O Telescópio Espacial Kepler da NASA monitorizou até ao momento e de forma continua mais de 150.000 estrelas além do nosso sistema solar, tendo oferecido aos cientistas uma variedade de mais de 4.000 exoplanetas candidatos para um estudo mais aprofundado – o milésimo (exoplaneta) dos quais, foi verificado muito recentemente.

O marco milenário foi atingido depois da validação recente de oito candidatos, ou seja a confirmação de que são de facto planetas. Resultando destas observações a equipa do Kepler também adicionou 554 novos candidatos (a aguardar confirmação) seis dos quais são do tamanho da Terra e orbitam na zona habitável das suas estrelas (semelhantes ao nosso sol).

Desses 8 planetas recém validados, 3 estão certamente localizados na “Goldilocks zone”, ou zona habitável, onde a água não se encontra demasiado perto da estrela para evaporar, nem demasiado longe para poder estar congelada, o que é o mesmo que dizer que se nesse planeta houver água, certamente será água líquida, abrindo portanto o caminho para a existência de vida…

Por último, desses 3 planetas, 2 são certamente mundos rochosos como a Terra, sobrando um planeta que parece ser gasoso.

Dois dos planetas recém-validados, Kepler-438b e Kepler-442b, têm menos de 1,5 vezes o diâmetro da Terra. O Kepler-438b, a 475 anos-luz de distância, é 12% maior que a Terra e orbita sua estrela uma vez a cada 35,2 dias. O Kepler-442b, a 1.100 anos-luz de distância, é 33% maior que a Terra e orbita sua estrela uma vez a cada 112 dias.Tanto o Kepler-438b quanto o Kepler-442b orbitam estrelas menores e mais frias que o nosso Sol, tornando a zona habitável mais próxima de sua estrela-mãe, na direção da constelação de Lyra. O artigo com os resultados obtidos nesta pesquisa foi publicado no “The Astrophysical Journal”.

Mas voltando aos 4.000 exoplanetas, apenas cerca de 50 são conhecidos por ocuparem a zona habitável da sua estrela. E destes 50, um planeta destacou-se como sendo o mais provável, fora do nosso sistema solar, para poder apoiar vida “extraterrestre”. É chamado Kepler 452b e tem uma vez e meia o tamanho da Terra. Antes de falarmos sobre este planeta, vamos fazer um balanço…

Se tivéssemos que nomear um “Hall of Fame” para os exoplanetas, teríamos que escolher:

Kepler 438b – Índice de Similaridade com a Terra de 88%, com aptidão para ter vegetação (a Terra tem 72%), este planeta tem 88%, pelo que é superior à Terra. Está a 472,9 anos-luz da Terra;

Gliese 667 Cc – Índice de Similaridade com a Terra de 84%, com aptidão para ter vegetação (a Terra tem 72%), este planeta tem 64%, pelo que é inferior à Terra. Está a 22,18 anos-luz da Terra;

KOI-3010.01 – Índice de Similaridade com a Terra de 84%, com aptidão para ter vegetação (a Terra tem 72%), este planeta tem 63% pelo que é inferior à Terra. Está a 1250 anos-luz da Terra;

Kepler-442b – Índice de Similaridade com a Terra de 83%, com aptidão para ter vegetação (a Terra tem 72%), este planeta tem 98% pelo que é francamente mais apto para ter vegetação do que a Terra. Está a 1115 anos-luz da Terra;

Kepler-62e – Índice de Similaridade com a Terra de 83%, com aptidão para ter vegetação (a Terra tem 72%), este planeta tem 96% pelo que é francamente mais apto para ter vegetação do que a Terra. Está a 1200 anos-luz da Terra;

Gliese 832 c – Índice de Similaridade com a Terra de 81%, com aptidão para ter vegetação (a Terra tem 72%), este planeta tem 96%, pelo que é francamente mais apto do que a Terra para ter vegetação. Está a 16 anos-luz da Terra;

Kepler 452b – Índice de Similaridade com a Terra de 83%, com aptidão para ter vegetação(a Terra tem 72%), este planeta tem 93% pelo que é francamente mais apto para ter vegetação do que a Terra. Está a 1402 anos-luz da Terra.

