esconde um oceano debaixo da sua crosta. O facto de estar a orbitar um planeta com tanta massa como Júpiter, faz com que a atracção gravitacional provoque o movimento das suas placas de gelo, originandoo descargas de energia e consequente aquecimento para debaixo da sua crosta, o que proporciona a existência de água líquida.
Também o facto de ser constituído por silicato (composto com oxigénio) e ter água, faz com que o elemento primário da sua atmosfera seja o oxigénio.
Europa tem 4,5 bilhões de anos, aproximadamente a mesma idade de Júpiter, tem 3.100 km de diâmetro (ou seja, menor do que a Terra mas maior do que Plutão), e temperatura de menos 160 graus Celsius. Europa teve como missões:
1- A Pioneer 11 (que em 1974 sobrevoou o sistema de Júpiter). A Pioneer sobrevoou a Europa a quase 375.000 milhas (600.000 km) de distância, permitindo apenas ver algumas variações na superfície.     
2- A Voyager 1 (em 1979 repetiu no vôo no sistema de Júpiter). Esta sonda fez um vôo distante de Europa, tendo produzido alguns “insights” sobre como a gravidade de uma lua no sistema de Júpiter influencia a gravidade dos outros. 
3- A Voyager 2 (também em 1979 sobrevoou o sistema de Júpiter). Uma de suas principais descobertas foi confirmar listras castanhas em toda a superfície da Europa, sugerindo rachas na superfície gelada.     
4- A Galileo (que orbitou Júpiter entre 1995-2003). Sua descoberta mais famosa em Europa foi encontrar fortes indícios da existência de um oceano sob a crosta gelada, na superfície da lua.     
5- A Europa Clipper (proposto para 2020). Vai voar por Europa dezenas de vezes. Um de seus principais objetivos é procurar indícios da existência de plumas de água, que aparentemente os pesquisadores do Hubble identificaram várias vezes, e que são semelhantes ás encontradas em Enceladus (lua de Saturno)    
6- (JU)piter Icy Moons Explorer (JUICE) (proposto para 2022). Irá procurar moléculas, como moléculas orgânicas, que estão associadas a processos vitais.
A questão é simples: Europa é um mundo oceânico, com oxigénio, água líquida, pensa-se que tem plumas de água provenientes de geisers (o que significa que tem fontes de calor), e uma fonte de energia gigantesca, proveniente das marés geradas pela força gravitacional de Júpiter.
Portanto a pergunta é simples: o que poderia impedir a existência de vida, se todas as condições enumeradas, lhe são favoráveis???
Veja-se este vídeo do NASA Jet Propulsion Laboratory, sobre a possibilidade de vida em Europa:

Este artigo começa com o facto de com grande regularidade, ultimamente, a imprensa internacional falar de Europa, e isso é estranho. E estranho, porque o que terá motivado esta súbita curiosidade foi uma nova análise das medições feitas pela sonda Galileo da NASA, há mais de 20 anos. Estes dados referem que existe pelo menos um grande geiser em Europa, e que existe um oceano tão grande que todos os rios, lagos e oceanos da Terra seriam apenas de metade do tamanho do oceano de Europa.
Para a existência de vida em Europa teriam que existir os blocos orgânicos para construção de vida, que são comuns no nosso sistema solar, e foram encontrados numa lua muito semelhante a Europa (em Enceladus, lua de Saturno).
O que é estranho nisto tudo é o súbito “comunicado” publicado pelo NASA Jet Propulsion Laboratory, ontem na Nature Astronomy, afirmando que mesmo em áreas expostas a radiação mais severa em Europa, não seria necessário escavar mais de 20 cm na superfície gelada, para encontrar indícios de vida na lua de Júpiter.
Será esta também uma nova conclusão do estudo de há 20 anos atrás??? Leia-se o comunicado da NASA:
A lua de Júpiter, Europa, que se acredita possuir um grande oceano de água líquida sob sua crosta gelada, é um dos alvos mais atraentes na busca da vida além da Terra. Sua superfície geologicamente jovem, juntamente com várias características da superfície, indicam que o material do interior de Europa pode ser colocado na superfície. No entanto, a superfície é afectada pelo ambiente de radiação severa da magnetosfera de Júpiter, que com o tempo pode levar a alterações químicas e destruição de potenciais bioassinaturas. Mostramos que as taxas de dose de radiação são altamente dependentes da localização na superfície. O processamento de radiação e a destruição de bioassinaturas potenciais são significativas até profundidades de ~ 1 cm em regiões de média a alta latitude e a profundidades de 10–20 cm dentro de “lentes de radiação” centradas nos hemisférios superior e posterior. Estes resultados indicam que futuras missões à superfície de Europa não precisam escavar material a grandes profundidades para investigar a composição do material endógeno e procurar potenciais bioassinaturas.
NASA Jet Propulsion Laboratory
Tendo passado despercebido ontem, a NASA praticamente afirmou que já sabe (de alguma maneira) que existe vida extraterrestre em Europa… E não deve ser por causa de uma nova análise de uns dados com 20 anos de existência…
Falta-nos saber o que escondem os oceanos sem fim desta Lua, porque uma visita a Europa não pode ser para apenas se procurar micróbios imperturbados durante os últimos 4,5 bilhões de anos… Isso pura e simplesmente não tem sentido…
Para pôr as coisas em perspectiva, o Australopithecus Afarensis cujo esqueleto conhecemos ternamente por “Lucy” (descoberto na Etiópia em 1974), tem 3,4 milhões de anos e evoluiu até ao Homo Sapiens Sapiens… Será portanto de supor que a vida “oceânica” em Europa não evoluiu da vida microbiana em 4,5 bilhões de anos, num ambiente com condições para isso???
Não seria isso anti-natural? Porque não haveria de se ter desenvolvido em tipos de vida mais complexos?
As primeiras respostas vão começar a chegar daqui a 4 anos, com a (JU)piter Icy Moons Explorer (JUICE)… Esperemos que até lá se descubra maneira de perfurar o gelo, para mergulhar uma sonda nos oceanos de Europa, e depois voltar á superfície para devolver aos dados à Terra…