O Mars Ice House é o projeto vencedor do Desafio Centenário da NASA de 2015, para um habitat impresso em 3D. O conceito tem como objectivo servir de habitação para os futuros colonos humanos em Marte. O coletivo de arquitetura e pesquisa espacial SEArch + e Clouds AO criou este projeto vencedor, que permite que os seres humanos que habitem dentro destas cúpulas, tenham uma sensação de “awareness” sobre o que se passa no ambiente exterior, bem como permita defender-se das condições extremas do Planeta Vermelho.

A MARS ICE HOUSE:

Foram recriadas as marcas de um veículo de superfície, ainda frescas e deixando um rasto de poeira vermelha em Marte. Representado está também o veículo que se dirige para a Mars Ice House, que foi concebida para o albergar. Á distância dois astronautas podem ser vistos junto á estrutura.

Plano translúcido que realça como a Mars Ice House permite a entrada de luz e ajudando a que os habitantes no interior sintam uma ligação ao ambiente externo.

Essas ilustrações mostram o layout da Mars Ice House e o seu slicing camadas, uma vez que é uma habitação “printable”.

A casa impressa em 3D foi concebida para albergar um laboratório para os primeiros colonos, uma biblioteca/escritório, uma estufa vertical e até mesmo um pátio (também descrito como uma zona intermediária de contenção).

Plano transversal seccionado da Casa de Gelo de Marte. Esta estrutura em camadas foi projetada não apenas para ser um espaço funcional para os futuros colonos humanos no Planeta Vermelho, mas também para os ligar ao ambiente externo.

Esta montagem ilustra dois colonos humanos em Marte percorrendo a superfície do Planeta Vermelho a pé. A Casa de Gelo de Marte pode ser vista ao longe encobrindo o Sol, e junto a ela está um veículo de exploração, cujas trilhas são visíveis na poeira vermelha de Marte.

Construída em Aerogel…

Esta imagem mostra a casa de gelo de Marte iluminada à noite, na superfície marciana. De facto é um principio de noite ou final de tarde, já que pelas condições atmosféricas o céu é vermelho em Marte durante o dia, e ao final da tarde e principio da noite passa a ser azul (ao contrário do que se passa na Terra).

A água é o material primário usado no design dessa estrutura única, que é sustentada juntamente com a utilização de outros materiais, numa solução a que chamamos aerogel (ver vídeo sobre o aerogel).

O exterior semi-translúcido da Casa de Gelo de Marte protege o “coração” interno da estrutura, onde todos os alojamentos estão localizados. Este design exclusivo e o uso de água protegerão os seres humanos da radiação prejudicial existente na superfície de Marte.

O Mars Ice Home possui jardins verticais (e estão incluídos numa lógica de sustentabilidade dos habitantes). Este tipo de arquitectura foi pensado para ter um caracter protector em todos os âmbitos.

A água foi escolhida como material primário não só porque poderia ser integrada para ajudar a proteger contra a radiação, mas também porque foi previamente indicado que existisse água em grandes quantidades, e distribuída por todo o planeta Marte.

A impressão 3D com gelo apresentará desafios únicos para a equipe da Mars Ice House. A equipe responsável pelo design rodeou-se de consultores científicos, astrofísicos, geólogos, engenheiros estruturais e especialistas em impressão 3D para concluir o projeto.

3D Printable e anti-radiação…

Um dos maiores desafios que os futuros astronautas enfrentarão na superfície de Marte será a radiação. Os seus efeitos potencialmente letais foram uma preocupação constante no design desta habitação. Segundo a equipa que projectou a Casa de Gelo de Marte, a estrutura em camadas impressas em 3D, à base de água gelada, servirá de escudo contra a radiação (conforme mostra o plano).

Na construção da Mars Ice House, que é seccionada em camadas de gelo, a fiabilidade da estrutura carece que o gelo não seja o único componente: Por isso, e para que se dê consistência ao gelo, são incluídos componentes encontrados em Marte numa mistura com base de dióxido de carbono e oxigénio, bem como outros componentes da atmosfera de Marte… O resultado do “cozinhado”, permitirá chegar a um material mais resistente, mantendo as características do gelo: o aerogel.

A inclusão de plantas no “coração” da estrutura, foi pensada para auxiliar á produção de oxigênio para os residentes humanos (conforme mostra a imagem seguinte).

A Mars Ice House foi também desenhada para ser pressurizada, para manter sua estrutura e também evitar que o gelo possa evaporar.

Na Mars Ice House, o aerogel ajudará a isolar o “coração” interno, onde as plantas crescerão e os humanos irão residir. Este coração interno da habitação foi desenhado para conseguir conservar o calor.

Aceite a sugestão do Bit2Geek e leia Cianobactérias: o segredo para os humanos respirarem em Marte

 

IMPORTANTE:

O Bit2Geek convidou alguns cientistas portugueses e estrangeiros para escreverem neste canal, na medida que o projecto Bit2Geek seria transformar rapidamente e logo que possível, este canal num verdadeiro site de Espaço e Tecnologia Futurista (esperemos que o melhor!). Brevemente iremos passar a publicar artigos da Joana Neto Lima, juntamente com outros cientistas que vamos apresentar no final dos artigos, e que vão integrar a nossa Ficha Técnica.

A Joana Neto Lima trabalha com as equipas científicas que estão envolvidas nas missões MARS 2020, InSight, JUICE e Europa Multiple Flyby Mission.

Joana Neto Lima
Joana Neto Lima, Planetary Scientist

A Joana Neto Lima é Licenciada em Ciências do Meio Aquático pelo Instituto de Ciências Biomédicas de Abel Salazar (Universidade do Porto). Desde Outubro de 2014 que está a trabalhar no Departamento de Planetologia e Habitabilidade do Centro de Astrobiologia INTA – CSIC, em Torrejón de Ardoz (Madrid). Este é o primeiro centro fora dos EUA a fazer parte do NAI (NASA Astrobiology Institute) e ainda hoje colabora frequentemente em várias das missões espaciais desta agência (de salientar as contribuições do CAB para os rovers marcianos com o instrumento ambiental REMS e TWINS). Tanto o CAB como o INTA (Intituto Nacional de Tecnologia Aeroespacial) colaboram também em missões da agência espacial europeia ESA como Rosetta-Phillae, JUICE e EXOMars, só para nomear alguns dos mais emblemáticos. Actualmente está a trabalhar em Mundos Oceânicos e nos processos geoquimicos que podem estar por detrás de fenómenos como geisers (ou plumas planetárias) nas luas geladas (Encélado e Europa) e alguns minerais e estruturas encontrados/detectados por missões espaciais em antigos Mundos Oceânicos como Ceres (um planeta-anão no Cinturão de Asteróides) e Marte (este sem necessidade de apresentações).

Os seus artigos serão publicados em breve, tal como os dos restantes cientistas convidados. Stay tuned!!!