Voyager Golden Records

Alguém com graça uma vez disse que das antenas que procuram “Vida Inteligente”, nenhuma delas está apontada para a Terra. Felizmente não estamos reduzidos às antenas do SETI… Temos as sondas Voyager da NASA a procurar vida extraterrestre pelo universo fora, para lhes levar os Voyager Golden Records (uma mensagem da Terra).

Mas voltemos aos radiotelescópios do SETI… Ontem o Diário de Notícias publicou um artigo com o nome “Alguém à escuta?” Uma escala para classificar os sinais extraterrestres.

Resumidamente referia-se ao programa Search for Extraterrestrial Intelligence (SETI) que se tornou famoso com o apoio do  astrónomo americano Carl Sagan, após ter sido lançado em 1959. E o SETI já deu alguns falsos alarmes!

Talvez por isso a revista científica Journal of Astrobiology tenha proposto a criação da escala Rio 2.0, que classifica os sinais vindos do Espaço como 0 (correspondente a nada provável que tenha origem inteligente, e 10 como tendo sido um contacto confirmado. E essa técnica, enquanto não andarmos a viajar no Espaço, só poderá ser aplicável aos radiotelescópios terrestres (os tais que procuram inteligência em todos os lugares, menos na Terra…😂😂😂!)

Mas a vida não está a correr bem à SETI, e em 1993 chegou mesmo a ficar sem budget para continuar a pesquisa…
Talvez por isso e antecipando esses problemas, em 1977 foi tomada uma decisão arrojada: lançar para o Espaço 2 naves (Voyager 1 e 2) para procurarem vida inteligente até ao infinito… E é justamente aqui que as coisas começam a ficar interessantes. Em primeiro lugar esta sonda tinha um tempo de vida estimado de 4 anos e contudo fez no ano passado 40 anos que continua à procura de sinais de vida inteligentes…
Percebemos quão heróico foram Neil Armstrong, Buzz Aldrin e Michael Collins (este não chegou a pisar a Lua) quando a 20 de Julho de 1969 levaram o módulo lunar Eagle a estacionar na Lua, sendo que os computadores a bordo da Apollo 11 eram milhões de vezes mais fracos do que o actual IPhone X
Em 1977 a tecnologia não era muito melhor…Explica Ed Stone, cientista da NASA, que foi uma oportunidade que se teve que agarrar, uma vez que a cada 176 anos, Júpiter, Saturno, Urano e Neptuno estão alinhados de tal maneira, que uma sonda pode passar por todos eles sem chocar e aproveitando a força gravitacional destes planetas para lançar as sondas no espaço profundo. Assim, esta viagem de “pedra em pedra” durou cerca de 12 anos, quando em circunstâncias normais ela levaria cerca de 30 anos…
Mas tal como no Apollo 11, a tecnologia não era muito melhor. De facto estamos a procurar vida no Espaço à 40 anos, com computadores de navegação que se fossem comparados a um Iphone 6, este teria 240.000 mais memória e 100.000 mais rápido.
Contudo as duas naves continuam “inteiras” e a navegar pelo Espaço até ao infinito, estando a navegar no espaço “interestelar”, e a cerca de 21 mil milhões de km da Terra… Quem quiser saber se estão a navegar de “boa saúde”, pode monitorizá-las aqui, em tempo real!
Devemos monitorizá-las enquanto podemos, até porque a Voyager 1 vai passar a 1,6 anos-luz de distância da estrela AC+79 3888 na Constelação de Ophiuchus dentro de 40.000 anos…

A Voyager vai para longe e leva uma mensagem, nos dois discos de ouro (Voyager Golden Records), que curiosamente são de cobre (e podemos ver aqui como foi feito).

As sondas Voyager levam imagens da Terra, e estas foram as imagens escolhidas:

E enviámos saudações da Terra em 55 línguas: Acádio, Alemão, Amoy, Árabe, Aramaico, Armênio, Bengali, Birmanês, Cantonês, Checo, Coreano, Espanhol, Esperanto, Francês, Galês, Grego Antigo, Gujarati, Hebraico, Hindi, Hitita, Holandês, Húngaro, Ila, Indonésio, Inglês, Italiano, Japonês, Canarês, Latim, Luganda, Mandarim, Marata, Nepalês, Nguni, Nyanja, Oriá, Persa, Polonês, Português, Punjabi, Quéchua, Rajastani, Romeno, Russo, Sérvio, Sinhalese, Soto, Sueco, Sumério, Tailandês, Telugo, Turco, Ucraniano, Urdu, Vietnamita, Wu.

