A jornalista canadiana Elizabeth Howell, presentemente a acabar um Doutoramento em ciências aeroespaciais na Universidade de North Dakota, e licenciada em Estudos Espaciais pela mesma instituição, definiu recentemente os 8 locais mais atractivos para o início do Turismo Espacial em Marte. São paisagens literalmente do outro mundo, que não encontram paralelo na Terra, pelo que serão concerteza os focos de interesse dos seres humanos.
E com a colonização de Marte a começar por volta de 2030, convém ir começando a pensar no Turismo Espacial (que será lançado pela SpaceX, Blue Origin e Virgin Galactic antes do final de 2019). É por isso que hoje vamos visitar cada uma das principais localizações:
Monte Olympus

O Monte Olympus é o vulcão mais “extremo” do sistema solar. Localizado na região vulcânica de Tharsis, é aproximadamente do mesmo tamanho do estado do Arizona, de acordo com a NASA. A sua altura de 16 milhas ou 25 quilómetros, faz com que seja quase três vezes da altura do Monte Everest da Terra, que tem uma altitude de 8,9 km.

O Monte Olympus é um gigantesco escudo vulcânico, formado depois da lava escorrer lentamente pelas suas encostas. Isso aliás significa que esta montanha é provavelmente fácil para escalada, já que sua inclinação média é de apenas 5%.

No seu cume, há uma depressão espectacular de cerca de 53 milhas (85 km) de largura, formada por câmaras de magma que perderam lava (provavelmente durante uma erupção) e entraram em colapso.

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Vulcões de Tharsis
Os turistas/exploradores que escalarem o “Olympus Mons”, devem aproveitar para olhar para os outros vulcões da região de Tharsis, uma vez que esta região hospeda 12 vulcões gigantescos, numa zona de aproximadamente 2500 milhas (4000 km) de largura, de acordo com a NASA.
Como o Monte Olympus, esses vulcões tendem a ser muito maiores do que os da Terra, presumivelmente porque Marte tem uma atracção gravitacional mais fraca, o que permite que os vulcões cresçam em altitude.

Esses vulcões podem ter entrado em erupção até há dois bilhões de anos, ou até metade da história de Marte.A imagem aqui mostra a região de Tharsis oriental, tal como foi concebida pelos dados da Viking 1 em 1980. De cima para baixo pode ver-se três vulcões “em escudo” que ocupam uma área de aproximadamente 16 milhas (25km): Ascraeus Mons, Pavonis Mons e Arsia Mons. No canto superior direito ainda se apanha parte de outro vulcão em “escudo” chamado Tharsis Tholus.

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Valles Marineris

Marte não só abriga o maior vulcão do sistema solar, mas também o maior Canyon. Valles Marineris tem cerca de 1850 milhas (3000 km) de comprimento, de acordo com a NASA. Isso é cerca de quatro vezes mais que o Grand Canyon, que tem 800 quilómetros de extensão.
Os pesquisadores não sabem ao certo como surgiu o Valles Marineris, mas existem várias teorias sobre sua formação. Muitos cientistas sugerem que quando a região de Tharsis foi formada, contribuiu para o crescimento de Valles Marineris. A lava que se movia pela região vulcânica empurrou a crosta para o exterior, o que provocou fraturas da crosta noutras regiões. Com o tempo, essas fracturas acabaram por se transformar nos Valles Marineris.
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Os Polos Norte e Sul

Marte tem duas regiões geladas nos seus pólos, com composições ligeiramente diferentes; o pólo norte foi estudado de perto pelo lander Phoenix em 2008, enquanto as nossas observações do pólo sul vêm de sondas de órbita. Durante o inverno, de acordo com a NASA, as temperaturas próximas dos pólos norte e sul são tão frias, que o dióxido de carbono da atmosfera condensa-se em gelo na superfície.
O processo no verão é inverso, altura em que o dióxido de carbono é sublimado de volta à atmosfera.No Norte, o dióxido de carbono desaparece completamente deixando para trás uma calota de gelo. No sul parte do dióxido de carbono permanece na atmosfera. Todo esse movimento do gelo tem vastos efeitos no clima marciano, produzindo ventos e tempestades épicas.
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Gale Crater e Mount Sharp (Aeolis Mons)

