telescópio espacial kepler
O Telescópio Espacial Kepler da NASA é um observatório espacial concebido principalmente para procurar planetas extrassolares, ou fora do nosso sistema solar. Este telescópio espacial foi lançado a 6 de Março de 2009 e a sua missão foi evoluindo por força das cirscunstâncias para algo muito ambicioso… O Kepler abandonou a órbita da Terra, perseguindo a órbita do Sol, para evitar luzes de interferência e observar zonas “escondidas” fora do nosso sistema solar, e por causa das suas avarias…. 
Desde cedo o telescópio Kepler descobriu milhares de exoplanetas (planetas extrassolares), sendo que a prioridade é descobrir planetas dentro da zona habitável (Goldilocks zone) em relação à estrela que orbitam (onde exista água líquida), a fim de se poder descobrir vida extraterrestre. A maioria das descobertas do Kepler foram exoplanetas na região da constelação de Cygnus, para a qual o Kepler foi apontado durante os primeiros quatro anos de sua missão.

O Telescópio Kepler é uma “máquina” de descobrir exoplanetastelescopio espacial

Actualmente e na contagem efectuada em Março de 2018, o Kepler descobriu 2.342 planetas confirmados fora do nosso sistema solar. E ainda podemos adicionar os “candidatos potenciais”, que aguardam confirmação de se tratarem efectivamente de planetas, pelo que a identificação de “mundos” feita pelo Kepler vai em 4.587…

No geral a missão Kepler tem estado a correr muito bem… Mas há alguns problemas…

O Kepler não está actualmente a operar na sua função primária porque apareceu um defeito no seu giroscópico, defeito esse que se manifestou em Maio de 2013. Depois disso a NASA anunciou a 15 de Agosto de 2013 que tinha desistido de tentar consertar as duas rodas de equilibro que falharam, e que mantinham a “mira’ e alinhamento de observação do telescópio.

A missão continuou contudo a funcionar para além da data programada e com a avaria, obrigando os cientistas a criar uma missão K2 na qual o Kepler se posicionava por zonas no Espaço. Isto foi conseguido porque foi encontrada uma solução para a avaria.

Mesmo estando longe, arranjou-se uma solução…telescopio espacial

O conjunto de reuniões que levou à criação da missão K2 do Kepler foram bastante tensos. Os cientistas rodearam a tela de telemetria durante dias (que permite monitorizar e rastrear um objecto a grande distância usando tecnologia sem fios), e começaram a receber os dados do telescópio que se encontrava a 50 milhões de quilómetros de distância na altura, e avariado… E o Kepler custou 600 milhões de dólares americanos…

Assim, no final de Agosto de 2013, um grupo de cerca de cinco funcionários da Ball Aerospace, em Boulder, Colorado, esperava que o telescópio espacial Kepler da NASA revelasse se viveria ou morreria. Esta avaria era grave porque tinha tirado ao Kepler a capacidade de ficar apontado para um alvo, sem se desviar do seu curso.
A solução inventada pelos engenheiros que operavam o Kepler foi passar a usar a “gravidade do SOL/vento solar” como a “terceira roda” de equilíbrio, o que voltou a colocar o Kepler na busca por exoplanetas, mas também na descoberta de estrelas jovens e evoluções eventuais para Supernovas. Recorde-se que as Supernovas são eventos astronómicos que ocorrem durante os estágios finais da evolução de algumas estrelas, e que são caracterizadas por uma explosão muito brilhante. Têm uma duração curta, de dias, semanas ou meses, mas são autênticas velas no céu. Têm a capacidade de iluminar zonas que permaneciam no escuro, e graças a essa luminosidade libertada funcionam como lanternas apontadas para objectos distantes. Na verdade, até como lanternas muito potentes, uma vez que o seu brilho pode intensificar-se até 1 bilhão de vezes o seu brilho original.

A missão do Kepler vai acabar? O que se passa?

telescopio espacial
Mas voltemos ao Kepler, que tem 4,7 metros de comprimento e 2,7 metros de diâmetro, 950 Kg de peso e está avariado… Será que a solução da “terceira roda” resultou? Bom, foi graças à “terceira roda” que entre Dezembro de 2016 e Março de 2017 foi descoberto Trappist-1. Essa descoberta permitiu a Ian Crossfield, astrónomo da Universidade do Arizona, durante o encontro anual da Sociedade Astronómica Americana, anunciar que tinham sido descobertos 7 planetas como a Terra no sistema de Trappist-1, sendo que três deles estavam a orbitar a zona habitável… E desde aí que tem havido uma enorme excitação por parte do SETI Institute, por serem mundos possivelmente habitáveis…
O problema é que para um telescópio que estava a dar tanta informação e tão útil, as más notícias parecem não acabar. De facto a NASA informou a meio de Julho, que este observatório espacial entrou em modo de segurança… O Kepler está a ficar sem propulsor porque tem pouco combustível, e a sua missão poderá estar a aproximar-se do fim…

E chegou o comunicado da NASA…

Assim, a 24 de Agosto e num breve comunicado, a NASA explicou que o Kepler entrou em modo de suspensão, para poder conservar o combustível, após ter transmitido os dados compilados pela sua última missão de observação, que se realizou no início do mês. E fez isto pela segunda vez (tendo a primeira sido a 2 de Julho). Segundo a NASA, não é claro quanto combustível ainda existe a bordo, pelo que se está a avaliar quais os próximos passos… A NASA estava convencida que ainda seria possível o Kepler iniciar a próxima rodada de observações, conhecida como “Campanha 19”. A Campanha 19 não chegou a começar, tendo as observações de dados transmitidos ficado pela “Campanha 18”.
Quando acabar o seu combustível, o Kepler foi desenhado para “expulsar” os restos que sobrarem (não suficientes para o operar), encerrando assim a sua missão.
Tem sido um factor de limitação para a acção deste telescópio a impossibilidade de o abastecer com hidrazina ou “N2H4” (o combustível que utiliza, e que é um liquido com propriedades muito semelhantes ao amoníaco).
E quando a Hidrazina acabar, o Kepler vai pura e simplesmente parar de poder apontar com precisão para os locais desejados, o que é o mesmo que dizer que encerra a sua missão.

O que se pode ainda esperar do Kepler?

Como os dados do Kepler são enviados para cientistas de todo o mundo, e para diversas agências e universidades, a sua perda representa o esgotar de uma preciosa fonte de informação.
Por outro lado o Kepler não representa perigo ao ficar a navegar á deriva, uma vez que ao seguir uma rota heliocêntrica, não corre o risco de fazer uma súbita reentrada na atmosfera e colidir com a Terra.
Charlie Sobeck que realiza podcasts da NASA e é engenheiro de sistemas do Kepler, explicou que presentemente se está a pensar como retirar o máximo do Kepler, no sentido de se beneficiar a Ciência, até que ele chegue ao seu “descanso final”!
Por outro lado, da mesma forma como uns observatórios vão chegando ao fim das suas missões, outros vão voando para o Espaço, e outros vão sendo construídos…. O fim do Kepler é uma pena, mas outros telescópios mais potentes estão “na calha”!
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Uma sugestão: Vale muito a pena ver este documentário sobre o Kepler, para perceber melhor o que está em jogo:

Nota: E aceite a sugestão do Bit2Geek e leia o nosso artigo Asteróides: NASA fez um filme para explicar como a nossa segurança piorou e muito!

Image Credits by NASA JPL