A NASA e seus empreiteiros espaciais associados, estão claramente a pensar em como transportar humanos até Marte. Embora esteja planeado que este passo só possa acontecer depois de 2030, começamos já a ter noção daquilo que será o autocarro espacial que vai transportar os primeiros colonos.

Lockheed Martin MarteOs desafios são mais do que muitos, e desde logo porque com a actual tecnologia, uma viagem desta dimensão significa atravessar um  longo percurso em ambiente de ausência de gravidade, o que causa complicações de saúde (tais como cardíacas, musculares, etc…) A distância é também variável, dependendo da aproximação que o quarto planeta do sistema solar, o “planeta Vermelho” faça à Terra, com a sua órbita.

Assim sendo os humanos enfrentam uma distância mínima entre aTerra e Marte de 54.6 milhões de Km, uma distância máxima de 401 milhões de Km, e uma distância média de 225 milhões de Km… Mas mesmo usando a janela de oportunidade de apanhar a distância mínima, ainda assim o percurso demora um mínimo de 9 meses a percorrer…

O sonho e a necessidade…

Lockheed Martin MarteMarte é uma mistura de sonho e necessidade. O sonho de iniciar a expansão pelo sistema solar à conquista do Espaço, e a necessidade de terraformar outro planeta nas imediações da Terra, até para que possa servir de base de operações. Essa é a missão da alemã Mars One Foundation, e da suiça Mars One Ventures, que se juntaram no consórcio Mars One, juntamente com importantes empresas de espaço para tentar dar início à colonização do Planeta Vermelho. Essas empresas “suppliers” são a Lockheed Martin, A Paragon – Space Development Corporation, a ILC Dover, MDA Corporation, Astrobotic Technology Inc., Thales Alenia Space, Surrey Satellite Technology Ltd, e a Space Exploration Technologies… E este é apenas o consórcio europeu, porque os americanos da NASA correm por si, tal como os japoneses, etc, com o objectivo de no futuro poder colonizar Marte.

Lockheed Martin MarteNesta corrida está um “supplier” tanto do lado europeu do Mars One, como do lado norte-americano liderado pela NASA, a Lockheed Martin que é também uma das seis empresas contratadas pela NASA para fornecer transporte para Marte. E para falar verdade, está mais do lado norte-americano, desde que o MIT reconsiderou a viabilidade técnica da missão Mars One, pelo menos para 2025

A Lockheed Martin tem estado a trabalhar nisto…

A Lockheed Martin no final do ano passado anunciou ter um conceito para uma estação espacial a ser colocada em órbita de Marte. Este “novo” conceito de nave espacial, apresentado no Centro Espacial Kennedy na semana passada, é desenhado para albergar astronautas e os levar a Marte, apesar de ser um conceito redesenhado de um transporte de carga…

O projeto é aliás baseado num transporte antigo – o Módulo de Logística Multipropósito da Donatello – que a Lockheed originalmente desenvolveu, abastecimento da Estação Espacial Internacional. Curiosamente o módulo Donatello nunca foi usado para esse propósito, mas foi repescado agora e adaptado pelos engenheiros da empresa, para servir de “embarcação” de transporte  de pessoas.Orion NASA

Este módulo/cápsula mede cerca de 15 metros de largura por 22 metros de comprimento, aproximadamente as mesmas dimensões de um pequeno Vaivém espacial ou RV, e seus designers dizem que tem mais em comum com um RV do que apenas seu tamanho.

Bill Pratt, gerente deste programa espacial da Lockheed, durante a apresentação do RV, e conforme relatado pelo Orlando Sentinel, explicou que este RV foi concebido para ser eficiente com o espaço, e no Espaço. E que é isso que estão a testar agora. Ou seja, está concebido para não ter “mesas a voar” num ambiente de ausência de gravidade, e para ser multiusos num espaço que é pequeno… Assim este módulo foi feito para acomodar espaço para dormir, para trabalhar e para fazer exercício, além de sistemas de suporte à vida e instrumentos científicos.

E na década de 2020…

Futuramente, o plano é que os astronautas sejam transportados para a cápsula a bordo do próximo módulo de tripulação Orion da NASA e se encontrem no Deep Space Gateway, uma estação espacial planeada para ficar em órbita da Lua. No entanto, nenhum desses projetos da NASA provavelmente estará operacional até o início da década de 2020, e há quem defenda que o Deep Space Gateway vai acabar por ser substituído por outra coisa (a Space Station LOP-G):

Nota: Aceite a sugestão do Bit2Geek e leia Blue Origin começa a testar levar humanos ao Espaço (em turismo espacial)

IMPORTANTE:

Estamos a convidar cientistas planetários para escreverem no Bit2Geek, assinando os seus próprios artigos. Entre os primeiros cientistas estão (e vamos ter mais):

A “Planetary Scientist” Joana Neto Lima que trabalha com as equipas científicas que estão envolvidas nas missões MARS 2020, InSight, JUICE e Europa (Lua de Júpiter) Multiple Flyby Mission. Partilhamos aqui a entrevista com a Joana Lima na RTP: Portuguesa participa em missão que vai analisar Marte.

 

 

E também,

A Marta Filipa Cortesão especialista em Microbiologia do Espaço, do Centro Aeroespacial Alemão (DLR). Entre as suas diversas colaborações, destacam-se o laboratório de Proteção Planetária da NASA Jet Propulsion Laboratory (Caltech), o BioServe Space Technologies na Universidade do Colorado (CU Boulder), onde esteve como cientista convidada, e também na Universidade Técnica de Berlim, e no Instituto Nacional de Ciências Radiológicas (NIRS) no Japão. De salientar também que foi premiada com o Women in Aerospace Europe (WIA-E) de 2018, e que está envolvida no projecto o “Biofilm in Space”, financiado pela NASA, (experiência essa que decorre a bordo da ISS, International Space Agency). Ver conferência do TED da Marta Cortesão.