A missão “Mars 2020 rover” faz parte do Programa de Exploração de Marte da NASA, e que se afirma como um esforço de longo prazo na área da exploração robótica do Planeta Vermelho. A missão de Marte 2020 aborda as questões-chave sobre o potencial de vida em Marte no passado. Este rover sensivelmente do tamanho de um carro, com cerca de 3 metros de comprimento (sem incluir o braço), 2,7 metros de largura, 2,2 metros de altura e um peso total de 1.050kg. O seu lançamento está marcado para Julho/Agosto de 2020, quando os planetas Terra e Marte estiverem em boa posição em relação um ao outro, para realizar uma viagem tão curta quanto possível. O Mars 2020 rover deverá aterrar em  Marte, em Fevereiro de 2021 e a missão foi desenhada para durar pelo menos um ano marciano ou 687 dias terrestres.

Esta missão é muito semelhante, pelos menos aparentemente, à missão que apoiou o Rover Curiosity. Esta semelhança foi propositada, uma vez que foi uma forma de aproveitar as infraestruras de apoio do anterior rover, com a finalidade de tentar manter os custos e riscos da missão mais baixos. Assim sendo, todo o projeto foi baseado na missão do Mars Science Laboratory que colocou o rover Curiosity em Marte.

Nem tudo o que parece é…

Contudo houve “improvements” muito significativos. Por exemplo o Mars 2020 inclui um aparelho para testar um método para produção de oxigénio a partir da atmosfera marciana, bem como a capacidade para identificar outros recursos como por exemplo água subterrânea.

O rover vai também preparado com melhoramentos no que diz respeito às técnicas de aterrissagem em Marte. Embora utilize o já comprovado sistema de pouso usado no Curiosity, este sistema terá sido melhorado. O Mars 2020 vai também preparado para melhor poder caracterizar o clima, a poeira e outras condições ambientais potenciais, que podem vir a afetar futuros astronautas numa missão a Marte.

Objectivos da Missão Mars 2020

O principal objectivo do rover Mars 2020 é o de determinar se a vida já existiu em Marte.
O rover centra-se em estudos de superfície do ambiente marciano, buscando  bioassinaturas em amostras de rochas que se formaram em antigos ambientes marcianos, e em condições que poderiam ter sido favoráveis ​​à vida microbiana. Por curiosidade, esta é a primeira vez que se tenta procurar sinais da vida microbiana no passado, em ambiente fora da Terra. A razão para isso deve-se a já estar confirmada pelos anteriores rovers que Marte já teve condições de habitabilidade.

O segundo objectivo é a caracterização do clima, tentando perceber o passado de Marte. O terceiro objectivo é o de caracterizar a geologia de Marte. O Mars 2020 Rover foi projectado para revelar mais sobre os processos geológicos que criaram e modificaram a superfície marciana ao longo do tempo. As camadas de rocha na superfície marciana contêm um registo do ambiente no qual estas rochas foram formadas. Por esta razão, espera-se que as rochas que se formaram na água, preservam ainda hoje a prova da existência de compostos orgânicos ou de outra forma, os blocos de construção químicos da vida.

O quarto objectivo e mais “subjectivo”, explicado na página da Missão Mars 2020 (da NASA), é o de preparar a futura exploração humana do planeta vermelho. O rover Mars 2020 vai levar consigo tecnologias-chave para o uso de recursos naturais do ambiente marciano para suporte de vida. E também fará uma monitorização das condições ambientais para que os investigadores entendam melhor como proteger futuros exploradores humanos. Por esta razão o Mars 2020 rover inclui contribuições da Diretoria de Operações e Exploração Humana da NASA (HEO) e do Programa de Tecnologia Espacial (STP) como parte dos esforços de longo prazo da NASA, para desenvolver futuras capacidades para exploração espacial humana neste planeta.

Os Instrumentos do MARS 2020 rover

Crédito: NASA – MARS 2020 rover

Mastcam-Z, tem como Investigador Principal James Bell da Arizona State University. O Mastcam-Z é um sistema de câmera avançado, com capacidade de imagem panorâmica e estereoscópica (proporciona uma observação dos objetos em três dimensões), e também tem a capacidade de fazer zoom. Este instrumento também determinará a mineralogia da superfície marciana e auxiliará as operações de condução do rover. Este sistema está montado no mastro e fotografa em alta-velocidade.