Tornada famosa por ter sido o local de aterragem do Rover Curiosity em 2012, a Cratera Gale é a anfitriã de uma rede de extensos indícios de água passada. A Curiosity autenticamente “tropeçou” no leito de um rio, após algumas semanas depois do desembarque. A Curiosity agora está a mover-se num vulcão próximo chamado Mount Sharp (Aeolis Mons) e a observar as características geológicas de cada uma das suas camadas.

Uma das descobertas mais interessantes da Curiosity foi detectar moléculas orgânicas complexas na região, em várias ocasiões. Os resultados de 2018 anunciaram que esses blocos orgânicos foram descobertos em rochas com 3,5 bilhões de anos. Simultaneamente aos resultados orgânicos, os pesquisadores anunciaram que o rover também descobriu que as concentrações de metano na atmosfera mudam ao longo das estações do ano. O metano é um elemento que pode ser produzido por micróbios, bem como fenómenos geológicos, por isso não está claro se isso é um sinal de vida.
Medusae Fossae

Medusae Fossae é um dos locais mais estranhos e misteriosos de Marte, com algumas pessoas até especular que ele contém vestígios de algum tipo de acidente de um OVNI. A explicação mais provável é que é um enorme depósito vulcânico, de cerca de um quinto do tamanho dos Estados Unidos. Com o tempo, os ventos esculpiram as rochas em belas formações. Mas os pesquisadores precisarão de mais estudos para aprender como esses vulcões formaram Medusae Fossae. Um estudo de 2018 sugeriu que esta formação pode ter sido gerada a partir de imensas erupções vulcânicas ocorrendo centenas de vezes, ao longo de mais de 500 milhões de anos...
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Inclinação Recorrente na Cratera Hale

Marte é anfitrião de características estranhas chamadas de “linhas de declive recorrentes”, que tendem a formar-se nos lados de crateras íngremes, durante o tempo quente. É difícil descobrir o que são essas “RSLs”. Imagens mostradas aqui da Cratera Hale (assim como outros locais) mostram pontos onde a espectroscopia detectou sinais de hidratação. Em 2015, a NASA anunciou inicialmente que os sais hidratados devem ser sinais de água corrente na superfície (até porque em tudo se assemelham a carreiros de água), mas pesquisas posteriores afirmaram que a RSL pode também ser formado a partir de água atmosférica, ou fluxos de areia secos. Na realidade, só aproximado uma sonda destes RSL é que é possível ter a certeza de que é composta a sua verdadeira natureza. Há contudo uma dificuldade – se for água líquida, a RSL pode hospedar micróbios extraterrestres, pelo que não deveríamos chegar muito perto da RSL, para evitar contaminação…
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‘Ghost Dunes’ na bacia de Noctis Labyrinthus e Hellas

Marte é um planeta moldado principalmente pelo vento nos dias de hoje, uma vez que a água evaporou à medida que sua atmosfera diminuía. Mas podemos ver extensos indícios de águas passadas, como nas regiões das “dunas fantasmas” encontradas nas bacias de Noctis Labyrinthus e Hellas. Os pesquisadores afirmam que estas regiões costumavam ter dunas de dezenas de metros de altura. Mais tarde, as dunas foram inundadas por lava ou água, que preservaram suas bases enquanto os topos sofriam o processo de erosão.

Dunas antigas como estas mostram como os ventos costumavam fluir em Marte “antigo”. E também se pensa que poderão haver micróbios escondidos nas áreas protegidas dessas dunas, a salvo da radiação e do vento que de outra forma, os arrastariam para longe.

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Nota: Aceite a sugestão do Bit2Geek e leia Cianobactérias: o segredo para os humanos respirarem em Marte.
Image Credits: NASA