Há várias alternativas para se encontrar vida no nosso sistema solar. Umas mais fortes do que outras, principalmente se estivermos a procurar vida nas condições exactas em que a encontramos na Terra. Se calhar até estamos a procurar mal, ainda não sabemos. Tudo indica que será mesmo o legado da Geração dos Millennials (os nascidos entre 1980 e 2010), a descoberta de vida no nosso sistema solar (ou seja, para breve). É por isso que a NASA quer enviar um submarino à Lua Titã, lua de Saturno, entre 2025 e os próximos 20 anos a contar de 2018. E depois demorará cerca de 7 anos até à sonda com o submarino chegar à Lua de Saturno…

Mas como dizia as alternativas são várias: Enceladus (Lua de Saturno), Titã (Lua de Saturno), Europa (Lua de Júpiter), Ganimedes (Lua de Júpiter) e eventualmente poderemos ser surpreendidos com Marte. Depois disso teremos que ter naves espaciais mais potentes para procurarmos vida fora do nosso sistema solar, porque não nos deverão restar muitas mais alternativas…

A velocidade com que procuramos “vida extraterrestre”, está a aumentar com a convicção de que a vamos efectivamente descobrir dentro do nosso sistema solar.

Estão já agendadas as missões JUICE e Clipper, a serem lançadas por volta de 2020, para investigarem as Luas Europa e Ganimedes (luas de Júpiter), mas também Enceladus (Lua de Saturno), onde há uma enorme probabilidade de existir qualquer tipo de vida.

Mas e Titã, lua de Saturno?

Crédito: NASA/JL sonda Cassini

Esta lua em órbita de Saturno está repleta de mares e lagos. E onde há água em estado liquido, muitas vezes há vida. Graças à sonda espacial Cassini (R.I.P), ficámos a saber que Titã é o único lugar no nosso sistema solar onde encontramos líquidos de superfície (sem camada de gelo a proteger).

Isso faz com que a NASA pense que é um ótimo lugar para procurar vida extraterrestre, apesar de existirem condições que se apresentam como uma mistura letal para a vida como a conhecemos, uma vez que juntamente com essas águas estará uma mistura de metano-etano (algo onde um humano jamais gostaria de mergulhar a cabeça, pelo menos sem equipamento à altura)…

Bom, a NASA está a considerar enviar uma nave espacial a 1,29 mil milhões de kilómetros de distância da Terra, até Titã em data posterior a 2025, e transportando um submarino para mergulhar em seus mares nocivos…

Esta é uma missão desenhada pela Washington State University em parceria com a NASA, para se construir um submarino que resista aos -300 graus Fahrenheit ou aos -184 graus Celsius… Os investigadopres recriaram um oceano como existe em Titã, em laboratório.

Os resultados desse estudo foram já publicados, recentemente num artigo na revista Fluid Phase Equilibria.

Não há boas noticias no que diz respeito à navegabilidade de um artefacto humano em ambiente tão frio. Ou talvez haja: A equipa da Universidade Estadual de Washington determinou que, devido a uma pequena quantidade de nitrogénio, os lagos congelam a temperaturas mais baixas do que a da superfície, -198 ° C (-324 ° F). “E isso é muito importante”, disse Ian Richardson, ex-aluno de pós-graduação da Escola de Engenharia Mecânica e de Materiais da WSU, num comunicado que recentemente fez à imprensa. “Porque isso significa que não temos que nos preocupar com icebergs”.

Ian Richardson foi o primeiro “ganhador” do WSU da NASA Space Technology Research Fellowship, e está na dianteira desta missão.

Como funcionará esse submarino?

Ver aqui neste curto vídeo da NASA, como funciona o submarino:

Este submarino será composto de 4 principais instrumentos: um sonar, um sensor meteorológico, uma vela retractil e uma “pele” ou cobertura hidrodinâmica.

E esta cobertura porque o problema em Titã não é de todo o de repetir a tragédia do Titanic, com os icebergs. É que o submarino só funcionará bem desde que não gere calor a mais…

Para se descobrir como o calor gerado afetaria os oceanos líquidos de Titã, a equipa da WSU colocou um aquecedor de duas polegadas na câmara de testes, simulando os mares de Titã. Se o calor gerado for demasiado começará a formar bolhas de nitrogénio o que estragaria as trajetórias do submarino em Titã, poderia afundá-lo ou fazê-lo flutuar sem conseguir afundar, e isso impediria a missão.

Infelizmente não se espera muitas fotografias para esta missão. Já aconteceu a todos estarem numa pista de ski ou na neve, e de repente o telefone ficar sem bateria (por causa das baixas temperaturas que esvaziam a bateria). E apesar de se estar a trabalhar numa câmera que possa tirar fotografias nos mares de Titã, não é garantido que se consiga.

Ainda mais sobre Titã:

Tita Saturno
Crédito: Astronomy Now, Kraken Mare, Titã

Titã é um lua de Saturno que se encontra a 1.29 mil milhões de Kilómetros de distância na Terra. Está repleta de lagos e mares e tem uma atmosfera densa, tal como na Terra. Aliás é a única lua com uma atmosfera tão densa como na Terra ou como em Vénus.

Esta lua é maior do que o planeta Mercúrio, e está povoada com nuvens geladas que são formadas no seu polo sul.

A sua atmosfera é feita de nitrogénio e metano, ao contrário da Terra onde a atmosfera é feita principalmente de oxigénio.

Esta atmosfera faz com que esta lua seja particularmente brilhante, e difícil de observar a partir da Terra. Foi com a sonda Cassini, que fez mais de 100 “flybys” entre 2004 e 2017 e os instrumentos da Huygens que começaram a desvendar os mistérios desta lua brilhante…

Se aqui existir vida ela será completamente diferente da vida que conhecemos na Terra, tendo a base em metano por exemplo. Ou seja, nos seres humanos o corpo é cerca de 75% água, portanto caso se encontre alguma coisa, será completamente para além da nossa imaginação.

A zona escolhida para o submarino pesquisar, será o Kraken Mare. E esperemos que não demore muito até começar esta missão…

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