MASTCAM
Crédito: NASA

O MEDA (Mars Environmental Dynamics Analyzer) tem como principal investigador o José Rodriguez-Manfredi do Centro de Astrobiologia, Instituto Nacional de Tecnologia Aeroespacial de Espanha.
Consiste de um conjunto de sensores que fornecerá medições de temperatura, velocidade e direção do vento, pressão, humidade relativa e tamanho e forma das poeiras.

MEDA
Crédito: NASA

MOXIE – Mars Oxygen ISRU Experiment, tem como principal investigador Michael Hecht do Instituto de Tecnologia de Massachusetts.
Este instrumento assume-se como uma tecnologia de apoio à exploração humana do planeta vermelho. O seu objectivo é produzir oxigénio a partir do dióxido de carbono atmosférico de Marte. Se o MOXIE conseguir produzir oxigénio, este será utilizado no futuro da exploração humana, não só para a respiração como também para efeitos de propulsão. Nas actuais dimensões o MOXIE consumirá cerca de 300 watts, que o fará aquecer até os 800 graus Celsius, para produzir 10 gramas de oxigénio por hora.

MOXIE
Crédito: NASA

PIXL (Instrumento Planetário para Litoquímica de Raios-X), tendo como principal investigadora a Abigail Allwood do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA (JPL), o PIXL é
um espectrómetro de fluorescência de raios X, que também contêm um gerador de imagens com alta resolução, para determinar a composição elementar de materiais da superfície de Marte. O PIXL fornecerá recursos que permitam uma detecção e análise mais detalhada de elementos químicos do que alguma vez se fez antes. O PIXL também possui uma câmera que tira fotos com “super-aproximação” das texturas das rochas e do solo. Esta câmera tem a capacidade de captar características tão pequenas como um grão de sal! O PIXL é um dos instrumentos principais para procurar sinais de vida microbiana no passado em Marte.

O PIXL pesa 4,3 kg, encaixados numa montagem de 2,6 kg. Deverá devolver à Terra cerca de 2 megabytes de dados por dia.

PIXL
Crédito: NASA

RIMFAX (Radar de Imagem para Marte)
Tendo como investigador principal Svein-Erik Hamran do Instituto de Pesquisa em Defesa da Noruega, o RIMFAX é um radar de penetração no solo, que fornece resolução à escala centimétrica da estrutura geológica do subsolo.
O RIMFAX usa ondas de radar, basicamente para sondar o solo sob o rover. Ele está localizado na parte traseira inferior do “corpo” do rover Marte 2020. Os sinais de radar devolvidos ao RIMFAX parecem-se um pouco com “sonogramas”, que mostrando estruturas alojadas sob a superfície marciana. Os sinais deste radar mudam dependendo do tipo de materiais presentes no subsolo (gelo, rocha, areia, água líquida, etc). O RIMFAX pesa 3 kg, e vai enviar para a Terra 5 a 10 kilobytes por localização sondada, apresentando uma capacidade de sondar até 10 metros abaixo do solo.

rover radar
Crédito: NASA

SHERLOC – (Exploração de ambientes habitáveis com Raman e luminescência para produtos químicos e orgânicos).
Tendo como principal investigador Luther Beegle, do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA (JPL), o SHERLOC é um espectrómetro que fornece imagens em escala e usa um laser ultravioleta (UV) para determinar a mineralogia e detectar compostos orgânicos. O SHERLOC será o primeiro espectrómetro UV Raman a voar até a superfície de Marte, e fornecerá medições complementares com outros instrumentos.

Montado no braço robótico do veículo, o SHERLOC usa espectrómetros, um laser e uma câmera para procurar por compostos orgânicos e minerais que foram alterados por ambientes aquosos e podem conter sinais da vida microbiana do passado. Pesa 3, 5kg.

SHERLOC
Crédito: NASA

A SuperCam, tem como principal investigador Roger Wiens, do Laboratório Nacional Los Alamos. A SuperCam é um instrumento que pode fornecer tanto imagens, como análise de composição química e mineralogia. Este instrumento também será capaz de detectar a presença de compostos orgânicos em rochas e regolito à distância. A SuperCam pode identificar a composição química e mineral de alvos tão pequenos como a ponta de um lápis a uma distância de 7 metros.

Supercam
Crédito: NASA

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