Fato de astronauta lunar.

Este ano, com curadoria da British Interplanetary Society, a Maker Faire Rome criou a Makers for Space, um espaço dedicado à exploração espacial. Todo o pavilhão 5 da Fiera di Roma foi dedicado à robótica e mecatrónica avançadas. Nessa zona, podíamos encontrar robots afetivos e colaborativos, robótica industrial e veículos de alta tecnologia. Iremos explorar alguns desses projetos em futuros artigos.

O espaço Makers for Space contava com outras mostras na área aeroespacial. Estavam patentes aplicações de impressão 3D na criação de pequenos aviões. Algumas escolas técnicas e superiores italianas demonstraram também projetos de construção e lançamento de foguetões sonda. Universidades mostravam os seus projetos entre a robótica avançada e drones autónomos. Finalmente, empresas demonstravam tecnologias para o espaço.

Makers For Space: 50 Anos das Missões Apollo

Maquete do Saturn V pelo coletivo ASIMOF.

No entanto, a zona que mais se destacava foi a área Makers For Space. Foi concebida para comemorar duas efemérides: o projeto San Marco, o primeiro satélite italiano, e o quinquagésimo aniversário do programa Apollo. Estes projetos deram o mote a esta celebração no âmbito da Maker Faire Rome.

Não havia que enganar. A zona era dominada por uma gigantesca reprodução à escala do foguetão Saturno 5, criada pela ASIMOF um grupo de modelistas especializados em recriar artefatos da era espacial. Sediados em Varese, dedicam-se à construção de réplicas fiéis de veículos espaciais, e organização de conferências sobre o espaço.

Makers For Space: 50 anos do Progetto San Marco

San Marco I, o primeiro satélite italiano.

Logo ao lado, podíamos visitar uma exposição alusiva ao Progetto San Marco. Este foi o ponto de partida da indústria espacial italiana, tendo sido iniciado há cinquenta anos numa parceria com a NASA. Este projeto desenvolveu o primeiro satélite italiano. Denominado San Marco 1 (podem reparar que há um padrão nestas nomenclaturas), foi lançado a 15 de dezembro de 1964. Com este projeto, a Itália tornou-se a quinta nação a desenvolver e colocar satélites em órbita, tendo utilizado um lançador Scout da NASA. O projeto dá hoje o nome a um centro de pesquisa da Università degli Studi di Roma “La Sapienza”.

A exposição dedicada ao projeto continha maquetes detalhadas, à escala real, do satélite San Marco 1. Os visitantes podiam também apreciar muita documentação técnica, com os planos detalhados em exposição. Com esta exposição, a Maker Faire Rome homenageou um momento histórico da exploração espacial italiana.

British Interplanetary Society – Italian Section

Friso da exposição Makers for Space.

A British Interplanetary Society também marcou presença, embora o seu espaço primário fosse mais dedicado a mostrar publicações e merchandising. Exceção feita ao modelo do Skylon, aquele eterno projeto vaporware britânico que desde que me lembro, promete ser uma aeronave capaz de descolar em direção ao espaço, mas da qual nunca se vê mais do que maquetes e desenhos técnicos.

Seria uma injustiça avaliar a participação da British Interplanetary Society apenas pelo seu stand mais visível. De fato, a curadoria da área Makers for Space da Maker Faire Rome ficou a cargo da secção italiana desta sociedade britânica de promoção da exploração espacial. Organizaram um programa de visitas guiadas e apresentações Mark Hempsell da Hempsell Astronautics, David Baker, editor da revista Spaceflight, e Don Eyles, um programador informático que trabalhou no projeto Apollo, tendo estado envolvido em todas as missões lunares.

Artefatos das Missões Apollo em Exposição.

Réplica funcional do Apollo Guidance Computer.

Para além da presença de personalidades ligadas à exploração espacial, a British Interplanetary Society – Italian Section desafiou museus e centros de pesquisa a ceder material para uma muito bem concebida área expositiva. Nessa zona, os visitantes podiam ver, entre outros artefatos, um informativo friso cronológico da história da exploração espacial ou capas originais dos jornais italianos a relatar a primeira alunagem da humanidade. A exposição continha muitos artefatos técnicos, entre diários de bordo dos astronautas, manuais de referência, maquetes de engenharia e instrumentos de cálculo e navegação, todos respeitantes às missões Apollo.

