sistema de lançamento espacial

O Sistema de Lançamento Espacial (SLS – Space Launch System) é na sua essência um veículo lançador super-pesado, e que pretende corporizar os esforços de exploração espacial da NASA para o “Deep Space” ou Espaço Profundo (nomeadamente para uma missão tripulada a Marte).

O SLS apareceu na sequência da promulgação do NASA Authorization Act em 2010, que vem cancelar o Programa Constellation (2005-2009) e que previa um programa de voo espacial que abarcasse 1) a conclusão da Estação Espacial Internacional, 2) o retorno à Lua “o mais tardar em 2020” e 3) um voo tripulado ao planeta Marte como o objetivo final.

As questões que envolveram o cancelamento deste programa foram essencialmente “políticas de apoios” ou melhor, divergências  no que diz respeito aos custos e falta de apoios… Basicamente o Programa Constellation era caro demais, e resolveu-se escolher como prioridade o desenvolvimento do SLS/Orion, que aliás sofre exactamente das mesmas falhas de custo/benefício que o Constellation/Orion…

Quando George W. Bush anunciou pela primeira vez o Programa Constellation em 2004, não havia segundo os seus críticos a menor intenção de financiá-lo adequadamente. Esse papel caberia a Sean O’Keefe, o então Administrador da NASA, eventualmente através da canibalização de outros Programas. O Congresso acabou por impedir O’Keefe de transferir fundos, e este demitiu-se. Sucedeu-lhe Mike Griffin que beneficiou do facto da conclusão da ISS ter aparecido em 2011, e de ter conseguido canibalizar 800 milhões do orçamento de Desenvolvimento Tecnológico.

Tirou fundos à investigação, e pode não levantar voo…

Há quem diga que os astronautas americanos estão agora sujeitos aos “passeios” em veículos russos da Soyuz, e que a perda de capacidade de desenvolvimento de tecnologia espacial sob Griffin, empurrou a NASA para uma armadilha de “Legacy Hardware”. Portanto o SLS não parece ser um avanço, mas sim uma “paragem para ganhar fôlego” e um estagnar tecnológico por ausência de fundos.

Há uma crítica cínica, que diz que o Programa Constellation nunca foi cancelado na realidade… O SLS é a junção dos foguetões lançadores Ares I e Ares V do programa Constellation, num único veículo lançador (semelhante ao conceito Ares IV, mas muito mais potente, e não reutilizável).

E se desapareceu algum legado do Ares I, está lá a capsula Orion (também do Programa Constellation). O desenvolvimento e contínua revisão de custos, bem como a falta de apoio ao Desenvolvimento Tecnológico, está a transformar o SLS numa doença interna muito grave para a NASA.

O SLS é por isso muito caro de desenvolver e será ainda mais caro de lançar, além de que não é reutilizável e conseguirá apenas um voo a cada dois a três anos… E com uma taxa de voo tão baixa, os problemas que podem surgir em controlo de qualidade são quase sem fim.

Porquê a obsessão do SLS?? Porquê que “Size Matters”, so much?

O desenvolvimento de um lançador “Super-Pesado” para carregar “Super-Carga”, tem como objectivo não só as viagens interplanetárias (como por exemplo uma missão tripulada a Marte), mas principalmente o abastecimento da Lua com equipamento que possa garantir uma estadia prolongada de humanos.

A necessidade de estar na Lua prende-se não só com a capacidade de explorar os recursos na Lua, mas principalmente dar início à NASA Asteroid Redirect (actualmente adormecida).

Supostamente o desenvolvimento da Missão de Redirecionamento de Asteróides “terminou” sob a Directiva 1 da Política da Casa Branca, emitida em 11 de dezembro de 2017. Contudo é uma inevitabilidade, após a colonização da Lua. A Exploração de Asteróides é resumidamente aquilo que permitirá sustentar o voo espacial, bem como recolher minério raro na Terra e em grande quantidade, sendo uma fonte inesgotável de riqueza.

Após a Directiva 1 da Casa Branca o Físico Michio Kaku fez este vídeo de 4 minutos explicando de forma muito simples a razão pela qual é necessário o desenvolvimento do SLS:

A missão de redirecionamento de asteróides pretende durante a época de 2020 fazer um “harvest” de recursos, para durante 2030 lançar missões inter-planetárias muito mais longas.

