Virgin Galactic

A Virgin Galactic informou recentemente a Comunicação Social de que se está a preparar para realizar uma série de voos de teste da SpaceShipTwo, que podem cruzar a “fronteira espacial”, já na quinta-feira. O módulo VSS Unity irá voar outra vez acoplado sob a nave-mãe “WhiteKnightTwo”, onde já realizou voo com duração superior a 3 horas.

A odisseia do turismo espacial continua, depois de no teste do Mojave Air and SpacePort, na Califórnia, ter ocorrido um grave acidente em 2014, tendo um dos pilotos, Michael Alsbury, morrido nesse acidente e o outro piloto, Pete Siebold, ficado gravemente ferido.

Uma VSS “revamped”!

Entretanto desde 2014 muita coisa mudou: ao primeiro SpaceShipTwo, apelidado de VSS Enterprise, que na altura foi construído pela Scaled Composites, com sede em Mojave, seguiram-se os modelos que vieram pela mão da subsidiária da Virgin Galactic, The SpaceShip Company. Agora, o “VSS” Unity (que significa Virgin Space Ship), e que está a ser testado há mais de 2 anos, já fez um voo de 52 km em altitude em Julho, e agora prepara-se para ser testado em novos limites.

Existe um grande “Hype” em torno das experiências de voo do SpaceShipTwo, de Sir Richard Branson. Fala-se bastante na conclusão do programa de testes, para que a Virgin Galactic faça a transição para voos comerciais de transporte de passageiros e cargas úteis, em viagens espaciais sub-orbitais, a partir do Spaceport America no Novo México. Cerca de 700 pessoas, incluindo celebridades como Justin Bieber e Victoria Principal, já pagaram US $ 250 mil cada um, para reservar vaga nos primeiros voos de Sir Ricard Branson.

A “barreira mágica” que é preciso ultrapassar!

Remonta a 2004 a definição de que a “borda do Espaço” seria tipicamente definida como estando a 100 quilómetros de altitude. Essa fronteira, conhecida como a Linha Karman, baseia-se no padrão adotado por entidades como a Fédération Aéronautique Internationale, ou FAI, e a Federação Internacional de Astronáutica, ou IAF.

Ainda assim, a Virgin Galactic tem-se concentrado num padrão de espaço diferente e mais modesto, que é “energeticamente” mais fácil de alcançar: 50 milhas, ou 80 quilómetros, que era aliás o limite estabelecido para os pilotos militares americanos obterem suas asas de astronauta.

O CEO da Virgin Galactic, George T. Whitesides, explicou que o padrão de 50 milhas é o que está escrito “desde o início”, nos contratos que a Virgin Galactic tem com seus mais de 600 “Future Astronauts”, preparados para os testes que vão lançar o Turismo Espacial.

No entanto esta linha mágica dos 100 km pode ser ultrapassada já esta quinta-feira nos testes da Virgin Galactic, até porque o seu principal concorrente, a Blue Origin de Jeff Bezos, já usou essa altitude nos voos não-tripulados da sua nave espacial sub-orbital New Shepard. Aliás, segundo os comunicados de imprensa, a New Sheppard deverá começar a transportar pessoas para o Espaço já durante o próximo ano.

Por enquanto persiste o debate sobre as 50 milhas e os 100 quilómetros de altitude, muito por causa de Jonathan McDowell, um astrónomo e especialista em satélites do Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics. Num estudo publicado em Julho, McDowell sugeriu que 80 quilómetros, ou 50 milhas, serviriam como um limite de espaço mais apropriado, recolocando a Virgin Galactic “em jogo”. Os argumentos apresentados nesse estudo foram convincentes o suficiente, para que a FAI e a IAF estejam a planear reconsiderar sua própria definição de 100 quilómetros já no próximo ano.

Os novos testes da Virgin Galactic

Os testes que agora se seguem são exigentes. Implicam que a aeronave-foguetão (o SpaceShipTwo), seja transportado até uma altitude de 45.000 pés sob um avião de passageiros de duas fuselagens conhecido como WhiteKnightTwo.

A essa altitude a “nave-mãe” liberta a aeronave-foguetão, para segundos depois se dar a ignição do foguetão híbrido SpaceShipTwo. Nessa altura é suposto que esse arranque demore cerca de um minuto a “disparar” para a velocidade desejada, fazendo com que atinja a sua altitude máxima prevista para o voo.

Este voo pode transportar até seis pessoas, que num trajecto desta duração poderão experimentar cerca de 4 minutos de ambiente em microgravidade.

Resta agora ver como vão decorrer os testes da Virgin Galactic na quinta-feira. Muito bem mesmo, é o que desejamos!

***Aceite a sugestão do Bit2Geek e leia As principais localizações futuras para turismo espacial em Marte.

Importante:
O Bit2Geek convidou alguns cientistas (portugueses e estrangeiros), que têm sido anunciados nos artigos anteriores, para começarem a assinar textos de divulgação científica, que possam esclarecer os leitores sobre a revolução espacial que estamos a viver… Estamos no início da conquista do Espaço, e isso não pode passar despercebido… Por isso o Bit2Geek voltou a fazer uma aquisição de peso para nos ajudar a perceber melhor estes assuntos, e que passo a apresentar:

Sevasti Filippidou

SeviA Sevasti, conhecida por nós por “Sevi” é natural de Thessaloniki (Tessalónica) na Grécia, e é microbióloga molecular especializada em bactérias que são capazes de sobreviver em condições extremas terrestres e extraterrestres. Estudou Genética Molecular (Licenciatura em Biologia Molecular e Genética, DUTH, Grécia e Mestrado em Genética Molecular, Patras, Grécia). É PhD em Ecologia Microbiana pela Universidade de Neuchâtel, na Suíça.
Actualmente está a trabalhar como investigadora de pós-doutoramento no Centro de Ecologia e Hidrologia do Reino Unido e no Centro Aeroespacial Alemão, em Colónia na Alemanha.
Desde 2012, que ensina Microbiologia, Biologia Molecular e Bioinformática a estudantes universitários, e tem dado conferências e seminários sobre a existência de vida em ambientes extremos.
A “Sevi” tem estado muito envolvida na área de comunicação e divulgação de Ciência e por isso tem participado em várias feiras científicas além de ser membro da Native Scientist.
Também criou um site sobre a vida em ambientes extremos (extremespores.com) onde comunica o resultado das suas pesquisas em três idiomas (inglês, francês e grego).