Mineração de asteróides
Credits: Luxinnovation
O Bit2Geek já tinha explicado a importância da Mineração de asteróides anteriormente… A razão é simples: os asteróides são concentrações de minério riquíssimas, e mais cedo ou mais tarde iria despoletar uma guerra pela sua exploração, porque é a maior fonte de riqueza da humanidade no futuro… Essa guerra começou em 2018.
Esses incentivos incluem co-investimento de pesquisa e desenvolvimento de tecnologia, bem como o investimento direto de capital em empresas de mineração de recursos espaciais que se estabelecem no Luxemburgo. Essa iniciativa e criação de um fundo de apoio já atraiu por exemplo as Indústrias Deep Space de Mountain View, na Califórnia (um dos principais players na área de mineração de asteróides, que vai criar uma dependência no Luxemburgo).
Schneider disse que outras empresas dos EUA, incluindo a SpaceX, de Hawthorne, Califórnia, e a Planetary Resources, de Redmond, Washington, estão em negociações com as autoridades de Luxemburgo a respeito do empreendimento Spaceresources.lu.

A jogada de Etienne Schneider é muito inteligente…Credits: Sciencealert.com

O Luxemburgo é o lar da operadora de frotas de satélite SES, que ascendeu do status de iniciante na década de 1980 para ser hoje dos dois maiores operadores de frota comercial de satélites. Por exemplo, nos últimos três anos a SES tem sido o maior patrocinador comercial da SpaceX, cuja importância é indiscutível nos voos de abastecimento da NASA.
Mas não acaba aqui: Schneider convidou na altura para integrar o Board da empresa luxemburguesa o europeu Jean-Jacques Dordain, ex Diretor-Geral da Agência Espacial Europeia (que integra 22 países)…
Além do Fundo de Investimento que disponibilizou para apoio a estas empresas, não lhes tendo dado benefícios de “paraíso fiscal” contudo (embora as condições sejam por si bastante atraentes), Schneider também “montou” um orçamento espacial de médio prazo para ser apresentado ao conselho ministerial da ESA. 
Parecendo complicado, a história é simples: Schneider pretende que as principais empresas que estão na corrida da Mineração de Asteróides “abandonem” a Califórnia e criem dependências no Luxemburgo, para transformar o Luxemburgo no Sillicon Valley da Europa, para a área de Espaço.
Este “forcing” assenta no suporte de fundos de investimento e de apoio directo do banco de investimento do Governo.
Terá “acordado” Schneider, a Lei de Competitividade de Lançamento no Espaço Comercial dos EUA, que coloca toda a primazia dos EUA na exploração de asteróides (e também da Lua e outros corpos celestes). Não sendo Schneider alheio á existência de uma cintura de asteróides sem fim (entre Marte e Júpiter – que aliás é o ponto fulcral da intriga abordada na série televisiva “The Expanse”, no Netflix), nunca parou de contestar esta posição.
Segundo o próprio é possível retirar água, combustível e minério destes asteróides, representando por isso a principal fonte de riqueza da Humanidade no Futuro. Comparou até o Space Act aos direitos de pesca em águas internacionais, para demonstrar como é algo de inaceitável.

O Space Act não trava o Luxemburgo…

asteroides
Credits: peterturchin.com
Essa Lei do Espaço ou Space Act começou portanto a ser questionada quanto á sua validade e legalidade, pelo Instituto Internacional de Direito Espacial e posteriormente por altos-funcionários da Comissão Europeia.
Para quem não percebeu o que Etienne Schneider estava a fazer, ele sem problemas esclareceu a 5 de Julho:”Esta agência espacial que estamos a criar não será uma cópia da NASA ou da ESA, mas será uma agência espacial cujo único focus é o uso comercial de recursos espaciais”…
Por esta razão o fundo de apoio inicial foi de 200 milhões de euros (US $ 225 milhões) a ser integrado para a iniciativa global de exploração de recursos espaciais.
agência espacial Luxemburgo
Cintura de asteroides

O que conseguiu Schneider até agora?

