mundos oceânicos
Crédito: Enceladus, Lua de Saturno. NASA/JPL

Está a ser desenvolvido um plano para estudar os mundos oceânicos do nosso sistema solar. Uma equipa liderada por uma cientista sénior do Planetary Science Institute, Amanda R. Hendrix, juntamente com Terry A. Hurford da NASA Goddard Space Flight Center, publicaram recentemente um artigo intitulado “Roteiro da Nasa para os mundos oceânicos” – Roadmaps to Ocean Worlds (ROW).

A equipa do ROW pertence ao Grupo de Avaliação de Planetas Externos da NASA, e defendem que se deve criar um programa de exploração que estuda todo o espectro dos mundos oceânicos: não apenas a exploração de mundos oceânicos conhecidos, como Europa (Lua de Júpiter), mas também de todos os mundos oceânicos candidatos.

Europa, Enceladus e Tritão

E no sistema solar são vários. Aliás, num sistema solar com 9 planetas (Mercúrio, Vénus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Neptuno e Plutão – que desde 2006 é considerado um planeta-anão), temos possivelmente 10 mundos oceânicos conhecidos, segundo o Laboratório de Propulsão a Jacto da NASA:

O planeta Terra, Ceres – planeta-anão localizado na Cintura de Asteróides entre Marte e Júpiter, embora mais perto da órbita de Marte, Europa – Lua de Júpiter, Ganimedes – Lua de Júpiter e maior lua do Sistema Solar. Também Calisto – Lua de Júpiter, Enceladus – Lua de Saturno, Titã – Lua de Saturno, Mimas – Lua de Saturno, Tritão – Lua de Neptuno, e Plutão.

Crédito: EUropa, Lua de Júpiter. NASA/JPL

Este mapa para procurar vida nos mundos oceânicos do nosso sistema solar estabeleceu que nos devemos concentrar já no estudo dos mundos oceânicos confirmados, como Enceladus, Titã e Europa. Para estes foi considerado que devemos enviar missões com capacidade para procurar vida, no curto prazo.

Para os mundos oceânicos “não-confirmados”, estabeleceu-se que a prioridade é atingir Tritão, a Lua de Neptuno, o mais depressa possível.

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Crédito: Tritão, lua de Neptuno. NASA/JPL.

Este estudo do ROW foca-se na dificuldade em, de forma coerente, procurar vida no nosso sistema solar uma vez que os principais candidatos são mundos oceânicos, e o desconhecimento dos oceanos terrestres é quase total. Por esta razão o estudo apresenta dados com vista a pedir a colaboração com cientistas que estudam o Oceano Terrestre, contribuindo significativamente para as missões da NASA aos mundos oceânicos. É aliás e de forma directa que o ROW explica que esta é a única forma de planear missões “empreendidas com seriedade”.

“O objetivo primordial de um programa de mundos oceânicos deve ser identificar os oceanos, caracterizar os seus oceanos, avaliar sua habitabilidade desses mundos, procurar por vida e, finalmente, entender que tipo de vida poderemos encontrar”, disse Hendrix.

Sobre o Oceano terrestre

Segundo os dados da Ciência Viva, o Oceano é o maior e menos explorado lugar do planeta, com menos de 5% da sua extensão a ser conhecida.

Contudo, de facto o Oceano é a componente física dominante do nosso planeta, cobrindo, aproximadamente, 70% da sua superfície. Existe portanto na Terra um Oceano com diversas bacias, tais como o Atlântico Norte, o Atlântico Sul, o Índico, o Pacífico Norte, o Pacífico Sul e o Ártico.

Além disso a maior parte da água da Terra (cerca de 97%) encontra-se no Oceano. É também o Oceano que absorve muita da radiação solar que atinge a Terra, libertando calor através da evaporação de grandes quantidades de água, o que impulsiona a circulação atmosférica.

O Oceano é também responsável pela produção da maior parte de oxigénio disponível no planeta Terra, sendo que em cada duas inspirações que fazemos, uma delas é produzida pelo oceano (cada vez mais poluído).

O Congresso norte-americano tinha já em 2016 solicitado à Administração da NASA que fosse criado um Programa de Exploração Mundial dos Oceanos, cujo principal objetivo seria descobrir vida existente em mundos oceânicos “extraterrestres” e avaliar o estado de decadência planetária (na Terra). O documento contendo essas informações pode ser consultado aqui.

O JASON 3…

O Jason-3 é a quarta missão de uma série de missões de satélites norte-americanas, que medem a altura da superfície do oceano, ou seja fazem o seu mapeamento.

Lançada em 17 de janeiro de 2016, esta missão  está a estudar a superfície oceânica (colinas e vales da superfície no mar) iniciadas pela missão satélite TOPEX / Poseidon em 1992, e continuadas pelo satélite Jason-1 (lançado em 2001), e pelas as missões OSTM / Jason-2 (lançadas em 2008).

Essas medições fornecem aos cientistas informações críticas sobre padrões de circulação no oceano e sobre mudanças globais e regionais no nível do mar e sobre as implicações climáticas de um mundo em aquecimento.

O Jason-3 é um altímetro de radar que mede as variações do nível do mar sobre o oceano global com uma precisão muito alta (1,3 polegadas ou 3,3 centímetros).

Talvez mais do que mapeamento…

Portanto a questão é outra… Se já conseguimos fazer o mapeamento do oceano via satélite, a criação de uma task-force pedindo a colaboração dos cientistas do Mar, é autenticamente uma confirmação de que a NASA tem urgência em estudar pelo menos 3 locais do nosso sistema solar, que é a nossa vizinhança no Espaço, por suspeita de lá poder encontrar vida. Não é nenhuma teoria da conspiração, porque é dito no estudo publicado directamente.

Repetindo a frase do chefe da missão da NASA (Hendrix) e que dirige o ROW “o objetivo primordial de um programa de mundos oceânicos deve ser identificar os oceanos, caracterizar os seus oceanos, avaliar sua habitabilidade desses mundos, procurar por vida e, finalmente, entender que tipo de vida poderemos encontrar”.

O curioso disto tudo é que as condições para a existência de vida existem nestes locais, mas são Mix’s diferentes de substâncias, em comparação com a Terra. Portanto não se trata meramente de fazer uma mapeamento, mas sim de montar uma equipa transdisciplinar para catalogar vida.

Ou melhor, a suspeita de nestes locais se poder vir a encontrar vida é tão forte, que a NASA dá sinais exteriores de eventualmente não a saber catalogar. E isto é fascinante.

Teremos que aguardar pelos resultados das missões JUICE e CLIPPER às Luas Europa, Ganimedes e Enceladus (agendadas para 2022), e esperar pelas missões ainda não anunciadas a Titã e Tritão.

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