Não é um projeto português, mas mostra o fascínio com a robótica.

A Maker Faire Rome posicionou-se no espaço Maker como o evento de referência ao nível europeu. Apesar do seu foco em Itália, na sua comunidade Maker, escolas básicas e secundárias, universidades e empresas, a organização convidou criadores de toda a Europa para virem a Roma mostrar os seus projetos. Estes responderam. Ao longo do evento, cruzamo nos com espaços dinamizados por empresas, criadores e instituições de ensino de toda a Europa. E não só, como mostram projetos vindos do Dubai ou Venezuela (com colaboradores brasileiros).

Portugal não esteve fora desta Maker Faire. Para além do projeto Robot Anprino, no qual o Bit2Geek estava inserido, a Maker Faire Roma contou com a presença de mais dois projetos portugueses: Re.PET e Algarve Farmlab.

Re.PET: um projeto Maker of Merit.

Re.PET: máquinas que transformam garrafas de plástico PET em material de fabricação (Tauan Bernardo).

Já destacamos este projeto noutro artigo, e merece novo destaque. Vindo do Porto pela mão do seu criador, Tauan Tacchini Bernardo, este projeto recicla plástico PET. Utiliza um conjunto de máquinas que transforma o plástico de garrafas numa trama, como um tecido de plástico, com diversas utilizações. A pedido da Câmara Municipal do Porto, a equipe de trabalho do OPO’lab utilizou estas máquinas para reciclar dez mil garrafas PET para criar três mil capas para a Eco Agenda do Porto.

O engenho técnico deste maker, bem como o impacto social e ambiental deste projeto, levaram à sua distinção como Maker of Merit pelo júri do evento. É um marco importante para a comunidade Maker portuguesa.

Algarve FabFarm: A tecnologia Aplicada à Agricultura

Impressora 3D portátil para fibra de carbono (Lucio Pentagna, Algarve FarmLab),

Os fabfarms são uma importante corrente do movimento Maker. Normalmente, os makers organizam-se em FabLabs. Estes laboratórios de fabricação reúnem pessoas criativas e máquinas de fabricação digital na criação de projetos experimentais com impacto técnico, económico e social. Nos últimos anos, tem se assistido a um crescimento de projetos no domínio da agricultora, procurando soluções Maker para esta área. Em Portugal, o Algarve FabFarm tem-se distinguido pelos projetos que dinamiza nesta vertente.

Incubadora automatizada de ovos (Lucio Pentagna, Algarve FarmLab)

Situado numa quinta em Lagos, disponibiliza equipamentos de impressão 3D, CNC e outras tecnologias a todos os interessados. O seu objetivo é estimular projetos de inovação em agricultura. Para a Maker Faire Rome trouxerem dois projetos: um incubador de ovos automatizado, e uma impressora 3D portátil para imprimir em fibra de carbono.

O incubador automático de ovos pode ser utilizado para manter as condições para incubar ovos, monitorizando e controlando a temperatura, humidade e movimento. Incuba três ovos em simultâneo, com rotação para otimizar a saúde do pintainho. A impressora 3D foi concebida para ser transportável, facilmente desmontável, com volume de impressão razoável. Pode ser alimentada por baterias, e é capaz de imprimir em filamento de fibra de carbono.

Robot Anprino: nessuno studente puo essere lasciato indietro.

A experimentar o Robot Anprino.

O Robot Anprino, projeto da ANPRI criado por três professores de informática portugueses, é um kit de robótica de baixo custo. Tira partido da impressão 3D, arduino e programação baseada em blocos para fornecer às escolas kits de robótica. Inclui também formação, e conceção de cenários de aprendizagem.

Foi essa a dinâmica partilhada em Roma. A reação do público que visitou o projeto foi surpreendente. Empreendedores e pessoas ligadas à indústria elogiaram as soluções tecnológicas do Anprino. Professores italianos descobriram o que se faz cá em Portugal nestes domínios, e partilharam metodogias de trabalho. Visitantes e curiosos ficaram surpreendidos com o lado social do projeto, enfatizando a promoção da igualdade na acessibilidade à tecnologia para crianças.

As verdadeiras estrelas da participação do Anprino na Maker Faire Rome foram as crianças . Foram muitos os momentos em que o espaço da ANPRI se tornou um verdadeiro recreio, no melhor dos sentidos. Era constante ter meninas e meninos deliciados. O Anprino, como dizem os seus criadores, é um projeto de afetos. Algo que estava patente no brilho nos olhos das crianças que  o visitaram. Especialmente, no seu sorriso enquanto interagiam com os robots. Adicionalmente, deu a conhecer aos visitantes, participantes e organização da Maker Faire Rome o que se faz em Portugal nos domínios da inovação em educação.

Economia circular, ambientalismo, tecnologias Maker aplicadas à agricultura e inovação em robótica na educação. Estes três projetos portugueses, durante três dias intensos , partilharam os espaços da Fiera di Roma. Mostraram aos visitantes da Maker Faire o que se desenvolve em Portugal.

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Professor de TIC e coordenador PTE no AEVP onde dinamiza os projetos As TIC em 3D, LCD - Clube de Robótica; Fab@rts: o 3D nas Mãos da Educação, distinguido com prémio de mérito da Rede de Bibliotecas Escolares. Distinguido com o prémio Inclusão e Literacia Digital em 2016 (FCT/Rede TIC e Sociedade). Licenciado em ensino de Educação Visual e Tecnológica, Mestre em Informática Educacional pela Universidade Católica Portuguesa. Correntemente, frequenta pós-graduação em Programação e Robótica na Educação pelo Instituto de Educação da Universidade de Lisboa. Tutor online na Universidade Aberta. Formador especializado em introdução à modelação e impressão 3D em contextos educacionais na ANPRI (Associação Nacional de Professores de Informática) e CFAERC. Co-criador do projeto de robótica educativa open source de baixo custo Robot Anprino. Colaborador do fablab Lab Aberto, em Torres Vedras. O seu mais recente projeto é ser um dos coordenadores do concurso 3Digital, que estimula a utilização de tecnologias 3D com alunos do ensino básico e secundário.