seer robot

É uma nova fronteira da robótica, o criar robots capazes de interagir com humanos de forma realista. O projeto SEER é um robot que demonstra técnicas de simulação de emoções através da representação de expressões faciais e manutenção de contato ocular com interlocutores. Esta tecnologia mostrada no SIGGRAPH é mais um passo no desenvolvimento de sistemas realistas de interação entre homem-máquina.

SEER: O Robot que nos Contempla

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Está a visitar uma feira dedicada à robótica e efeitos especiais. Ao passar pela cabeça incorpórea de um robot, ele parece olhar para si com uma expressão intensa. Afasta-se e olha novamente. O robot continua a olhar, com o que parece ser mesmo expressão. É desconcertante. Segue-o com o olhar, com um rosto que parece transmitir emoções. Mas é só um robot, certo?

O SEER, Simulative Emotional Expression Robot, é um projeto do artista e investigador em robótica Takayuki Todo. Expressa investigações no olhar e expressões faciais humanas, simulando-as com mecanismos. O robot é capaz de focar o seu olhar, e com sensores rastrear os olhos seguindo a direção em que se move o seu interlocutor.

Com funções de rastreamento e dispositivos que movem lábios e sobrancelhas, o SEER é capaz de simular uma grande quantidade de emoções. O objetivo deste projeto não é mostrar que um robot sentirá emoções, mas sim desenvolver sistemas de representação de expressões. Este tipo de sistema pode potenciar a interação ente humanos e robots, melhorando a comunicação com pistas não verbais.

Como o próprio Todo se questiona, poderemos perguntar-nos se com robots capazes de simular uma grande gama de emoções através de expressões faciais, se iremos considerar essas emoções com reais. No entanto, a aplicabilidade deste sistema é utilitária. Sistemas de interatividade direta, robótica afetiva ou interação homem-máquina tiram partido desta tecnologia.

Simulação Realista de Emoções e Interatividade

Robots com capacidade de simulação realista de expressões faciais pode ser utilizados como recepcionistas. O apoio a crianças autistas é outra área de aplicação, para aprendizagem de emoções em ambiente seguro para a criança e desenvolvimento de empatia. Podem também ser utilizados em sistemas de conforto para idosos, que não pretendem substituir o contato humano, mas ser ferramentas de incentivo ao bem estar psicológico. Operadores de avatares tele-operados poderão ter uma melhoria na comunicação com colaboradores à distância. A capacidade de imitar emoções não passará despercebida a quem desenvolve robots para desempenhar funções sexuais.

Por enquanto, este projeto funciona em dois modos: imitativo ou contato ocular. No primeiro, os algoritmos desenvolvidos pela equipa de investigação analisam a expressão do interlocutor e aplicam-na no rosto do robot. Essencialmente, imita em tempo real as nossas expressões ao interagir com a máquina, com movimentos das sobrancelhas, pálpebras e posição da cabeça.

Em contato ocular, o robot esforça-se por manter o olhar sobre o seu interlocutor. Apesar do sistema estar longe de fazer uma simulação perfeita, quem interage desenvolve sentimentos de empatia com o mecanismo. Esta pode ser atribuída ao aspeto infantil do rosto e os olhos de aspeto realista.

Estreia no SIGGRAPH

Apesar das aplicações desta tecnologia na robótica afetiva e interação homem-máquina, o SEER é um projeto artístico. Integrou os projetos de desenvolvimento de tecnologias de ponta nos domínios do audiovisual, imagem digital, 3D, realidade virtual e aumentada, efeitos especiais e robótica demonstrados na edição de 2018 do SIGGRAPH.

Organizado pela Association for Computing Machinery, o SIGGRAPH, Special Interest Group on Computer GRAPHics and Interactive Techniques, é a maior conferência mundial sobre computação gráfica. Desde 1974 que é o evento onde as tecnologias de ponta mais avançadas nestes domínios são demonstradas. Boa parte delas está ainda em estado de protótipo ou prova de conceito científica nas áreas da computação. A edição de 2018 decorre em agosto, na cidade canadiana de Vancouver.

Apesar do elevado realismo do SEER, ainda não é um sistema capaz de simular expressões na perfeição. No entanto, este é um dos caminhos de investigação em robótica. Num futuro próximo, poderemos dispor de robots capazes de simular emoções de forma tão realista que nos poderemos questionar se, de fato, estas máquinas não serão capazes de sentir. É um processo de antropormofização que já fazemos com animais, atribuindo sentimentos e emoções humanas aos seus comportamentos.

A robótica está a transformar o nosso mundo. Leia o artigo sobre “Robots” já começaram a substituir os humanos, nos supermercados.

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Professor de TIC e coordenador PTE no AEVP onde dinamiza os projetos As TIC em 3D, LCD - Clube de Robótica; Fab@rts: o 3D nas Mãos da Educação, distinguido com prémio de mérito da Rede de Bibliotecas Escolares. Distinguido com o prémio Inclusão e Literacia Digital em 2016 (FCT/Rede TIC e Sociedade). Licenciado em ensino de Educação Visual e Tecnológica, Mestre em Informática Educacional pela Universidade Católica Portuguesa. Correntemente, frequenta pós-graduação em Programação e Robótica na Educação pelo Instituto de Educação da Universidade de Lisboa. Tutor online na Universidade Aberta. Formador especializado em introdução à modelação e impressão 3D em contextos educacionais na ANPRI (Associação Nacional de Professores de Informática) e CFAERC. Co-criador do projeto de robótica educativa open source de baixo custo Robot Anprino. Colaborador do fablab Lab Aberto, em Torres Vedras. O seu mais recente projeto é ser um dos coordenadores do concurso 3Digital, que estimula a utilização de tecnologias 3D com alunos do ensino básico e secundário.