robot robô abelhas

A conjugação crítica da agricultura intensiva com recurso a pesticidas e a disrupção dos ecossistemas trazida pelas alterações climáticas estão a colocar as abelhas em perigo. A possibilidade de extinção desta espécie é muito real. Biólogos, apicultores e agricultores reportam a diminuição dos números destes insetos, que desempenham um papel fundamental na natureza. O desenvolvimento de abelhas robot pode ajudar nesta problemática.

Abelhas Robot: Solução de Polinização Artificial

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A redução dos enxames tem um impacto direto nos ecossistemas globais. Se os apicultores vêem ameaçada a produção de mel, os danos na agricultura são potencialmente devastadores. Estes insetos são um elemento fundamental na reprodução das plantas, através da polinização. Sem abelhas, as espécies vegetais não se reproduzem. As consequências na agricultura são potencialmente catastróficas. Leva à diminuição nas colheitas, podendo dar origem a crises alimentares.

Uma possível solução para este problema recorre à robótica. Alguns projetos tentam desenvolver drones capazes de preencher o nicho ecológico deixado vazio pelas ameaças sobre as abelhas. Jornalistas russos observam que o núcleo de robótica da Universidade Politécnica de Tomsk planeia, em 2019, lançar um projeto de criação de abelhas robot.

Estes mecanismos estarão na confluência da robótica, algoritmos de polinização artificial, sistemas óticos e métodos de reconhecimento digital de imagens. Estima-se que estas abelhas robóticas terão um tamanho sete vezes superior ao das biológicas, e serão utilizadas nos espaços fechados das estufas para polinizar as colheitas.

Drones e Libelinhas: Robótica ao Serviço da Natureza

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Este projeto russo junta-se a outros que desenvolvem tecnologia similar. Ressalvamos que o website do Politécnico de Tomsk não faz ainda referência a este projeto de desenvolvimento de abelhas robot. Não parecem existir, também, artigos relevantes nos repositórios de informação académica.

No entanto, o potencial da robótica na remediação deste problema causado pelo aquecimento global não passou despercebido aos investigadores na área. No Japão, a equipa de investigadores de Eijiro Miyako no Instituto Avançado de Tecnologia e Ciência Industrial, adaptou pequenos drones de consumo com velcro para desempenhar uma função similar à da polinização biológica.

Um projeto mais arrojado é o DragonflEye da Draper, uma empresa dedicada ao desenvolvimento de tecnologias. Combinando miniaturização com biologia sintética e neurotecnologia, utiliza libelinhas cujos padrões de voo são direcionados pelo sistema. As aplicações militares deste tipo de voo direcionado, controlado por algoritmos, de insetos incorporando robótica também tem potencial são óbvias. Os investigadores também apontam o seu potencial na polinização.

Antevendo o potencial na propriedade intelectual ligada ao desenvolvimento destas tecnologias, a Walmart apresentou uma patente sobre polinização com abelhas robóticas.robot robô abelhas

Soluções Robóticas num Mundo Afetado pelas Alterações Climáticas

Estas tecnologias ainda se encontram nos estádios iniciais de desenvolvimento. Combinando robótica com inteligência artificial e manipulação biológica, podem tornar-se a resposta para um problema complexo. A possibilidade de extinção das abelhas tem impactos diretos na sustentabilidade dos ecossistemas e na produção global de alimentos. Robots não são a solução ótima, mas podem minorar algo que ameaça a sobrevivência humana como resultado do aquecimento global.

Se isto vos parecer muito similar a um episódio da série Black Mirror, não estão errados. Charlie Brooker, o argumentista, utilizou este conceito para imaginar no episódio Hated in the Nation um cenário de ciberguerra. Nele, enxames de abelhas robot criadas para polinizar os campos são manipuladas como arma de assassinatos seletivos. Mostra que quem está atento à ciência e tecnologia, pode extrapolar possibilidades intrigantes.

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Interessado no potencial da robótica? Leia o nosso artigo sobre Robots-polícia vão começar a integrar as Forças de Segurança de todo o mundo.

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Professor de TIC e coordenador PTE no AEVP onde dinamiza os projetos As TIC em 3D, LCD - Clube de Robótica; Fab@rts: o 3D nas Mãos da Educação, distinguido com prémio de mérito da Rede de Bibliotecas Escolares. Distinguido com o prémio Inclusão e Literacia Digital em 2016 (FCT/Rede TIC e Sociedade). Licenciado em ensino de Educação Visual e Tecnológica, Mestre em Informática Educacional pela Universidade Católica Portuguesa. Correntemente, frequenta pós-graduação em Programação e Robótica na Educação pelo Instituto de Educação da Universidade de Lisboa. Tutor online na Universidade Aberta. Formador especializado em introdução à modelação e impressão 3D em contextos educacionais na ANPRI (Associação Nacional de Professores de Informática) e CFAERC. Co-criador do projeto de robótica educativa open source de baixo custo Robot Anprino. Colaborador do fablab Lab Aberto, em Torres Vedras. O seu mais recente projeto é ser um dos coordenadores do concurso 3Digital, que estimula a utilização de tecnologias 3D com alunos do ensino básico e secundário.