Chama-se B2X300 e é nova impressora 3D da BEEVERYCREATIVE. É a mais recente aposta da empresa de Aveiro nos domínios da inovação em tecnologias de manufatura aditiva em Portugal. Esta proposta chega a um mercado bastante saturado, reforçando a aposta de empresas portuguesas no desenvolvimento de produto nesta área. Irá ser apresentada publicamente no evento TCT Show em Birmingham, de 25 a 27 de setembro.

B2X300: Impressora DIY

A B2X300 é uma impressora em kit DIY, do it yourself, pensada para o público maker. Estes são utilizadores avançados que gostam de arregaçar as mangas e enfrentar a tecnologia de modo muito próximo, sem temor a chaves de parafuso, ferros de soldar ou linhas de código. Estas comunidades, que reúnem criadores que procuram formas de se apropriar da tecnologia, estão em crescimento. Reúnem-se em espaços digitais e fablabs, que despontam um pouco por todo o país.

Painel controlador da B2X300
Painel controlador da B2X300 (Foto: BEEVERYCREATIVE)

Em termos de especificações a B2X300 apresenta como principal fator diferenciador um grande volume de impressão, de 300x300x300 mm. Algo que permite obter objetos de maiores dimensões do que boa parte das impressoras disponíveis no mercado. Tem um duplo extrusor pré-montado, permitindo imprimir peças com dois filamentos. Normalmente, o duplo extrusor é útil para impressão com duas cores, ou usar filamentos diferenciados para suporte, habitualmente solúvel em água, e peça.

Outra característica interessante é dispor de um sistema que mitiga as consequências de perda de energia durante a impressão, quer por corte de eletricidade ou cabo desligado por acidente. O estado da impressão é preservado, e ao reconectar, a impressora recomeça de onde parou.

Entre o Open Source e o desenvolvimento de soluções tecnológicas

Motherboard da B2X300
Motherboard da B2X300 (Foto: BEEVERYCREATIVE)

Os motores passo a passo são controlados por drivers trinamic, permitindo um elevado nivel de rigor no processo de impressão. A resolução da impressora vai dos 50 aos 300 microns, o standard na impressão 3D.

Quem lida com impressoras 3D sabe que uma das tarefas rotineiras algo chatas destes equipamentos é o calibrar, nivelar a mesa de impressão em relação ao extrusor para garantir superfícies uniformes. A B2X300 é a primeira impressora da BEEVERYCREATIVE a introduzir um sistema de auto-calibração, evitando o tédio da calibração manual ou semi-automática.

A motherboard desta impressora é desenhada para ser modular, facilitando futuros upgrades. Muitos destes poderão ser criados pelas comunidades de utilizadores. Apesar de desenvolvida pelos técnicos da empresa, há um compromisso de libertar esta tecnologia para a comunidade open source. Como impressora em kit, a B2X300 é desenhada com o cuidado estético que já se conhece na BEEVERYCREATIVE.

A B2X300 é mais uma impressora 3D, podem comentar. O mercado está saturado, com inúmeras máquinas com custos cada vez mais baixos disponíveis num mercado global. A concorrência do hardware de muito baixo custo vindo da China é muito grande. Desenvolver tecnologia própria nesta área pode parecer uma aposta estranha, face à concorrência, mas o know how desenvolvido encontra aplicações noutras áreas.

Reforço no Desenvolvimento de Tecnologias de Manufatura Aditiva em Portugal

Estrutura da B2X300
Estrutura da B2X300 (Foto: BEEVERYCREATIVE)

Desenvolver tecnologia de impressão 3D é mais do que construir impressoras. É desenvolver competências no domínio da manufatura aditiva, criando soluções locais nos domínios pessoal e industrial. A BEEVERYCREATIVE é uma das empresas portuguesas que mais se tem distinguido nesta área, mas não é caso único. A Blockstec também desenvolve máquinas de impressão, e há empresas especializadas em soluções personalizadas para a indústria.

Com estas iniciativas, podem ser criados cá clusters que permitem gerar know-how em tecnologias de manufatura aditiva. Uma tecnologia que vai muito mais longe do que as impressoras 3D FFF que são prevalentes no mercado. Algo que aconteece muito por culpa das patentes expiradas nesta tecnologia, que permitiram à comunidade open source desenvolver a impressão 3D DIY.

MELT e I-Experience Centers: Manufatura Aditiva como vetor de desenvolvimento

Impressão 3D na Siemens i-Experience Center
Impressão 3D na Siemens i-Experience Center (Siemens).

Como exemplo, destacamos a própria BEEVERYCREATIVE, cujo conhecimento técnico no domínio da fabricação digital a tornou parceira do projeto MELT. Esta iniciativa da ESA desenvolveu uma impressora 3D capaz de imprimir em microgravidade, para utilização na Estação Espacial Internacional.

Pensando um pouco mais além, a fabricação digital é uma das componentes da indústria 4.0. Esta tendência agrupa as valências da Internet das Coisas, Automação, Big Data e Computação em nuvem para refazer o paradigma industrial. A manufatura aditiva é uma das vertentes mais inovadoras desta nova geração industrial. Algo visível quer nos domínios da prototipagem quer na produção avançada. Prova disso é a sua integração nos espaços Siemens I-Experience Center. Estes demonstram o potencial das tecnologias indústria 4.0 nos domínios da rapidez de resposta, eficiência e maior integração nas cadeias de valor, de acordo com Jorge Portugal, Diretor Geral da COTEC, Jorge Portugal. Estes espaços funcionam como ponto de cruzamento de universidades, politécnicos e start-ups nos domínios da produção industrial suportadas pela conetividade digital, cibersegurança, análise de dados, robótica e software de última geração.

Num país que tem de si uma imagem de pouco inovador, estes projetos mostram vitalidade, e capacidade de inovar em tecnologias de ponta. O tecido empresarial é dinâmico nas áreas de bleeding edge tecnológica. As bases de investigação em inovação científica e tecnológica na educação, investigação e desenvolvimento denotam um esforço de inverter a tendência histórica de se viver num país periférico na inovação.

Interessado no potencial da impressão 3D? Aceite a nossa sugestão e leia o artigo sobre Marte Ice House: as habitações para os primeiros colonos de Marte.

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Professor de TIC e coordenador PTE no AEVP onde dinamiza os projetos As TIC em 3D, LCD - Clube de Robótica; Fab@rts: o 3D nas Mãos da Educação, distinguido com prémio de mérito da Rede de Bibliotecas Escolares. Distinguido com o prémio Inclusão e Literacia Digital em 2016 (FCT/Rede TIC e Sociedade). Licenciado em ensino de Educação Visual e Tecnológica, Mestre em Informática Educacional pela Universidade Católica Portuguesa. Correntemente, frequenta pós-graduação em Programação e Robótica na Educação pelo Instituto de Educação da Universidade de Lisboa. Tutor online na Universidade Aberta. Formador especializado em introdução à modelação e impressão 3D em contextos educacionais na ANPRI (Associação Nacional de Professores de Informática) e CFAERC. Co-criador do projeto de robótica educativa open source de baixo custo Robot Anprino. Colaborador do fablab Lab Aberto, em Torres Vedras. O seu mais recente projeto é ser um dos coordenadores do concurso 3Digital, que estimula a utilização de tecnologias 3D com alunos do ensino básico e secundário.