O destaque nessa área foi para a réplica à escala e funcional do Apollo Guidance Computer. Este foi o computador que foi instalado nos módulos de comando e lunares das missões Apollo. O equipamento era em primeiro lugar a peça central dos sistemas de navegação e controlo das naves Apollo. A réplica foi construída por engenheiros ligados à British Interplanetary Society, emulando o funcionamento do computador histórico.

Pilotar Naves Espaciais

Para quem desejasse saber como pilotar uma nave espacial, a British Interplanetary Society instalou três simuladores de voo. Estes replicavam os painéis de instrumentos e comandos de naves espaciais. Os visitantes puderam experimentar como se faz uma manobra de acoplagem da nave Soyuz à Estação Espacial Internacional. Usando um simulador do módulo de Comando e Serviço Apollo, podia-se experimentar as manobras orbitais da missão. E, com um simulador do módulo Lunar, era possível tentar uma aterragem na lua. Os simuladores eram realistas em termos de software e hardware. Os das missões Apollo utilizaram uma implementação do software original do Apollo Guidance Computer, para maior realismo.

Veja algumas imagens que mostram a exposição Makers For Space:

Auxiliares de cálculo para os engenheiros das missões Apollo.
Artefatos da era Apollo.
Documentação e manuais de treino das missões Apollo.
Linhas de código do Apollo Guidance Computer.
O impacto da primeira alunagem, nas capas de jornais italianos.
Tentar manobras orbitais num simulador Apollo Command Module.
Exposição Makers for Space.
Guias rápidos para astronautas.
Fato de astronauta lunar.
Makers for Space, uma exposição acarinhada pelos visitantes.
Artefatos das missões Apollo.
Pilotar um Apollo CSM.
Simular a alunagem com o simulador Lunar Lander.
Friso cronológico da história da exploração espacial.
Diário de missão de Gene Kranz.
Maquetes e artefaros técnicos das missões Apollo.
Maqueta do Saturn V, pelo coletivo ASIMOF.
Maqueta do Saturn V, pelo coletivo ASIMOF.
Fotos e artefatos para treino nas missões lunares.

Maquetes gigantes, simuladores, fatos espaciais. Para além de muitos artefatos da história das missões Apollo, e uma homenagem aos primeiros passos de Itália no espaço. Com curadoria da British Interplanetary Society – Italian Section, a Maker Faire Rome 2018 comemorou o grande sonho que é a exploração espacial.

O Bit2Geek esteve presente na Maker Faire Rome 2018. Ao longo dos próximos dias, traremos aos nossos leitores alguns dos momentos e projetos desta que é o maior encontro europeu da cultura maker.

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Professor de TIC e coordenador PTE no AEVP onde dinamiza os projetos As TIC em 3D, LCD - Clube de Robótica; Fab@rts: o 3D nas Mãos da Educação, distinguido com prémio de mérito da Rede de Bibliotecas Escolares. Distinguido com o prémio Inclusão e Literacia Digital em 2016 (FCT/Rede TIC e Sociedade). Licenciado em ensino de Educação Visual e Tecnológica, Mestre em Informática Educacional pela Universidade Católica Portuguesa. Correntemente, frequenta pós-graduação em Programação e Robótica na Educação pelo Instituto de Educação da Universidade de Lisboa. Tutor online na Universidade Aberta. Formador especializado em introdução à modelação e impressão 3D em contextos educacionais na ANPRI (Associação Nacional de Professores de Informática) e CFAERC. Co-criador do projeto de robótica educativa open source de baixo custo Robot Anprino. Colaborador do fablab Lab Aberto, em Torres Vedras. O seu mais recente projeto é ser um dos coordenadores do concurso 3Digital, que estimula a utilização de tecnologias 3D com alunos do ensino básico e secundário.