Elétrico Autónomo nas ruas de Potsdam (MIT Technology Review)

Se, numa rua de Potsdam, tivermos o infeliz acidente de nos esquecermos que estamos parados em cima dos carris de um elétrico, não veremos o olhar assustado do condutor quando este travar, rapidamente, a composição. Ou o olhar furioso, se o motivo da paragem não for um acidente, mas um daqueles esquecimentos desleixados da vida urbana. O veículo autónomo trava em segurança, e o condutor apenas regista o evento.

Um Elétrico Autónomo nas Ruas da Cidade de Potsdam

O primeiro Siemens Combino autónomo (Fabrizio Bensch/Reuters)

As vias férreas do metro ligeiro da cidade estão a ser palco do teste de um elétrico autónomo. Este equipamento de ponta foi concebido por uma equipa de cerca de cinquenta cientistas da computação, matemáticos, físicos e engenheiros da Siemens.

O veículo autónomo está ativamente alerta para obstáculos no percursos e tráfego que o rodeia. Fá-lo utilizando múltiplos radares, lidar, e sensores visuais. Estes combinam-se para formar uma visão tridimensional em tempo real do espaço circundante. Com isso, tem um tempo de reação superior ao humano na leitura de sinais de trânsito e reação a emergências. Por enquanto, o elétrico autónomo terá um condutor, mas só para vigiar as operações autónomas do sistema. Em condições normais, o veículo conduz-se a si próprio.

O veículo em si distingue-se por parecer um elétrico normal, em tudo igual aos restantes, que circulam na cidade. Todo o kit tecnológico de visão computacional e sistemas paralelos de condução autónoma está incorporado no chassis das carruagens de um elétrico Siemens da série Kombino.

Por Enquanto, O Condutor Ainda Não É Opcional

Um veículo cujos sensores percecionam o ambiente envolvente (Fabrizio Bensch/Reuters)

Por enquanto, o veículo ainda mantém um condutor humano para intervir em caso de falha dos sistemas autónomos. Num futuro próximo, a empresa de transportes públicos de Potsdam planeia retirar os seus condutores de elétricos do serviço de condução. Planeia manter os seus serviços no apoio aos passageiros.

É de referir que por enquanto, a operação deste veículo autónomo está em testes e não é comercialmente viável. No entanto, a solução de condução autónoma presta-se muito bem a este tipo de transportes. Segue percursos pré-definidos ao longo de carris de elétrico ou metro de superfície, reduzindo as necessidades computacionais de navegação. Os recursos concentram-se na reação ao ambiente circundante, tráfego de veículos e sinalização.

Apesar de ainda pouco viável comercialmente, esta tecnologia aponta para um futuro de profunda autonomização dos sistemas de transporte urbano que fazem pulsar as cidades. O objetivo de engenheiros, cientistas, especialistas em planeamento urbano e decisores políticos é claro. Aliviar a pressão do automóvel na cidade, apostando em sistemas de transporte público rápidos, fiáveis e autónomos. Potsdam está a ser a primeira cidade a testar a implementação destes sistemas.

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Professor de TIC e coordenador PTE no AEVP onde dinamiza os projetos As TIC em 3D, LCD - Clube de Robótica; Fab@rts: o 3D nas Mãos da Educação, distinguido com prémio de mérito da Rede de Bibliotecas Escolares. Distinguido com o prémio Inclusão e Literacia Digital em 2016 (FCT/Rede TIC e Sociedade). Licenciado em ensino de Educação Visual e Tecnológica, Mestre em Informática Educacional pela Universidade Católica Portuguesa. Correntemente, frequenta pós-graduação em Programação e Robótica na Educação pelo Instituto de Educação da Universidade de Lisboa. Tutor online na Universidade Aberta. Formador especializado em introdução à modelação e impressão 3D em contextos educacionais na ANPRI (Associação Nacional de Professores de Informática) e CFAERC. Co-criador do projeto de robótica educativa open source de baixo custo Robot Anprino. Colaborador do fablab Lab Aberto, em Torres Vedras. O seu mais recente projeto é ser um dos coordenadores do concurso 3Digital, que estimula a utilização de tecnologias 3D com alunos do ensino básico e secundário.