Existe um nova tendência nos EUA. No final do Verão, antes de começar o novo ano lectivo na Universidade, os alunos compram cofres para guardar as suas “Smart Drugs” (este é aliás o tema do documentário do Netflix “Take your Pills”). Poderá esta tendência vir a ser substituída por um simples café? Por um café do Futuro? Por um café nootrópico?

Não era muito abordada, ou sequer conhecida durante a geração dos “Baby Boomers” ou Geração X, (a geração dos nossos pais e avós), a perturbação ADHD – “Attention Deficit Hyperactivity Disorder” (ADHD), mas parece ser algo muito comum na actual na geração dos “Millennials”, aqueles que a partir do ano 2000 atingiram a idade adulta.

De facto existem várias correntes: os “Millennials” ou Geração Y, são aqueles que nasceram entre 1980 e 1990 atingindo a idade adulta no Milénio, e a Geração Z são aqueles que nasceram entre 1990 e 2010. De uma forma ou de outra, os “Millennials” praticamente que nasceram com pelo menos um Smartphone nas mãos (e que é um computador pessoal, que corre vários programas que gerem as suas vidas, como o Email, o WhatsApp, o Skype, as redes sociais, etc…

Assim sendo, os Millennials ou filhos de Millennials estão mais sujeitos a esta perturbação de atenção, até pelo número sem fim de solicitações via Internet. Isto cria um hábito em que a “janela de atenção” é treinada para ser curta, não permitindo a entrega a tarefas longas sem distracções.

Sendo o deficit de atenção diagnosticado com alguma facilidade, tanto pela sua frequência como pelo medo geral que provoca nas sociedades de grande consumo (como os Estados Unidos), por ser incompatível com o sucesso profissional, tornou-se hábito a quase totalidade dos alunos universitários tomarem as chamadas “Smart Drugs” (que pelo seu preço são guardadas em cofres, para que não sejam roubadas pelos colegas).

No mundo super competitivo em que vivemos, o Adderall (nos Estados Unidos), é usado com uma frequência assustadora por alunos, atletas, programadores e até por quem não precisa dele…

Ser diagnosticado com ADHD transformou-se quase num alívio, por ser condição de sucesso serem receitados os “comprimidos da inteligência”, que permitem estar à altura do ambiente competitivo das universidades norte-americanas.

Exactamente o que fazem os nootrópicos?

É melhor dar exemplos, mas recomenda-se mesmo o “Take your Pills”, no Netflix…

Por exemplo alguém quer aprender uma nova linguagem de programação. É assumido que para dominar de facto uma nova linguagem de programação são necessários 6 meses, e 8 horas por dia, todos os dias…

Esta é a medida normalmente aceite, para memorizar os comandos, aprender a emitir comandos complexos sem erros, e perceber as nuances da programação (o mais complicado)…

Imaginando uma linguagem como o Python (a linguagem dos Hackers)…Youtube, Dropbox, Yahoo, NASA, CERN, Reddit, Google App Engine, BitTorrent, Instagram, Pinterest, Tumblr, Linux tools, Spotify, Quora, Cinema 4D, etc… Tudo isto é escrito em Python! E jogos também, como os da Playstation.

6 meses para se transformar num programador. Um sonho!

Mas o que acontece se for usado Adderall? Aí baixa-se a fasquia do tempo para mês e meio a 2 meses, e nalguns casos até mesmo num único mês. O Adderall permite normalmente a um estudante que durante 12 horas (quase sem dar por isso), fique concentrado a trabalhar ou a estudar. Normalmente usa-se a companhia de uma Playlist de música, porque o nível de concentração torna-os intolerantes às distrações. E depois emagrece, razão pela qual se costuma brincar com o facto do Adderall “ser bom para o Instagram”.

Tem efeitos óbvios na produtividade. É tido como a “cura milagrosa” das demências e doenças degenerativas, ou de envelhecimento do cérebro. E parece que a dosagem é o dobro por exemplo do medicamento análogo que existe em Portugal: a Ritalina.

Os contras? Não se tem a certeza se tem efeitos secundários a longo prazo. Nem todas as pessoas podem tomar, podendo originar crises psicóticas. Tem os efeitos no corpo de tomar uma vez por dia um “Speed” ou uma anfetamina…

café nootrópico
Credits: northendwaterfront.com

Mas nem todos os Nootrópicos são iguais…

O problema é que isto funciona como uma droga… Não tem dependência física, mas quem é que não se quer sentir um génio? Quem é que não quer ver as suas qualidades intelectuais elevadas ao expoente máximo? É viciante… E é o preço de se ser super-inteligente, super-concentrado e super-criativo!

Mas nem todos os nootrópicos são iguais, e começam a aparecer no mercado algumas alternativas que chamaram a nossa atenção.

Porque bebemos café? Energia e produtividade é quase sempre a resposta.

Mas dentro em breve poderá ser comum beber um “café nootrópico”, que aliás já existe à venda, e não tem os efeitos tão violentos como o Adderall ou a Ritalina.

Credits: Thinking Cup

O Futuro são os “cafés inteligentes”

64% das pessoas bebe um café para começar o dia de trabalho, segundo a National Coffee Association, e a indústria do café nos EUA é de US $ 36 bilhões anualmente.

Agora está mais uma opção a ser adicionada a este mix de mercado: os Nootropic Coffees!

As pessoas já utilizam o café para gerar de forma moderada estes efeitos. Por isso, nos cocktails de nootrópicos é normal ver associado alguns ingredientes do café como a cafeína e a L-teanina.

Por isso há quem considere já que esta associação é perfeita, e começou a ser comercializado.

E está à venda na AMAZON e no EBAY. São estas as marcas mais conhecidas:

Kimera Koffee:

café nootrópico

Os fabricantes de Kimera Koffee afirmam ter criado “uma mistura especial” para “turbinar” o cérebro”. Segundo os próprios, combinaram grãos de café orgânicos da República Dominicana com aminoácidos e nootrópicos para criar uma bebida “robusta” e complexa ”. E que aumenta a energia e a função cognitiva. O Kimera não tem mais cafeína do que uma chávena de café normal.

THINKNOO: “uma experiência de café mais inteligente”…

Os fabricantes de Thinknoo desenvolveram dois conceitos de nootrópicos na sua marca: o NooStart e NooReset, para serem tomados logo de manhã e no final do dia, respectivamente. Segundo os próprios melhora a energia mental e o “focus”.

Mastermind Coffee Co.

O café orgânico Hyperfocus da Mastermind contém também Erva-Mate, conhecida na América do Sul por aumentar a clareza mental e a energia. A “função cognitiva é aumentada” e proporciona uma “clareza mental incomparável”…

Além destes 3 exemplos, há também o “Lucy Jo’s Coffee”, o Bullet Proof Coffee, e o Genuine Healthy Coffee… A questão é mesmo identificar uma tendência, que parece estar a ficar na moda num futuro próximo. E outros produtos do género são esperados…

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