E enviámos também, sons da Terra: o som de um vulcão, de um sismo, de um trovão. Vento, chuva e ondas. Um grilo e um sapo. Pássaros, uma hiena e um elefante. Uma baleia e um chimpanzé. Um cão selvagem, som de passos, da batida do coração e riso. Som das primeiras ferramentas, um cão doméstico, ovelhas, um ferreiro, e uma serra. Um tractor e um berbequim. A buzina de navio, um cavalo e uma carroça. Um comboio, um autocarro e um automóvel. O som de um F-111 e do lançamento do Saturn V. Um beijo e a mãe com o filho. Som de Pulsar (estrela de neutrões, com “efeito farol”).

E mandámos música da Terra. Esta é a selecção:

  • Bach, Brandenburg Concerto No. 2 in F. First Movement, Munich Bach Orchestra, Karl Richter, conductor. 4:40
  • Java, court gamelan, “Kinds of Flowers,” recorded by Robert Brown. 4:43
  • Senegal, percussion, recorded by Charles Duvelle. 2:08
  • Zaire, Pygmy girls’ initiation song, recorded by Colin Turnbull. 0:56
  • Australia, Aborigine songs, “Morning Star” and “Devil Bird,” recorded by Sandra LeBrun Holmes. 1:26
  • Mexico, “El Cascabel,” performed by Lorenzo Barcelata and the Mariachi México. 3:14
  • “Johnny B. Goode,” written and performed by Chuck Berry. 2:38
  • New Guinea, men’s house song, recorded by Robert MacLennan. 1:20
  • Japan, shakuhachi, “Tsuru No Sugomori” (“Crane’s Nest,”) performed by Goro Yamaguchi. 4:51
  • Bach, “Gavotte en rondeaux” from the Partita No. 3 in E major for Violin, performed by Arthur Grumiaux. 2:55
  • Mozart, The Magic Flute, Queen of the Night aria, no. 14. Edda Moser, soprano. Bavarian State Opera, Munich, Wolfgang Sawallisch, conductor. 2:55
  • Georgian S.S.R., chorus, “Tchakrulo,” collected by Radio Moscow. 2:18
  • Peru, panpipes and drum, collected by Casa de la Cultura, Lima. 0:52
  • “Melancholy Blues,” performed by Louis Armstrong and his Hot Seven. 3:05
  • Azerbaijan S.S.R., bagpipes, recorded by Radio Moscow. 2:30
  • Stravinsky, Rite of Spring, Sacrificial Dance, Columbia Symphony Orchestra, Igor Stravinsky, conductor. 4:35
  • Bach, The Well-Tempered Clavier, Book 2, Prelude and Fugue in C, No.1. Glenn Gould, piano. 4:48
  • Beethoven, Fifth Symphony, First Movement, the Philharmonia Orchestra, Otto Klemperer, conductor. 7:20
  • Bulgaria, “Izlel je Delyo Hagdutin,” sung by Valya Balkanska. 4:59
  • Navajo Indians, Night Chant, recorded by Willard Rhodes. 0:57
  • Holborne, Paueans, Galliards, Almains and Other Short Aeirs, “The Fairie Round,” performed by David Munrow and the Early Music Consort of London. 1:17
  • Solomon Islands, panpipes, collected by the Solomon Islands Broadcasting Service. 1:12
  • Peru, wedding song, recorded by John Cohen. 0:38
  • China, ch’in, “Flowing Streams,” performed by Kuan P’ing-hu. 7:37
  • India, raga, “Jaat Kahan Ho,” sung by Surshri Kesar Bai Kerkar. 3:30
  • “Dark Was the Night,” written and performed by Blind Willie Johnson. 3:15
  • Beethoven, String Quartet No. 13 in B flat, Opus 130, Cavatina, performed by Budapest String Quartet. 6:37