Kepler 452b

E encontrando-se estes planetas na zona habitável, a possibilidade de terem água líquida é bastante grande…

Do grupo dos famosos, há contudo um deles onde a possibilidade de se encontrar vida é muito elevada: o Kepler 452b. Este exoplaneta tem 1,5 o tamanho da Terra e as más notícias é que está a 1.400 anos-luz de distância. Quando foi descoberto em 2015, foi apelidado de primo da Terra por ter atmosfera espessa, água superficial líquida e vulcões ativos.

Verdadeiramente faz falta também, um cálculo exacto da zona de abiogénese, ou seja a zona onde o nível de luz ultravioleta é certo para estimular as reações químicas que podem levar ao início da vida, e não extinguir a possibilidade de vida. Isto é o mesmo que dizer que precisamos dos dados dos Telescópios TESS e  do futuro James Webb, da NASA, apontados para aqui, que são os únicos capazes de validar estes dados.

Com tão boas notícias era bom podermos visitar este exoplaneta… Confirmar pelos nossos olhos que efectivamente existe vida, e até mais vida do que na Terra… Para termos noção da dificuldade desta tarefa, tomemos como exemplo a sonda não-tripulada da NASA “New Horizons”.

Esta sonda foi lançada a 19 de Janeiro de 2006, com o objectivo de sobrevoar Plutão, algo que conseguiu a 14 de julho de 2015, após cerca de nove anos e meio de viagem pelo nosso sistema solar. A sonda New Horizons navegou durante 7.5 bilhões de Km até Plutão a uma velocidade de 16,26 km por segundo ou se quisermos a 58 536 km por hora… E demorou 9 anos e meio…

Se quiséssemos enviar a New Horizons até ao Kepler 452b, quanto tempo demoraria? Bom, para percorrer 1400 anos luz, a uma velocidade arredondada de 59.000 Km por hora, a sonda Horizons demoraria 26 milhões de anos. Sensivelmente o mesmo tempo em que apareceram os primeiros mamíferos, logo após a extinção dos dinossauros, até aos dias de hoje… Ou seja, desde o Oligoceno até ao tempo presente…

Viajar em Hiperespaço (tecnologia essa, que como sabemos, ainda não conseguimos desenvolver), á velocidade da luz ou superior a ela, também não ajuda: demoraríamos 1400 anos… Nenhum homem vive tanto tempo, e a tecnologia ainda não foi inventada.

Para que pudéssemos visitar Kepler 452b, precisaríamos de outro “breakthrough” na ciência, e que era descobrir que os hipotéticos “Wormholes” efectivamente existem… E depois saber onde estão, e como os utilizar!

Uma coisa é certa: é virtualmente impossível chegar até Kepler 452b! Precisamos de encontrar uma super-Terra mais próxima de nós. Ou então…

Ou então ter outro “breakthrough” científico: Em 1995 o Hubble Space Telescope detectou “pequenas galáxias” a deslocarem-se a no sentido oposto à Terra, a uma velocidade superior à velocidade da Luz. A Nasa não deu grandes explicações para o assunto, à parte da estranheza em haverem “galáxias em deslocação”, e logo a esta velocidade…

O pequeno vídeo de explicação sobre as 2500 “galáxias” viajantes, está aqui:

E não foi um evento isolado… Já por outras vezes o Hubble detectou feixes de luz que viajavam até 5 vezes a velocidade da luz

Ora em teoria, se é possível a “pequenas galáxias” viajarem à velocidade da Luz dentro da nossa galáxia (a Via Láctea), hipoteticamente também os artefactos humanos conseguiram fazer o mesmo. Até podermos visitar estes exoplanetas, a tecnologia terá que desenvolver novas formas de viajar no espaço…

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