Mineração de asteróides

O nosso sistema solar não tem escassez de asteróides aliás, na última contagem a NASA estimou que havia 781.545 corpos rochosos a orbitar o nosso Sol (e estes são apenas os conhecidos)

Aliás, só desde 2009 detectamos a menos de 30 milhões de milhas cerca de 8.000 asteróides. Estes “end-game” asteróides (que são os que têm pelo menos 140 metros), serão apenas um terço dos cerca de 25.000 que rodam a Terra, sendo que portanto cerca de 17.000 continuam por ser detectados (segundo os dados do “Future In-Space Operations” da NASA).

Para além disso temos uma zona no nosso sistema solar bastante rica nesses corpos.  Chamamos-lhe a Cintura de Asteróides e está situada entre Marte e Júpiter…

Na presente data não estamos muito preocupados com os asteróides. Bom, a menos que algum deles se dirija para a Terra ou possa ameaçar uma das nossas naves espaciais…

São os asteróides um fonte de riqueza?

Mas há um lado mais atractivo na questão dos asteróides. É que eles são autenticamente dinheiro à espera de ser “minerado”. Por isso a Universidade do Colorado iniciou já um programa universitário para auxiliar a mais importante área económica, no futuro….

Esta universidade lançou o primeiro programa de extracção de recursos espaciais do mundo, uma vez que os asteróides são enriquecidos com matérias-primas valiosas, como o ouro, prata, cobalto e titânio, entre muitos outros…

Para dar um exemplo, um único asteróide descoberto em 1852 (o 16 Psyche) continha cerca de 10.000 quatrilhões de dólares em ferro. Se extraíssemos todos os materiais dos asteróides na Cintura de Asteróides (entre Marte e Júpiter), a NASA acredita que poderíamos dar a cada humano na Terra US $ 100 bilhões (de dólares). Vale a pena lembrar que o negócio do Ferro no planeta Terra gera apenas 78 triliões globalmente, pelo que se fosse possível trazer á Terra o produto “minerado”, apenas este asteróide colapsaria a nossa Economia…

Portanto é mais fácil dizer-se pura e simplesmente que a sobrevivência e futuro da Humanidade no Espaço depende quase exclusivamente da Mineração dos corpos celestes, com os asteróides à cabeça!

Conseguimos fazer mineração de asteróides com a tecnologia actual?

Sim, conseguimos. Um ex-cientista da NASA que é actualmente professor na University of Central Florida, o Dr. Phill Metzer, apresentou uma proposta esclarecendo que a mineração de asteróides é possível com a tecnologia actual, e tinha até bastantes vantagens para o nosso planeta (ver proposta). A Revista Fortune aliás escreveu sobre isso.

Há também outros sinais de que esta é a profissão do futuro. Por exemplo o Luxemburgo já estabeleceu um fundo de 200 milhões para apostar na mineração espacial, como nos informou a Reuters. E a ideia deste fundo de investimento é o Luxemburgo assumir-se como uma espécie de “Silicon Valley” dos recursos espaciais…

Mineração de asteróides
Credits: Emily Lakdawalla (montagem de alguns corpos que estarão na mira de companhias espaciais)

Para falar verdade, este investimento do Luxemburgo irá benificiar em primeiro lugar duas grandes empresas norte-americanas: A Deep Space Industries e a Planetary Resources, porque apoia um programa a 3 anos de preparação para a Mineração Espacial. Só que depois disso o Fundo Luxemburguês estará no centro da acção…

Para além disso, o Luxemburgo tem estado a trabalhar em legislação que torne legal a extração de materiais da Lua, asteróides e outros corpos celestes, o que aliás vai de encontro àquilo que os Estados Unidos já fizeram

Será este “U.S. Commercial Space Launch Competitiveness Act“, que vai determinar a riqueza dos monopólios do futuro, e que vai condicionar a acção de todas as outras nações, com a Europa mais uma vez a “perder o comboio” para quem se antecipou…

Existem actualmente um número razoável de empresas privadas e agências governamentais a posicionarem-se no terreno… O seu objectivo é poder apanhar dentro em breve (muito breve), a maior fatia do bolo da área de “mineração espacial”…

E portanto tem sentido começar a tirar já este curso?

O novo programa de recursos espaciais da Colorado School of Mines, é um programa para os Pioneiros. De acordo com o site da universidade, o objectivo é preparar os cientistas, engenheiros, empresários, economistas e legisladores para os empregos na florescente indústria de recursos espaciais, que vai dominar a totalidade da Economia Mundial dentro em breve.

A Colorado School of Mines está a oferecer aos potenciais alunos a escolha de um certificado de pós-bacharelado, mestrado ou doutoramento, todos focados na “exploração, extração e uso de recursos [espaciais]”.

Ainda no site da Escola, fica claro que o programa é bastante vasto. Citando, “O amplo tema dos recursos espaciais reúne muitos campos em que a School of Mines tem forte presença. Neles inclui-se a detecção remota, geo-mecânica, mineração, materiais e metalurgia. E também robótica e automação, manufactura avançada, eletroquímica, energia solar e nuclear e economia de recursos”.

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Image Credits: Olhar Digital.br