Andróide InMoov.

Andróides impressos em 3D, robótica que pinta, holografia e realidade aumentada de baixo custo, impressoras 3D gigantes. Estes são os nossos destaques  na Maker Faire Galicia, em Santiago de Compostela. Em novembro, makers espanhóis, franceses, japoneses e portugueses reuniram-se na Cidade da Cultura de Galicia para partilhar o seu projeto e aprender.

Quarta Edição da Maker Faire Galicia

Entrada da Maker Faire Galicia no Museu Gaiás.

Nos dias 24 e 25 de novembro, os espaços do Museu Gaiás na Cidade da Cultura de Galicia acolheram a maior Maker Faire espanhola. Mais de quarenta projetos estiveram presentes na Maker Faire Galicia. Fablabs, ateliers educativos, escolas, universidades, empresas e criadores mostraram o que estão a fazer nos domínios da educação, inovação, robótica, hacking e desenvolvimento tecnológico na ótica DIY.

Organizada em parceria pelo fablab educativo Vermis Project e associação cultural O Gato Cósmico, a Maker Faire Galicia vai na sua quarta edição. Durante estes dias, a cidade histórica de Santiago de Compostela tornou-se um espaço de partilha de ideias e tecnologia.

Este ano, Portugal esteve representado na Maker Faire Galicia com o projeto Robot Anprino, do qual fazem parte membros da equipe do Bit2Geek. O cantinho português contou com os robots educativos desenvolvidos pela ANPRI e impressoras 3D criadas pela empresa de Aveiro BEEVERYCREATIVE. Aproveitámos a viagem para cobrir o evento, trazendo à comunidade Bit2Geek alguns dos projetos mais interessantes que visitámos nesta Faire.

InMoov, o Andróide para Construir em Casa

 

Andróide InMoov.

Visitar uma Maker Faire e encontrar um andróide InMoov é quase banal. Este é um projeto open source, criado em 2012 pelo escultor e designer francês Gael Langevin. No seu website, disponibiliza os modelos 3D dos elementos do robot, bem como instruções para o construir e programar os seus sistemas. É, por isso, uma presença recorrente nestes eventos. Há sempre um maker ou fablab que constrói um destes robots. Este projeto é acessível a todos os que dispõem de uma impressora 3D, gostem de eletrónica e programação, e não tenham medo de soldar ou apertar parafusos.

O que distingue a presença do InMoov na Maker Faire Galicia é que este, não era um clone. O evento contou com a presença do próprio Langevin. Segundo nos contou a sua esposa, o robot em exposição, que interagia com os visitantes, é o segundo InMoov a ser construído. O primeiro está preservado na casa dos seus criadores. Para além do InMoov, demonstraram o protótipo da nova mão robótica articulada para este projeto.

Dormir Melhor com Ajuda de Inteligência Artificial

Projeto japonês MPS.

Talvez merecessem ganhar o prémio de invenção mais kawaii da Maker Faire. Os japoneses da MPS trouxeram a Santiago de Compostela o seu sistema de monitorização de padrões de sono com inteligência artificial. Corre num microcomputador Raspberry Pi Zero, ao qual estão ligados uma câmara e sensores IoT. Tudo cabe dentro de uma pequena caixa em corte laser, suportada por um pequeno tripé de fotografia.

Este sistema analisa o tipo de sono do utilizador, utilizando algoritmos de reconhecimento facial para detetar as expressões do rosto ao dormir. Produz um gráfico em tempo real, que permite analisar a qualidade do repouso. Nesta fase, a integração IoT permite desligar luzes com um simples interface de gestos. Ficou por saber se, numa futura versão, o algoritmo de Inteligência Artificial conseguirá controlar dispositivos externos através da análise de expressão facial. Por exemplo, desligando luzes ou equipamentos sonoros se detetar que o utilizador está a entrar em sono profundo.

Imprimir em 3D à Escala Humana

Sistema de extrusão da impressora da MakerGal.

Torna-se cansativo vir a uma Maker Faire e ver impressoras 3D. É, talvez, o equipamento mais abundante nestes eventos. Instituições que trazem a sua impressora para mostrar o que fazem. Empresas que demonstram equipamentos comerciais. Criadores a demonstrar as impressoras que desenvolvem. Nem o projeto Anprino escapou ao padrão.

Destacamos o projeto criado pela empresa MakerGal 3D pelas suas enormes dimensões. A sua mega impressora tem um volume de impressão que se mede em metros. Sendo uma impressora Delta, que utiliza o extrusor como se fosse um pêndulo, consegue uma boa velocidade de impressão. Consegue imprimir objetos de grandes dimensões, à escala humana, com relativa rapidez. Também inova na forma como utiliza o material de impressão. Não usa bobines de filamento, por causa do volume de impressão e dimensões do nozzle do extrusor. É alimentada por um receptáculo onde se coloca PLA em grãos. O derretimento é feito na cabeça da impressora.

Holografia com Telemóveis

Protótipo do sistema de holografia e realidade aumentada Glassear.

