hype

São interpretações que soam a hipérbole, mas são sustentadas por análise dura. A Gartner, empresa especializada em investigação sobre novas tecnologias, publicou o seu Hype Cycle anual para tecnologias emergentes. Este é um documento resultante do estudo do estado da arte e impactos de mais de duas mil tecnologias inovadoras em diferentes estádios de desenvolvimento, muitas delas ainda longe de chegar aos mercados e utilizadores. Para o Hype Cycle de 2018, foram selecionadas trinta e cinco, que de acordo com os analistas transpõem as fronteiras entre o humano e o artificial, apontando para uma simbiose profunda entre homem-máquina.

Os analistas caracterizam-nas em cinco tendências, que aglutinam tecnologias emergentes em diversos estádios de desenvolvimento. Cada uma é assinalada numa posição da curva do ciclo Gartner, um gráfico que mapeia a evolução de tecnologias emergentes desde o seu desenvolvimento inicial até à maturação em produtos de mercado e ferramentas normalizadas na sociedade. Estas análises refletem perspetivas tecnológicas destinadas a auxiliar processos de decisão no empreendedorismo, pesquisa e investigação, desenvolvimento de produtos, estratégias de negócio e investimento. O seu foco está no antever que tecnologias inovadoras serão capazes de fornecer elevados graus de competitividade num horizonte temporal entre cinco a dez anos.

Cinco Tendências de Tecnologia Emergente Analisadas pela GartnerHype

Acessibilidade da Inteligência Artificial: Para os analistas da Gartner, uma das tendências com maior afirmação a curto prazo é o que apelidam de democratização da Inteligência Artificial. Esta tendência está a tornar-se possível graças à combinação de tecnologias como a computação em nuvem, que liberta os utilizadores de investir em infraestrutura dedicada para correr aplicações de Inteligência Artificial, e os esforços das comunidades maker e Open Source, pelo seu papel no uso criativo e inovador. Esta tendência é dominada por tecnologias como Plataformas de IA como Serviço, Inteligência Artificial Generalista, Veículos Autónomos, Robots Autónomos, Drones Autónomos, Redes Neurais, Plataformas Conversais de IA, Robots Inteligentes e Assistentes Virtuais.

Ecossistemas Digitais: Esta tendência aponta para uma evolução dos sistemas técnicos compartimentalizados para plataformas de base, capazes de gerar novos modelos de negócio. Exemplos são as aplicações das tecnologias Blockchain, Internet of Things ou Grafos de conhecimento. Estes ecossistemas tiram partido da combinação de volumes de dados, poder de computação e plataformas que potenciam ubiquidade para gerar novos produtos digitais.

Biohacking DIY: Tecnologias como biochips, tecidos artificiais, interfaces cérebro-computador, realidade aumentada e mista, ou tecidos inteligentes irão possibilitar estas tendências transhumanistas. Estas tecnologias, individualmente ou combinadas, permitem manipular a biologia de diferentes formas, entre a aumentação utilizando meios tecnológicos, nutrição e genética, biologia experimental ou o mais arriscado biohacking.

Experiências Imersivas Transparentes: A computação irá estar cada vez mais embebida nos espaços que utilizamos, através da interação com inúmeros dispositivos computacionais que desempenham tarefas especificas. Casas inteligentes, escritórios inteligentes, sistemas de auto-reparação, ecrãs volumétricos, impressão 4D são algumas das tecnologias que estão a relegar a computação para o pano de fundo dos espaços onde vivemos e trabalhamos.

Infraestruturas ubíquas: A computação em nuvem possibilita às organizações tirar partido de infraestruturas digitais de usabilidade ilimitada, sempre disponíveis para os utilizadores. Estas são possibilitadas pelo desenvolvimento de tecnologias como os protocolos 5G, nanotubos de carbono, e circuitos integrados para aplicações específicas de redes neurais.

Gartner Hype Cycle: Como Funciona?

O Hype Cycle reflete a análise feita por especialistas da Gartner a tecnologias emergentes, num gráfico que escreve a evolução das tecnologias de ponta desde o momento em que se fazem sentir na consciência colectiva até se integrarem no dia a dia das economias e indivíduos. Estas curvas de crescimento são um conceito interessante, apesar de não ser muito claro em que critérios se baseiam. Sendo uma empresa privada de análise tecnológica, não mostra nas publicações públicas critérios que explicitem as metodologias utilizadas para determinar o ponto de localização das tecnologias estudadas no seu gráfico.

O Hype Cicle é definido por cinco fases. A primeira é a Innovation Trigger, o momento em que uma nova tecnologia começa a despertar as atenções, com protótipos, provas de conceito e aplicações incipientes, embora sem aplicações comerciais imediatas ou a médio prazo. Segue-se o Peak of Inflated Expectations, que descreve o momento em que uma tecnologia emergente desperta o interesse mediático, com sucessos e falhanços que sublinham a promessa de futuras utilizações altamente inovadoras.

O Trough of Disillusionment descreve momentos de queda, quando as aplicações não parecem corresponder ao interesse despertado, com experiências e implementações a não cumprir o prometido. É o momento em que grande parte dos que investiram nestas tecnologias desistem, e estas só sobrevivem se alguns continuarem a manter o desenvolvimento de aplicações a médio prazo.

Na Slope of Enlightenment mostra-se o progresso pouco visível de uma tecnologia emergente até à maturidade, com o seu desenvolvimento progressivo. Finaliza no Plateau of Productivity, que descreve o momento em que as tecnologias emergentes se normalizam, integrando-se na economia e sociedade, tornando-se ubíquas e bem desenvolvidas em grande número de aplicações ou até infraestruturais.

hype cycleDescrever Atitudes Perante Inovação

Esta curva desenvolvida pelos analistas da Gartner descreve bem o evoluir das tecnologias de ponta do surgimento até à integração. O pico das expetativas traduz especialmente bem aquele factor wow! quando uma tecnologia inovadora desperta o interesse, que depressa se traduz em desilusão perante a falta de aplicações práticas a curto prazo mas que culmina inevitavelmente na integração da tecnologia a médio e longo prazo.

Retrata, assim, as atitudes que temos perante a inovação. Quando uma nova tecnologia nos desperta a atenção entra no que apelidam de período de grandes expectativas. Todos sentimos isso, aquela curiosidade fervilhante sobre o potencial de algo realmente novo. Quando refletimos sobre o para que é que a inovação nos serve, as expectativas caem, e entram em acção aqueles que estão mais interessados no desenvolvimento a longo prazo das aplicações possíveis. Estas, lentamente, vão penetrando nos mercados e consciências. É este o momento em que as tecnologias promissoras e futuristas começam, realmente, a modelar o futuro. O ciclo de onda aplica-se bem à forma como nos apercebemos que novas tecnologias se tornam tão integrados no nosso dia a dia que nem damos pela novidade da sua existência.

Intrigado sobre como as tecnologias emergentes afetarão as nossas vidas a curto prazo? Leia alguns dos nossos artigos sobre estas temáticas: Think Tank estima a perda de um milhão de empregos para AI, em Hong Kong ou Salvar Vidas na Medicina usando Inteligência Artificial. E num futuro próximo.