Durante o ano de 2013 foram catalogados cerca de 1000 asteróides na altura, sendo que 4 deles foram considerados “bons” para iniciar o (ARM) ou missão de redirecionamento de asteróides. De facto o ARM é algo até necessário, uma vez que tal como a NASA anunciou, está a haver um aumento dramático de asteróides entre 1999 até 2018, aproximando-se cada vez mais da órbita da Terra. Portanto se alguns deles terão de ser redireccionados no futuro para não chocarem com o nosso planeta, porque não explorá-los no Espaço, em lugar seguro, como na Lua??? É inevitável!

Pensa-se que por volta de 2022 estaremos a fazer os primeiros testes de redirecionamento de asteróides, ensaios para desviar da rota os asteróides perigosos e a meio da década de 2020, estaremos a minerar os primeiros asteróides com tecnologia semelhante àquela mostrada neste vídeo:

Então que drama é este em torno do desenvolvimento do SLS?

É preciso um foguetão gigante e que aguente muita carga. Segundo a Directiva 1 da Política Espacial da Casa Branca, o objectivo é garantir um meio tripulado que nos leve de volta à Lua, e logo que possível até Marte.

Mas actualmente a agência norte-americana começou a contemplar outra hipótese: “aposentar” o SLS, o gigante-lançador que recebe a capsula Orion no topo, antecipando o surgimento de dois mega-foguetes reutilizáveis (algo que o SLS não é!). São eles o Big Falcon Rocket (BFR) que está a ser construído pela SpaceX de Elon Musk, e o New Glenn, o veículo lançador que está a ser desenvolvido pela Blue Origin de Jeff Bezos. Esta hipótese foi aliás avançada por Stephen Jurczyk, administrador associado da Nasa, à Business Insider na The Economist, há dias.

O problema é que existem argumentos “pró e contra” nesta questão do SLS – Sistema de Lançamento Espacial. Não é qualquer lançador que consegue carregar por exemplo uma carga útil de mais de 55 toneladas – aproximadamente a mesma massa de um tanque de guerra moderno. E o SLS foi pensado para levar mais do dobro!

Mas a fúria no lançamento do SLS, contra tudo e contra todos, também explica os  cronogramas agressivos de Elon Musk: ao anunciar o primeiro turista espacial para 2023 usando o BFR (Big Falcon Rocket), Musk está a pressionar a Nasa a tomar uma decisão sobre o SLS. A verdade é que não tem sentido investir num lançador não-reutilizável, quando existe um lançador reutilizável da SpaceX, muito mais barato e que pode ser contratado para lançar os astronautas da Nasa, várias vezes.

A Boeing principal empreiteiro do SLS, montou até um site promocional chamado “Watch Us Fly” para apresentar SLS e entrar publicamente em guerra com a SpaceX, afirmando claramente no vídeo que o Falcon Heavy é pequeno demais para exploração espacial desejada pela NASA.

Já não é NASA: É um problema da Boeing com a SpaceX!

Só que os problemas da Boeing não são apenas com a SpaceX: Por volta de 2021 a Blue Origin quer lançar o módulo de aterragem lunar usando o lançador New Glenn, com vista a dar início á exploração de água na Lua.

Actualmente a discussão continua com Bill Gerstenmaier, chefe do programa de voos espaciais tripulados da NASA, que afirma que o SLS tem “habilidades especiais” que o foguete Falcon Heavy não possui. Foi aliás com base nas declarações de Gerstenmaier, que o site “Watch US Fly” se apoia na defesa do SLS.

Desde 2011 que o SLS tem sobre si a acusação de não ter um cronograma genuíno. O facto de no site da Boeing estar “linkado” a uma reportagem do London Evening Standard, um jornal britânico moderado, propriedade de Alexander Lebedev, um oligarca russo e ex-operador do KGB, não ajudou a causa do SLS junto da opinião pública.

Em Maio deste ano a Boeing conseguiu mais um aliado: o site especializado Ars Technica, que deu 5 razões para o SLS (que ainda não está concluído) ser o melhor lançador. A Ars Technica diz que o SLS é o “mais poderoso, o maior do mundo, flexível, especializado e de fabricação norte-americana“…

Mas as recentes declarações de Stephen Jurczyk, parecem estar a arrumar o assunto, e o SLS não deverá ter vida longa…

***ACeite a sugestão do Bit2Geek Asteróides: NASA fez um filme a explicar como a nossa segurança piorou, muito!