Este foi o projeto na Maker Faire Galicia que nos fez cair o queixo. Visto de fora, não parecia nada de especial. Uma armação Google Cardboard e um telemóvel faziam pensar num projeto low cost de realidade virtual. Uma impressão que se desfez quando colocámos a armação e olhámos através das lentes. À nossa frente, em esteroscopia, a Princesa Leia repetia a famosa cena do holograma de Star Wars. Tudo sobreposto à imagem real.

Sem grandes meios, com programação de excelência, o Glassear promete tornar a simulação de holografia utilizando realidade aumentada algo de acessível. Este projeto veio de Barcelona, pelas mãos de Bruno Moya, o seu jovem criador de dezassete anos. Ficámos muito impressionados com a demonstração, e surpreendidos quando nos disse que o projeto ainda não está concluído, mas trabalha nele há cerca de quatro anos.

O Meticuloso Robot Pontilhista

Outro projeto de robótica que despertou a atenção dos visitantes foi o robot pintor criado pelo Maker José Salatino. Este criador, que também é artista plástico, adaptou uma CNC caseira para pintar retratos. Em termos mecânicos funciona como uma CNC, com uma ponta que traça percursos e pontos sobre uma superfície. A grande diferença está no tipo de ponta. Não é um instrumento de corte, mas um pincel, que o robot utiliza para pintar, mudando de cor sempre que necessário.

Para o fazer, dispõe de uma paleta de oito cores, com as quais consegue obter as tonalidades necessárias. A programação permite ao robot misturar no pincel diferentes cores, obter o tom certo para pintar. Foi este o elemento que nos surpreendeu, por ir muito mais além de robótica similar que desenham com canetas ou laser. Não se trata só de traçar linhas, mas de saber misturar cores e selecionar os tons corretos para pintar.

O sistema é controlado por uma placa arduino. Para o processamento de imagem é utilizado o Processing, combinando o algoritmo OpenCV de computação visual com programação cuidada do processo de mistura de cores. Um projeto que mistura com sucesso arte e tecnologia, desafiando os visitantes da Maker Faire Galicia.

Quarenta Projetos Desafiantes

Robot robobo.

Destacamos estes, mas muitos outros projetos nos chamaram a atenção. No espaço do atelier Trainnova, descobrimos o Robobo. Este projeto de robótica, spin off da Universidade da Coruña criou um robot educacional multifunções. O chassis contém os sensores habituais destes robots, e liga-se a um telemóvel android para tirar partido do sensores do telemóvel. aplicações e ecrã. É programado utilizando uma linguagem baseada em blocos, o que o torna amigável para as crianças. Em destaque no espaço do Vermis Lab estava o Escornabot. Este robot opensource com peças impressas em 3D, utilizando placas arduino. É programado com botões físicos, sendo indicado para crianças que estejam a dar os seus primeiros passos na robótica e programação.

Outro projeto em destaque na Maker Faire Galicia foi o Hand Solo. David Aguilar, o seu criador, nasceu com uma malformação num dos braços. Para a superar, começou a construir braços prostéticos utilizando peças de Lego. As suas próteses são funcionais, permitindo aos utilizadores ter uma vida melhor. Este, e muitos outros projetos, caracterizaram o ambiente da Maker Faire Galicia. Um espaço de partilha de ideias, ponto de encontro entre Makers e um público curioso.

Veja algumas imagens do evento:

Um robot assistente Pepper aguarda os comandos do seu programador.
Robots inúteis da competição Hebocon.
Andróide InMoov.
Robot Escornabot.
Corte laser no FabLab Extreno, de Almendralejo.
Protótipo do sistema de holografia e realidade aumentada Glassear.
Protótipo de mão para o InMoov.
Projeto do núcleo de automação da Universidade de Vigo.
A gigante impressora 3D delta trazida pelo MakerGal.
Imprimir cerâmica.
Sistema de extrusão da impressora do MakerGal.
Demonstração de braços robóticos industriais.
Pincelada a pincelada, o robot pinta.
Espaço dos DroidMakers.
Espaço do fablab educativo VermisLab.

Aceite o nosso convite e leia o artigo sobre os Makers for Space na Maker Faire Rome.

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Professor de TIC e coordenador PTE no AEVP onde dinamiza os projetos As TIC em 3D, LCD - Clube de Robótica; Fab@rts: o 3D nas Mãos da Educação, distinguido com prémio de mérito da Rede de Bibliotecas Escolares. Distinguido com o prémio Inclusão e Literacia Digital em 2016 (FCT/Rede TIC e Sociedade). Licenciado em ensino de Educação Visual e Tecnológica, Mestre em Informática Educacional pela Universidade Católica Portuguesa. Correntemente, frequenta pós-graduação em Programação e Robótica na Educação pelo Instituto de Educação da Universidade de Lisboa. Tutor online na Universidade Aberta. Formador especializado em introdução à modelação e impressão 3D em contextos educacionais na ANPRI (Associação Nacional de Professores de Informática) e CFAERC. Co-criador do projeto de robótica educativa open source de baixo custo Robot Anprino. Colaborador do fablab Lab Aberto, em Torres Vedras. O seu mais recente projeto é ser um dos coordenadores do concurso 3Digital, que estimula a utilização de tecnologias 3D com alunos do ensino básico e secundário.