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A Galeria Degli Uffizi é a mais recente entidade a utilizar tecnologias de digitalização 3D em iniciativas de acessibilidade e preservação digital do património artístico. Este é um dos museus italianos mais visitados a nível mundial, contando com um acervo de obras marcantes da antiguidade clássica ao renascimento italiano. O museu inaugurou recentemente um website que permite descobrir as obras escultóricas deste museu a partir de qualquer lugar.

Património Cultural e Digitalização 3D no Uffizi

No The Uffizi Digitization Project estão para já disponíveis cerca de trezentas digitalizações 3D de alta resolução de parte do acervo do museu, entre aras, bustos, estátuas e grupos escultóricos. O projeto é sustentado por uma parceria entre o Virtual World Heritage Laboratory da escola de computação e informática da universidade de Indiana, E.U.A., o Politecnico di Milano e a Universidade de Florença. Nesta fase, está focado na digitalização de obras escultóricas greco-romanas, tendo como objetivo digitalizar a coleção completa de escultura grega e romana do museu.

Esta digitalização em larga escala é possibilitada pelos avanços nas tecnologias de digitalização 3D, recorrendo a equipamentos de digitalização com laser, scanners portáteis ou fotogrametria, combinado com algoritmos de extração de informação espacial e processamento de malhas poligonais para obter rapidamente modelos detalhados. A análise digital de artefatos é uma prática em crescimento nas ciências sociais e humanas, em diferentes vertentes. Através de modelos digitais, é possível analisar e estudar artefatos delicados, raros ou frágeis, que poderiam ser danificados se manuseados diretamente. Utilizando imagens de satélite, arqueólogos conseguem detetar vestígios arqueológicos. Tecnologias como o Lidar ou radar de penetração de superfície são utilizadas para estudar e mapear sítios arqueológicos de forma não invasiva.

Digitalização 3D permite novas formas de estudar artefatos

O grande objetivo deste não é o de ser um substituto para a visita ao museu pelo público. A digitalização das obras permite aos académicos novas formas de as analisar. Os investigadores estão a utilizar as obras digitalizadas para efetuar reconstrução cromática da pigmentação original das estátuas, restauros virtuais ou recriação hipotética dos cenários envolventes , contextos originais, recorrendo à imagem virtual. O valor académico e de divulgação cultural é complementado pelo caráter de cópia de segurança da obra artística, que não substitui o original, mas preserva a sua forma e características em caso de destruição.

Para o público em geral, este projeto permite descobrir parte do rico património artístico de um museu que não se esgota na escultura greco-romana. Este é um dos mais importantes museus do mundo. A Uffizi reúne na cidade de Florença um impressionante espólio artístico. Inclui obras primas de Botticelli, da Vinci, Caravaggio, Ticiano, Miguel Ângelo e Raphael, entre outros grandes expoentes da tradição artística ocidental. Parte deste espantoso acervo pode agora ser visitado virtualmente em 3D por qualquer utilizador através da Internet.

Para saber um pouco mais sobre como o 3D se está a tornar uma tecnologia acessível a todos, leia o nosso guia de aplicações de modelação e digitalização 3D para dispositivos móveis.

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Professor de TIC e coordenador PTE no AEVP onde dinamiza os projetos As TIC em 3D, LCD - Clube de Robótica; Fab@rts: o 3D nas Mãos da Educação, distinguido com prémio de mérito da Rede de Bibliotecas Escolares. Distinguido com o prémio Inclusão e Literacia Digital em 2016 (FCT/Rede TIC e Sociedade). Licenciado em ensino de Educação Visual e Tecnológica, Mestre em Informática Educacional pela Universidade Católica Portuguesa. Correntemente, frequenta pós-graduação em Programação e Robótica na Educação pelo Instituto de Educação da Universidade de Lisboa. Tutor online na Universidade Aberta. Formador especializado em introdução à modelação e impressão 3D em contextos educacionais na ANPRI (Associação Nacional de Professores de Informática) e CFAERC. Co-criador do projeto de robótica educativa open source de baixo custo Robot Anprino. Colaborador do fablab Lab Aberto, em Torres Vedras. O seu mais recente projeto é ser um dos coordenadores do concurso 3Digital, que estimula a utilização de tecnologias 3D com alunos do ensino básico e secundário.