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Robots de limpeza no Terminal 4 de Changi (Nicky Loh/Bloomberg)

O aeroporto de Changi, em Singapura, está a posicionar-se na vanguarda da robótica e automação. No seu terminal 4, está a testar tecnologias que automatizam grande parte das operações aeroportuárias. Do check-in ao handling de bagagens, passando pelas refeições a bordo das aeronaves e interações dos passageiros com os serviços, uma frota de robots e sistemas automáticos garante uma experiência de viagem rápida e eficiente.

Os Robots Tomam Conta

Changi automação
Veírculo autónomo de transporte de carga (Ore Huiying/Bloomberg)

Tudo começa quando o avião se aproxima para aterrar. Os seus dados são captados por uma rede de sensores e câmaras que o identifica perante os sistemas do aeroporto. A partir daí, sistemas autónomos entram em ação. O sistema monitoriza a aeronave, e após a aterragem despacha robots para recolher a bagagem de porão.

Na porta de embarque, mangas guiadas por laser acostam automaticamente à porta do avião para a saída dos passageiros. Antes de chegar à área de recolha de bagagens, estes terão de passar por pontos de passagem que registam a sua entrada no país através de tecnologias biométricas. Impressão digital e digitalização facial são os requisitos de identificação.

Entretanto, os sistemas automáticos de recolha de bagagem fizeram o seu despacho, e os viajantes prosseguem viagem. Enquanto estão no terminal, observam que existem quiosques de informações e que a limpeza é assegurada por robots. À porta do terminal, poderão futuramente apanhar um táxi sem condutor para os levar à cidade de Singapura.

Parece um voo especulativo de ficção científica. Mas no Terminal 4 do aeroporto de Changi, em Singapura, esta integração de tecnologias de robótica autónoma já é uma realidade. O novo terminal daquele que é um dos mais concorridos aeroportos asiáticos está a servir como teste à automação completa dos serviços aeroportuários.

Automação: Da gestão do Aeroporto à Interação com Passageiros.

Changi robots
Quiosques biométricos no Aeroporto de Changi (Getty Images)

Para além da interação com passageiros, outra das áreas do aeroporto que está a ser alvo de um enorme esforço de automação é o catering. A SATS, empresa que gere o catering e handling na cidade-estado, automatizou a confecção e embalagem de refeições, trazendo ganhos de eficiência num sistema que produz cerca de cem mil refeições por dia.

O foco da SATS está também no handling. No terminal 4 testa veículos autónomos, controlados remotamente, para recolher e entregar bagagens num tempo máximo de até dez minutos. Carros autónomos são usados para entregar documentação de voos de carga entre os escritórios do terminal e as aeronaves.

Também a experiência como passageiro implica um elevado nível de automação. O check-in é feito maioritariamente em quiosques, alguns dos quais se deixa a bagagem de porão. Há poucos funcionários disponíveis no terminal. Utilizar o wi-fi implica digitalizar o passaporte ou documento de identificação para aceder gratuitamente durante uma hora. O controle de fronteira é automatizado com quiosques onde se passa com biometria de impressão digital e scan de passaporte. Apenas no controle de segurança a interação com humanos é assegurada, com o sistema usual nos aeroportos.

Tornar Operações Aeroportuárias mais Eficazes e Diminuir Custos de Mão de Obra

Changi Automação
Handling automatizado de bagagem na pista (Ore Huiying/Bloomberg).

Os responsáveis do aeroporto afirmam que este projeto é a resposta para se manterem competitivos à escala global. Permitirá gerir com eficácia um dos aeroportos mais concorridos da Ásia. Aumentará o número de passageiros em trânsito, enquanto mantém e melhoram o serviço prestado, em eficiência e rapidez. As tecnologias e sistemas em teste no terminal 4 de Changi irão ser aplicadas aos restantes terminais.

A automação é vista como uma forma aumentar a eficácia das operações do aeroporto, mas também de aliviar a carga de trabalho dos funcionários do aeroporto, criando um ambiente mais relaxado onde os trabalhadores desempenhem as funções com menor nível de pressão. O uso intenso de automação também reduz as necessidade laborais, sem sobrecarregar os funcionários existentes

Changi é precursor de um futuro em que a automação sustentará a maioria dos setores da economia. O interessante neste projeto é a forma como consegue integrar um grande conjunto de tecnologias nas áreas da automação e robótica num sistema complexo, capaz de assegurar as operações no ambiente de complexidade crítica de um aeroporto.

Estes sistemas garantem maior eficácia e rapidez nas operações, diminuindo as necessidades laborais de baixa qualificação.  Não eliminam por completo a necessidade de ter humanos nas cadeias de decisão e gestão de sistemas críticos. Técnicos qualificados são necessários para manter o controlo decisório sobre sistemas autónomos. Este projeto no aeroporto de Changi adapta para as infraestruturas e serviços princípios de automação que tiveram origem na robótica aplicada à manufactura industrial. E já hoje é possível aos passageiros que por lá passam utilizar as infraestruturas aeroportuárias com um mínimo de interação com funcionários humanos.

Interessado nos desenvolvimentos na robótica? Aceite a nossa sugestão e leia o artigo SEER: Um Robot Capaz de Mostrar Emoções, Cujo Olhar Nos Segue.

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Professor de TIC e coordenador PTE no AEVP onde dinamiza os projetos As TIC em 3D, LCD - Clube de Robótica; Fab@rts: o 3D nas Mãos da Educação, distinguido com prémio de mérito da Rede de Bibliotecas Escolares. Distinguido com o prémio Inclusão e Literacia Digital em 2016 (FCT/Rede TIC e Sociedade). Licenciado em ensino de Educação Visual e Tecnológica, Mestre em Informática Educacional pela Universidade Católica Portuguesa. Correntemente, frequenta pós-graduação em Programação e Robótica na Educação pelo Instituto de Educação da Universidade de Lisboa. Tutor online na Universidade Aberta. Formador especializado em introdução à modelação e impressão 3D em contextos educacionais na ANPRI (Associação Nacional de Professores de Informática) e CFAERC. Co-criador do projeto de robótica educativa open source de baixo custo Robot Anprino. Colaborador do fablab Lab Aberto, em Torres Vedras. O seu mais recente projeto é ser um dos coordenadores do concurso 3Digital, que estimula a utilização de tecnologias 3D com alunos do ensino básico e secundário.