O que conseguiu é algo assustador, pelo menos para os EUA… Em primeiro lugar as duas principais empresas de mineração de asteróides (dos EUA), a Deep Space Industries e Planetary Resources, fizeram uma parceria com o Luxemburgo. Agora, recentemente, o Luxemburgo assinou acordos com a iSpace, uma empresa japonesa que participa do Google Lunar X Prize; e com a Blue Horizon, uma subsidiária da empresa espacial alemã OHB que trabalha com tecnologias de suporte à vida.
Etienne Schneider que no início do ano era conotado como uma espécie de Dom Quixote do Espaço, actualmente brinca com os seus concorrentes dizendo: “Tenho certeza de que, daqui a 10 anos, a língua oficial do espaço será o luxemburguês.”
Visionário, a 12 de setembro Schneider estabeleceu formalmente a agência espacial nacional, como medida planeada em parte para garantir que este esforço continue depois de uma próxima eleição…
Sabe-se agora que a agência será liderada por Marc Serres, anteriormente chefe dos assuntos espaciais no Ministério da Economia, bem como um board muito influente…
Desde o início deste processo, cerca de 20 países estabelecerem presença no país, com dependências das suas empresas.
Mas a grande surpresa foi anúncio de um novo fundo de investimento: o Fundo Espacial do Luxemburgo, avaliado em 100 milhões de euros (US $ 116 milhões). “Será uma parceria público-privada, onde o governo terá uma parcela de 30% a 40%”, explicou Schneider.
Luxemburgo
Credits: todayifoundout.com

A jogada brilhante…

A Agência Espacial do Luxemburgo começou com apenas 12 pessoas no seu pessoal, e com uma excelente negociação com Fundos de Investimento…
Com os acordos firmados, as outras empresas também não se importaram em movimentar muitos recursos: Entre as empresas que estabeleceram suas operações no Luxemburgo, por exemplo a iSpace que desenvolve landers lunares, só movimentou 15 funcionários para o Luxemburgo, conforme afirmou Kyle Acierno, diretor administrativo da iSpace para a Europa.
O Luxemburgo realiza eleições parlamentares a 14 de outubro, sem garantia de que Schneider permaneça no cargo. O que ele fez ,contudo, transformará o Luxemburgo no país mais importante da Europa em termos económicos, num horizonte de 10 a 15 anos…
A falta de conhecimento sobre os assuntos do Espaço, leva a que os cidadãos europeus na sua grande maioria achem que isto são apenas assuntos no domínio da ficção científica.
Dentro em breve irão descobrir o quanto errado estavam, e principalmente os restantes países da União Europeia que poderiam ter participado na fatia de exploração da Mineração de asteróides, e que vão agora pagar para isso à futura Super Potência do Espaço.
Mas vamos pôr as coisas em perspectiva: O Luxemburgo tem 2,586 km quadrados, enquanto Portugal tem 92,090 Km quadrados. A população do Luxemburgo tem cerca de 500.000 habitantes enquanto Portugal tem 10 milhões. Resumindo, Portugal é 36 vezes maior que o Luxemburgo, que é praticamente do tamanho de Azeitão (façam a experiência)…
É esta a próxima potencia mundial na área do Espaço!!!

Notas:

* Aceite a sugestão do Bit2Geek e leia sobre as Principais localizações futuras para turismo espacial em Marte

*Estamos a convidar cientistas planetários para escreverem no Bit2Geek, assinando os seus próprios artigos. Entre os primeiros cientistas estão (e vamos ter mais):

A “Planetary Scientist” Joana Neto Lima que trabalha com as equipas científicas que estão envolvidas nas missões MARS 2020, InSight, JUICE e Europa (Lua de Júpiter) Multiple Flyby Mission. Partilhamos aqui a entrevista com a Joana Lima na RTP: Portuguesa participa em missão que vai analisar Marte.

 

 

E também,

A Marta Filipa Cortesão especialista em Microbiologia do Espaço, do Centro Aeroespacial Alemão (DLR). Entre as suas diversas colaborações, destacam-se o laboratório de Proteção Planetária da NASA Jet Propulsion Laboratory (Caltech), o BioServe Space Technologies na Universidade do Colorado (CU Boulder), onde esteve como cientista convidada, e também na Universidade Técnica de Berlim, e no Instituto Nacional de Ciências Radiológicas (NIRS) no Japão. De salientar também que foi premiada com o Women in Aerospace Europe (WIA-E) de 2018, e que está envolvida no projecto o “Biofilm in Space”, financiado pela NASA, (experiência essa que decorre a bordo da ISS, International Space Agency). Ver conferência do TED da Marta Cortesão.