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A descoberta de vida extraterrestre (ET) é o santo graal da astronomia actual, juntando disciplinas como astrobiologia, astroquímica ou astrogeologia. A definição de vida a escala molecular e como se iniciou na Terra são temas com ainda muitas perguntas por responder. Por isso, é ainda ambíguo quais as moléculas ou aminoácidos cuja detecção seria por si só prova irrefutável da presença de vida. No entanto, há um tipo de vida que poderia produzir sinais cuja detecção seria, em teoria, inequívoca – vida inteligente.

SETI

O SETI (“search for extraterrestrial intelligence“), fundado em 1984, é um instituto de pesquisa multidisciplinar que se dedica à procura de inteligência ET. Contando com a colaboração de ilustres como Carl Sagan ou Paul Allen (co-fundador da Microsoft), uma das inspirações para esta missão foi a equação de Frank Drake (um dos fundadores), onde é estimado o número de civilizações extraterrestres inteligentes na nossa galáxia com as quais poderíamos estabelecer comunicação. Para isso, o SETI utiliza um instrumento especialmente desenhado para o efeito – o Allen Telescope Array (ATA) localizado nas Montanhas Cascade na Califórnia, Estados Unidos da América. O Carl Sagan Center for Research, departamento de pesquisa e investigação do SETI, engloba estudos nas áreas de astronomia e astrofísica, exoplanetas, astrobiologia, clima e geofísica, exploração planetária e a própria procura por inteligência ET. Um dos projectos mais interessantes do SETI é o Breaktrough Listen, lançado em 2015 com a contribuição de Stephen Hawking. Este projecto utiliza 3 telescópios para detectar emissões num largo espectro, ou seja, radiação de vários comprimentos de onda e energia (ultravioleta, visível, infravermelho e rádio), estudando estrelas vizinhas, a via láctea e até mesmo galáxias próximas. Um dos instrumentos é tão sensível que conseguiria detectar um feixe de laser industrial a uma distância interestelar.

RRR – Rajadas de Rádio Rápidas

Um dos fenómenos mais misteriosos e interessantes observados a partir da Terra  são os “fast radio bursts”, rajada rápida de rádio (RRR) em português. Tratam-se de intensas emissões de rádio de curta duração, na ordem dos milissegundos, provenientes de galáxias distantes. Embora a forma como são produzidas permaneça um mistério, há teorias de que estas emissões poderão ser causados por tecnologia de civilizações avançadas. De todas as RRR registadas apenas uma foi detectada múltiplas vezes proveniente da mesma fonte – todas as outras são detecções de um único evento da mesma fonte. O nome original dessa repetida RRR é FRB 121102, mas é também conhecida como repeater, para os amigos.

Inteligência Artificial “à escuta” 

Seti extraterrestre
Credits: Breakthrough Listen / Danielle Futselaar

As RRR do repeater provêm de uma galáxia anã a 3 mil milhões de anos-luz da Terra, ou seja, foram emitidas há 3 mil milhões de anos… será que os “ET emissores” ainda estão vivos? O projecto Breakthrough Listen já havia detectado, em 2017, 21 novas emissões do repeater, utilizando o Green Bank Telescope (GBT) em West Virginia, E.U.A. (ver artigo). Das 21 emissões referidas, 18 ocorreram nos primeiros 30 minutos e as restantes 3 nos 30 minutos seguintes, num total de 6 horas de observações. A alternância entre períodos de inactividade e períodos de frenesim, assim como variações no comprimento de onda emitido, tornam estas RRR ainda mais misteriosas e fascinantes. Recentemente, utilizando técnicas de “machine learning”, foram detectadas mais 72 RRR inicialmente “escondidas” nos dados das observações de 2017. As técnicas usadas em “machine learning” baseiam-se na adaptação de um algoritmo para que actue como uma rede neural, permitindo uma análise da dados mais precisa e eficaz e (a parte mais interessante) evoluindo como uma inteligência artificial. Sim, é verdade, estamos mesmo a utilizar “inteligência artificial” para detectar inteligência extraterrestre. Faz todo o sentido!

Esfera de Dyson

Seti extraTerrestre
Credits: Danielle Futselaar, www.artsource.nl

Uma das ideias mais fantásticas no campo da inteligência ET, é a esfera de Dyson. Este conceito teórico, populariado por Freeman Dyson em 1960, baseia-se na ideia de que uma civilização avançada será capaz de extrair energia directamente de uma estrela. Apenas uma pequena fracção da energia produzida por uma estrela chega à superfície de um planeta, pelo que a forma mais eficiente de extrair energia será através da colocação de um aparelho de recolha o mais próximo possível da estrela – esse aparelho seria a mega estrutura “esfera de Dyson”. Mas esta ideia “utópica” pode muito bem ser real… Um mecanismo de Dyson é umas das explicações possíveis para o fenómeno detectado na estrela KIC 8462852, mais conhecida por estrela “Tabby” em homenagem a Tabetha Boyajian, autora do artigo que detectou o fenómeno desconhecido. A estrela apresenta diminuições anómalas e aperiódicas no seu fluxo de luz, algo que neste caso não é explicado por muitos dos efeitos astrofísicos mais comuns neste tipo de anomalias (transito de planetas, manchas na superfície estelar ou variação intrínseca da estrela). Até agora, esta estrela peculiar, naturalmente vigiada pelo instituto SETI, permanece um mistério fascinante!

Está aí alguém?

Arecibo Seti
Credits: www.seti.org

Se estamos à “escuta” de vida inteligente… Será que há vida inteligente também à nossa procura? Com esta questão em mente, em 1974 promoveu-se a mais potente transmissão deliberadamente direccionada para o espaço (note-se que todas as emissões de rádio acabam também por sair do planeta). A transmissão teve uma duração total de 3 minutos e consistiu numa mensagem pictorial codificada em bits (“zeros” e “uns”), onde se representava, entre outros, o próprio radiotelescópio de Arecibo (antena de 300 metros de diâmetro), o sistema solar, o nosso ADN e uma figura humana. A transmissão, com uma duração total de 3 minutos, estará agora a 44 anos-luz da Terra. Ou seja, uma civilização inteligente que esteja a essa distância e que tenha uma antena semelhante “à escuta” (ou a gravar) no exacto momento em que a mensagem lhe chegue, conseguirá detectar vida inteligente vinda da direção do Sol. Nós não temos (ainda) prova da existência de inteligência ET, mas graças a esta transmissão, outra civilização poderá já ter essa certeza! …De nada!

***Aceite a sugestão do Bit2Geek e leia IA que emite sinais de rádio para ver pessoas através das paredes