Hubble
Crédito: NASA

O Telescópio Espacial Hubble da NASA, não recebia nenhum ajuste ou reparação há quase 10 anos, mas no início do mês de Outubro teve uma avaria. Essa avaria estava centrada num dos 3 giroscópios, o que levou á suspensão das operações científicas para averiguação do problema.

Resumidamente, os giroscópios servem para apontar o Hubble numa certa direcção, ou em direcção a um alvo. Uma vez que os objectos se encontrarem em movimento, o Hubble tem que acompanhar esse movimento para se manter focado.

Por isso, a suspensão de operações e activação do modo de segurança é uma medida que apenas significa que o Hubble passa a estar reconfigurado para que os controladores terrestres possam diagnosticar o problema e perceber se este tem solução.

Cada giroscópio do Hubble é altamente sensível. Para que se procedam ás observações precisas que dele são retiradas, as suas rodas de direcção, montadas dentro de um cilindro de gás, atingem as 19.200 rotações por minuto, e funcionam como rodas de “reacção” para apontar para o local desejado. Os giroscópios com gás são silenciosos e a ausência de ruído cria estabilidade na observação, principalmente se o telescópio espacial tiver que fazer bastantes movimentos (como acontece no caso do Hubble).

hubble telescopio
Crédito: NASA

28 anos e meio, no Espaço…

O Hubble está em órbita há cerca de 28 anos e meio, desde que o Space Shuttle Discovery o deixou a orbitar em 1990, com a STS-31 (ou trigésima quinta missão a usar um vaivém espacial). Depois disso o Shuttle Atlantis, no STS-125 (ou a quinta e última missão do Atlantis ao serviço do Hubble Space Telescope), seis novos giroscópios foram instalados, prolongando o tempo de vida do HST.

Como o Espaço é um local perigoso, que tem objectos a voar a grande velocidade, etc, qualquer tipo de equipamento espacial é concebido com um elevado número de redundâncias – com vista a evitar as avarias críticas. O Hubble não foge á excepção e por isso precisa de pelos menos 3 giroscópios para executar as suas funções com o maior grau de exactidão possível. Contudo o Hubble só precisa de um giroscópio para funcionar.

O giroscópio em questão vinha a dar sinais, através dos sensores de monitorização instalados no Hubble Space Telescope, há cerca de um ano, sendo que outros dois já estavam avariados. Portanto os três giroscópios restantes que foram instalados tardiamente nas missões de “aprimoramento”, e que se espera que tenham vidas muito mais longas, são aqueles que podem sustentar o Hubble agora….

Ainda assim, a NASA convocou um Anomaly Review Board, composto por engenheiros do Goddard Space Flight Center e no Space Telescope Science Institute, para analisar a telemetria do telescópio espacial (telemetria são os dados de monitorização emitidos pelo Hubble para os controladores terrestres), e perceber quais são os eventuais procedimentos para voltar a pôr os giroscópios avariados a funcionar (uma vez que o Hubble deve usar sempre um mínimo de 3, simultaneamente).

As reparações do Hubble, por caras que possam parecer, têm como objectivo deixá-lo em funções pelo menos até 2030.

Duas semanas depois…

O giroscópio avariado foi substituído nas suas tarefas por um giroscópio de backup. Mas o giroscópio de backup começou a funcionar incorrectamente, devolvendo velocidades de rotação dos mecanismos interiores a velocidades extremamente altas, o que significa na prática uma nova avaria.

Foram feitos mais uns testes e parece que se conseguiu aparentemente devolver o giroscópio a taxas de rotação normais. A NASA explicou que os giroscópios têm 2 modos de funcionamento. Um de alta rotação que só é utilizado quando o Hubble muda de alvo e gira no Espaço, e um modo de baixa rotação utilizado para estabilizar o telescópio quando o telescópio trava e tem que ficar imobilizado para focar o alvo. Tendo sido activado no modo errado, aquilo que se fez foi simplesmente reiniciar o seus computador de bordo, reactivando-o antes dos giroscópios começarem a funcionar.

Esta experiência foi feita a 16 de Outubro passado, e como não resultou na solução do problema, desconfiou-se que fosse um qualquer tipo falha na engrenagem que não permitisse o bom funcionamento do giroscópio.

Para “limpar” o problema de vez, aquilo que se fez foi rodar o telescópio em direcções opostas, passando do modo alto para o modo baixo. Após passar-se dias nestas experiências, o problema parece ter agora sido ultrapassado. Possivelmente poderá ter sido qualquer mini-falha no giroscópio derivada de ele ter estado cerca de 7 anos e meio fora de funcionamento.

Actualmente, numa altura em que o Hubble se aproxima do seu 30º aniversário, recordamos a recente imagem captada pelo Hubble da galáxia espiral denominada Messier 95 (também conhecida como M95 ou NGC 3351).

Hubble telescópio espacial
Crédito: Telescópio Espacial Hubble

Localizada a cerca de 35 milhões de anos-luz de distância, na constelação de Leão, esta espiral foi descoberta pelo astrónomo Pierre Méchain em 1781 e catalogada pelo astrónomo francês “caçador de cometas”, Charles Messier, apenas quatro dias depois.

A Messier 95 costuma ser palco de finais de estrelas massivas, chamadas de supernovas, como aconteceu por exemplo em Março de 2016 quando se deu a supernova SN 2012aw, que foi observada num dos braços da espiral desta galáxia.

Neste caso concreto, a supernova era uma super-gigante vermelha (enorme mesmo), cerca de 26 vezes mais massiva que o nosso sol.

As supernovas são autenticamente as velas ou luzeiros do céu, uma vez que são elas que iluminam durante horas, dias ou meses, zonas do espaço escuro, que de outra forma não poderiam ser observadas.

Mais sobre o Hubble:

***Aceite a sugestão do Bit2Geek e leia LOP-G Gateway: o primeiro passo para colonizar a Lua foi ontem