A Maker Faire Rome é o maior evento deste género em toda a Europa, e o Bit2Geek estará lá. Entre os dias 12 a 14 de outubro, os espaços da Fiera di Roma irão encher-se de makers e visitantes. Em comum, a curiosidade sobre o que se pode fazer quando cada um se apropria da tecnologia, criando projetos pessoais ou desenvolvendo novas aplicações tecnológicas. A curadoria é de Massimo Banzi, um dos criadores da plataforma open source Arduino.

Maker Quê?

Rome Maker Faire: A maior da europa.

Uma Maker Faire é um evento de show and tell. Reúne Makers, que podem ser qualquer um que se dedique a construir coisas, com quaisquer tecnologias. Numa Faire, os criadores selecionados podem mostrar os seus projetos, e trocar ideias com outros membros da comunidade.

Mais importante que mostrar o que se faz, é explicar e ensinar. As Maker Faire são sempre abertas ao público em geral, para que todos possam descobrir que a tecnologia não é algo fechado e criado por empresas e centros de investigação. Aprendendo, partilhando ideias, descobre-se o como se faz. A componente educativa informal é uma das vertentes mais importantes destes eventos.

Maker Como?

One Love Robot Band (Maker Faire 2017)

E o que fazem os Makers? Um pouco de tudo. Há quem se dedique ao software. Outros explorar as diferentes vertentes da Impressão 3D. CNCs e máquinas de corte laser são outros dos instrumentos favoritos de criação. A robótica e automação têm sido duas das áreas mais exploradas nesta cultura de fazedores.

Mas não precisamos de usar tecnologias tão complexas. Há makers a trabalhar com tecidos, outros em madeira, e até com comida. O fundamental é o espírito criativo individual. Uns trabalham nas suas garagens ou sotãos, outros organizam-se em FabLabs.

Empresas e escolas têm também presença nestes eventos. Muitos projetos que começaram como ideia maker estão hoje presentes no mercado, caso do Arduino ou do português Bitalino. Há empresas que dependem diretamente do trabalho da comunidade Maker. Já a educação está cada vez mais atenta ao potencial pedagógico da cultura Maker, criando espaços específicos dentro das escolas ou bibliotecas, ou estimulando iniciativas de aprendizagem de programação, robótica e impressão 3D. É uma tendência pedagógica que cá em Portugal tem ganho, nos últimos anos e graças ao esforço criativo de muitos professores, uma crescente importância e até algum apoio do Ministério da Educação.

Maker Porquê?

Robot Anprino (ANPRI)

O que é que lá estaremos a fazer? O Bit2Geek não pretende ser um site de mera informação sobre tecnologias, focando-se na discussão informada sobre os seus impactos. O nosso objetivo é comentar e explicar assuntos científicos e tecnológicos de forma rigorosa, acessível e em português. Estamos em constante atualização, com informações que por norma só aparecem em comunicados de centros de investigação ou outras fontes com públicos restritos.

Um dos projetos aceites na Maker Faire Rome 2018 é português. Chama-se Robot Anprino e é um kit pedagógico de baixo custo, baseado em Arduino e Impressão 3D. Foi desenvolvido por três professores, numa parceria entre a Associação Nacional de Professores de Informática e escolas do Barreiro e Venda do Pinheiro. Tem como lema “Nenhum Aluno Pode Ser Deixado Para Trás”. Surgiu como resposta ao crescente interesse da robótica educativa, e dificuldades de investimento das escolas nesta área. Os kits pedagógicos de robótica comerciais têm custos elevados. O Anprino é um projeto aberto, sem fins lucrativos, e que já colocou mais de cento e cinquenta kits nas escolas portuguesas.

Aproveitamos a boleia do Anprino para visitar a Maker Faire Rome, e trazer alguns dos projetos aos leitores do Bit2Geek. Sendo o Espaço o nosso foco principal, suspeitamos que irão apreciar este: Mission to Mars 2.0. Este ano, o evento conta com o Makers in Space, uma secção dedicada ao espaço. Entre as atividades previstas, serão celebrados os cinquenta anos da missão lunar Apollo.

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Professor de TIC e coordenador PTE no AEVP onde dinamiza os projetos As TIC em 3D, LCD - Clube de Robótica; Fab@rts: o 3D nas Mãos da Educação, distinguido com prémio de mérito da Rede de Bibliotecas Escolares. Distinguido com o prémio Inclusão e Literacia Digital em 2016 (FCT/Rede TIC e Sociedade). Licenciado em ensino de Educação Visual e Tecnológica, Mestre em Informática Educacional pela Universidade Católica Portuguesa. Correntemente, frequenta pós-graduação em Programação e Robótica na Educação pelo Instituto de Educação da Universidade de Lisboa. Tutor online na Universidade Aberta. Formador especializado em introdução à modelação e impressão 3D em contextos educacionais na ANPRI (Associação Nacional de Professores de Informática) e CFAERC. Co-criador do projeto de robótica educativa open source de baixo custo Robot Anprino. Colaborador do fablab Lab Aberto, em Torres Vedras. O seu mais recente projeto é ser um dos coordenadores do concurso 3Digital, que estimula a utilização de tecnologias 3D com alunos do ensino básico e secundário.