As notícias quase diárias sobre o planeta vermelho e sobre uma hipotética colonização de  Marte, já nada têm que ver com um sonho de Sci-Fi… A partir de agora é uma necessidade, e os cientistas sabem disso. Segundo foi anunciado hoje pela Global Footprint Network (via Agência Lusa), no próximo dia 1 de Agosto a Humanidade consumiu a totalidade de recursos (renováveis) que o planeta Terra pode gerar durante o período de um ano, deixando-nos “a viver a credito” até ao final do ano. Não é uma crise financeira, ou um colapso da Banca: os recursos já não são suficientes para manutenção da espécie humana na Terra.

Nesse comunicado, a porta-voz do World Wildlife Fund, Valérie Gramon afirmou que “Hoje, precisaríamos de 1,7 Terras para satisfazer as nossas necessidades”.

A verdade é que cerca de 1/3 dos alimentos acumulados pelos seres humanos acaba no lixo. O processo imparável da desflorestação a nível mundial, leva a que actualmente só 10% do dióxido de carbono que produzimos é que é reconvertido pelas acção das plantas, ficando o resto na atmosfera, o que provoca o aquecimento global. Em 2077 estima-se que a temperatura média da Terra seja de 53 graus Celsius. A subida das águas com o descongelamento das calotas polares, vai no futuro submergir cidades costeiras e furacões destrutivos onde menos se espera é algo que no tempo presente, se está já a tornar comum. Entre 2014 e 2017 lançámos para o mar 8 milhões de toneladas de plástico, pelo que notícias como as que aconteceram recentemente numa praia da República Dominicana, que acordou subterrada por uma “ilha de plástico”, vão continuar a acontecer.

O problema é que em cada duas vezes que respiramos, uma das respirações é gerada pela fotossíntese que ocorre nos oceanos, e o plástico no mar demora cerca de 450 anos até se biodegradar, ou seja até o mar conseguir separar os componentes da substância “plástico”, mediante a acção das bactérias e processos de erosão naturais.

Portanto, a colonização de Marte não é só um processo de procura de vida, de conquista do Espaço, ou de turismo espacial: é já hoje uma necessidade.

A data de extinção dos recursos renováveis do planeta começou a ser falada em 1970. No ano passado foi a 3 de Agosto, mas este ano é a 1 de Agosto. Cada vez extinguimos os nossos recursos renováveis mais cedo. E somos todos culpados: experimente calcular aqui a sua “Pégada Ecológica”!!!

Mas voltemos a Marte, nem que seja porque Elon Musk (o dono da Tesla e da Space X) fala na sua colonização diariamente. Actualmente, todos os dias há notícias sobre Marte. A possibilidade de colonizar o planeta vermelho tem motivado várias missões exploratórias da NASA e da European Space Agency, e os privados como a Virgin Galactic, Blue Origin e Space X anunciaram que em 2019 começam a levar turistas ao Espaço. Para quem não sabe, a Nasa vai anunciar muito em breve o “board” de astronautas que vão integrar as primeira viagens comerciais, para testar a segurança dos vôos fora da nossa atmosfera.

Resumindo, a corrida ao Espaço está a ferver! Quem tiver o controlo do Espaço, terá o consequente ascendente sobre as futuras colónias de humanos, o controlo dos recursos e o controlo da mineração de planetas e asteróides (veja-se esta empresa que já se colocou no mercado “do futuro”!)

Então porque é que Marte nos chama??? Apesar de Marte ser ainda um deserto inóspito, já teve no passado uma atmosfera capaz de manter oceanos profundos e um clima potencialmente habitável. E para que o volte a ter, os cientistas da NASA têm um plano de lançar um gigantesco escudo magnético para proteger o planeta dos ventos solares, à semelhança do que acontece com a magnetosfera da Terra, que nos protege aliás de várias anomalias do espaço.

Com efeito acredita-se que Marte terá perdido a sua habitabilidade à cerca de mil milhões de anos, quando o campo magnético do planeta entrou em colapso. Desde então, os ventos solares arrastam os componentes da atmosfera marciana, como o dióxido de carbono (95%), nitrogénio (2.7%) e argónio (1.6%).

Este plano foi apresentado Planetary Science Vision 2050 Workshop, que ocorreu entre os dias 27 de fevereiro e 1 de março na base da NASA, em Washington, nos EUA. A discussão sobre esta e outras hipóteses pode ser vista aqui, em streaming.

“Esta situação elimina qualquer processo de erosão causada pelo vento solar que acontece na atmosfera superior do planeta, permitindo que cresça em pressão e temperatura com o tempo”, explicou o diretor de ciência planetária da NASA, Jim Green.

Esta seria a solução ideal uma vez que assim a atmosfera do planeta não iria perder os seus componentes e poderia recuperar metade da pressão atmosfera da Terra em poucos anos. Com a recuperação da atmosfera, o planeta ficaria em média 4ºC mais quente, o que iria derreter o dióxido de carbono congelado nas calotas polares (e que uma vez libertado na atmosfera, iria permitir fixar ainda mais calor, criando um ciclo vicioso que levaria ao descongelamento das águas no planeta).

Mas ainda por cima há boas notícias:

Colonização de Marte
NASA / JPL-Caltech / Univ. of Arizona

A Revista Nature Geoscience anunciou recentemente que foi levado a cabo um estudo, que recriava as condições do planeta Marte, para perceber o que eram as “marcas escuras” detectadas na sua superfície.

De facto a pressão atmosférica em Marte é muito baixa comparada com a Terra (a pressão é de 5 a 10 milibares), o que faz com que a água ferva em temperaturas muito baixas, tal como explicou Susan Conway, da Universidade de Nantes, em França.

O resultado é que as manchas escuras aparecem no planeta quando este aquece, e desaparecem quando arrefece (ver vídeo da experiência). Mas portanto há água liquida no planeta, o que pode significar a existência de vida extraterrestre, ainda que não vida  inteligente…

Marte Carbono
NASA’s Jet Propulsion Laboratory, Caltech, California

A NASA também publicou recentemente a fotografias das “aranhas de Marte” (foto acima), captadas pela camera HiRISE, a bordo da Mars Reconnaissance Orbiter. As aranhas indicam a chegada do Verão em Marte, quando o dióxido de carbono fura as camadas de gelo e é libertado na atmosfera, deixando atrás de si os buracos escuros.

São também boas notícias. O descongelamento “natural” do dióxido de carbono significa que com uma “mão humana” se conseguiria descongelar possivelmente ainda mais… O dióxido de carbono na atmosfera de Marte é o plano “número 1” da Humanidade, uma vez que este gás provoca efeito de estufa, aquece o planeta, e permite iniciar em ciclo vicioso a terraformação de Marte…

Mas a grande notícia foi mesmo esta: um mar com cerca de 20 Km com água líquida! Portanto a partir de agora tudo é possível, e todas as hipóteses estão em aberto!!!

Nota: Aceite a sugestão do Bit2Geek, e leia quais são as principais localizações para o turismo espacial em Marte!