A melhor maneira de compreender o enquadramento e missão da startup japonesa iSpace, é pelas palavras do seu CEO & Founder, Takeshi Hakamada. Segundo ele, a vida na Terra futuramente não será sustentável sem uma infraestrutura espacial baseada no nosso satélite natural: a Lua! 
Comunicações, agricultura, transporte, finanças, sustentabilidade ambiental, assim como uma variedade de indústrias, dependerão dessa infraestrutura extraterrestre.
Credits:Takeshi Hakamada CEO da iSpace

Na visão de Hakamada, a importância da Lua continuará a aumentar à medida que a tecnologia continua a evoluir com inovações como IoT (Internet of Things) e veículos autónomos.

O posicionamento estratégico da iSpace assenta no aproveitamento de recursos hídricos lunares, para desenvolver essa infraestrutura de apoio, e criação de um ecossistema que se afirme como base de operações para explorar o Espaço.
O lançamento de missões interplanetárias a partir da Lua (para poupar combustível), o início do turismo espacial, o começo da exploração da maior fonte de riqueza do nosso sistema solar, a Cintura de Asteróides, etc, são a motivação da iSpace.
Nos últimos tempos a iSpace tem-se mexido muito… Já assinou inclusivamente um MoU (memorando de entendimento), com o Luxemburgo, cuja importância no comércio do Espaço explicamos neste artigo

A iSpace já agendou as missões…

Esta Startup tem atraído a atenção de vários interessados em com ela realizar parcerias, mas ultimamente chamou a atenção de um parceiro em especial, que contratou: A SpaceX!
Ontem tornou-se público que as missões Moon Lander que a empresa sediada em Tóquio quer lançar, vão ser colocadas na Lua a partir dos foguetões Falcon 9 da SpaceX… E como alguém costuma dizer: “this is huuuuge!”. É que estamos a falar do foguetão que é informalmente conhecido por “Big Fxxx Rocket”!
Sem grandes informações sobre o assunto, aquilo que se sabe é que estão acordadas 2 missões para iniciar a colonização da Lua com a SpaceX. Essas missões agendadas para 2020 e 2021, consistem do lançamento de mini-rovers e do módulo lunar.

O primeiro passo destas duas fases é conhecido como Hakuto-Reboot ou Hakuto-R, em versão abreviada. O nome é uma referência ao Team Hakuto, um participante do ispace-managed no extinto Google Lunar X Prize (GLXP), um concurso que prometeu US $ 30 milhões em prémios, para as primeiras equipes a pousarem com sucesso rovers de construção privada na lua.

Credits: iSpace
O GLXP terminou no início deste ano, ainda sem vencedores…
Agora, de forma mais consistente a missão iSpace 2020 quer como primeiro objectivo colocar uma sonda em órbita lunar, e no ano seguinte (em 2021), colocar um módulo de aterragem na Lua… Essa segunda missão contudo ainda será de alguma forma preparatória do processo de colonização, uma vez que visa apenas a instalação de dispositivos que permitam recolher dados e estabelecer comunicações…

O investimento base das missões é de US $ 90 milhões.

A iSpace sem nunca levantar demasiado o “véu” sobre as suas intenções, acabou por referir que eventualmente o seu objectivo será no futuro estabelecer um serviço de transporte lunar robótico e usar seus robots “Bantam” para identificar e ajudar a explorar os recursos disponíveis na Lua, como o gelo/água.
A iSpace também divulgou imagens de seu lander lunar e rover recém-redesenhado, ontem. A empresa havia afirmado anteriormente que o lander seria capaz de carregar 66 libras (30 kg) de carga para a lua, e que o rover seria baseado fortemente em 9-lb (4 kg). 
A iSpace não é a única empresa interessada em vender serviços de transporte para a superfície da Lua e explorar os seus recursos lunares. Há mais players e são pesos-pesados do Espaço nesta corrida, como é o caso das empresas norte-americanas Astrobotic, Blue Origin e Moon Express

E depois há a Gwynne Shotwell…

Gwynne Shotwell Credits: SpaceX
A melhor maneira de definir influente e poderosa Gwynne Shotweel é chamando as coisas pelos nomes: Ela é uma “Killer”!
Gwynne entrou para a SpaceX em 2002, e em 2008 Elon Musk nomeou-a presidente e Diretora de Operações (COO) da empresa… Desde aí a empresa cresceu ao ponto de ter 5 mil funcionários contratados e registrar mais de US$ 7 mil milhões em vendas…
Só no ano passado, a SpaceX completou 18 missões espaciais… E agendou mais 30 missões para o próximo ano…
Além disso Shotwell está em negociações com a NASA para durante a década que se inicia em 2020, começar a fazer lançamentos de carga em Marte, para servir de suporte aos primeiros colonos que deverão começar a chegar em 2030…

Ela é responsável pela gestão de operações da SpaceX no dia-a-dia, mas principalmente pela totalidade da gestão estratégica e de contacto com clientes da SpaceX…

E se a Gwynne o diz…

Credits: SpaceX
Se quisermos portanto perceber se existe uma boa ligação e suporte solidário da SpaceX à iSpace nipónica, basta ver o comunicado de imprensa da Gwynne, logo após o anúncio da iSpace:
“Estamos a entrar numa nova era da exploração espacial, e a SpaceX tem orgulho de ter sido escolhida pela iSpace para lançar suas primeiras missões lunares. Estamos ansiosos para entregar sua nave espacial inovadora na Lua.” 
Aceite a sugestão do Bit2Geek e leia Blue Origin começa a testar levar humanos ao Espaço

Importante:

*Estamos a convidar cientistas planetários para escreverem no Bit2Geek, assinando os seus próprios artigos. Dentro dos próximos dias anunciaremos novas “aquisições” para este projecto mas entretanto, já podem ler os artigos publicados por exemplo por:

A “Planetary Scientist” Joana Neto Lima que trabalha com as equipas científicas que estão envolvidas nas missões MARS 2020, InSight, JUICE e Europa (Lua de Júpiter) Multiple Flyby Mission. Partilhamos aqui a entrevista com a Joana Lima na RTP: Portuguesa participa em missão que vai analisar Marte.

 

 

E também por,

A Marta Filipa Cortesão especialista em Microbiologia do Espaço, do Centro Aeroespacial Alemão (DLR). Entre as suas diversas colaborações, destacam-se o laboratório de Proteção Planetária da NASA Jet Propulsion Laboratory (Caltech), o BioServe Space Technologies na Universidade do Colorado (CU Boulder), onde esteve como cientista convidada, e também na Universidade Técnica de Berlim, e no Instituto Nacional de Ciências Radiológicas (NIRS) no Japão. De salientar também que foi premiada com o Women in Aerospace Europe (WIA-E) de 2018, e que está envolvida no projecto o “Biofilm in Space”, financiado pela NASA, (experiência essa que decorre a bordo da ISS, International Space Agency). Ver conferência do TED da Marta Cortesão.