Marte

Quando olhamos o céu à procura do planeta Marte, sempre nos concentrámos na sua cor. Por ser vermelho os romanos chamaram-lhe Marte, em honra do Deus romano da Guerra, associando-o ao sangue. Mas não foram os únicos. Também os astrónomos chineses se concentraram na sua cor, chamando-lhe “a estrela do fogo”, enquanto os sacerdotes egípcios o apelidavam de “Her Desher”, ou simplesmente “a vermelha”.

Essa cor vermelha pela qual Marte é conhecido deve-se às rochas e poeira que cobrem a superfície do planeta, e que é rica em ferro. Por isso, e para celebrar a antiguidade do “ponto vermelho” no céu, foi dado ao vale fluvial localizado na região de Coprates em Marte, localizado a 25.4° S e 48.0° W, o nome de “Her Desher Vallis” (como lhe chamavam os egípcios), fotografado na seguinte imagem:

E Marte está cheio de surpresas. Por exemplo, nos próximos 20 a 40 milhões de anos, a maior lua de Marte, Phobos, será destruída por forças gravitacionais. Os destroços dessa Lua vão levar à criação de um anel, à semelhança daquilo que acontece em Saturno, e que pode durar até 100 milhões de anos.

Muito diferente é o planeta “gémeo” da Terra…

Marte
Crédito: Curiosity rover, JPL/NASA

Tudo é diferente em Marte… Muitas surpresas para um planeta que parece ser do tamanho de sensivelmente metade da Terra, e nunca estudamos tudo aquilo que queremos sobre ele. E porque nos surpreende continuamente, também já encontrámos “pedaços de Marte” no planeta Terra. De facto, acredita-se que vestígios da atmosfera marciana estavam dentro dos meteoritos que o planeta ejetou. Esses meteoritos orbitaram o sistema solar por milhões de anos entre os outros objetos e detritos solares, antes de entrarem na atmosfera da Terra e poderem ser recolhidos do chão.  Foi aliás o estudo desse material que permitiu aos cientistas descobrir mais sobre Marte antes de lançar missões espaciais.

Também se acredita que Marte já albergou vida, e isso já gerou algumas suposições surpreendentes. Nomeadamente com a descoberta de linhas ou sulcos na superfície de Marte. São os chamados “canali” como foram apelidados pelo astrónomo italiano Giovanni Schiaparelli. O surpreendente nesta teoria é que ele acreditava que esses sulcos não ocorriam naturalmente, e eram portanto uma prova de vida inteligente no passado. Contudo esta teoria já foi rebatida posteriormente, e ficou provado que esses sulcos “não-naturais” eram de factos causados por uma ilusão de óptica.

Também o relevo de Marte é surpreendente. A montanha mais alta conhecida no sistema solar está em Marte, e chama-se “Mount Olympus”. O Monte Olimpo é um vulcão com 21 km de altura e 600 km de diâmetro, que foi formado há bilhões de anos. Há actualmente dados científicos que demonstram que muito provavelmente o Monte Olimpo ainda pode estar ativo…

Só no asteróide Vesta há montanhas assim…

Por acaso costumamos dizer que Marte tem a maior montanha do Sistema Solar, mas não é  bem verdade… É apenas a segunda montanha mais alta de todo o sistema solar, uma vez que o pelo pico central de Rheasilvia, no asteróide Vesta (localizado na Cintura de Asteróides em Marte e Júpiter), é a maior montanha, com 22 km de altura.

Marte
Crédito: Asteróide Vesta, Cintura de Asteróides, NASA.

Dentro da “estranheza” de Marte estão também as suas enormes tempestades de poeira, essas sim as maiores do Sistema Solar… Isso deve-se á sua órbita elíptica em redor do Sol… O caminho da órbita é mais alongado do que muitos dos outros planetas, e esta órbita de formato oval, resulta em tempestades de poeira ferozes que cobrem todo o planeta e podem durar muitos meses.

Também estar em Marte é estranho, principalmente para quem já viveu na Terra. Lá o Sol parece ter metade do tamanho. Marte é o único planeta além da Terra que tem calotas polares.

Mesmo assim é hospitaleiro…

Com exceção da Terra, Marte é o planeta mais hospitaleiro para a vida, e leva 687 dias terrestres para orbitar o Sol com seu raio de órbita de 227.840.000 km. A órbita de Marte é o mais excêntrico dos oito planetas. Isso significa que é o caminho de órbita menos circular dos planetas.

Marte tem estações como a Terra, mas elas duram o dobro do tempo. Isso ocorre porque Marte é inclinado no seu eixo em cerca de 25,19 graus, o que é semelhante à inclinação axial da Terra (22,5 graus).

As duas luas de Marte, Phobos e Deimos, foram escritas no livro “Gulliver’s Travels” do autor Jonathan Swift – 151 anos antes de serem descobertas.

Marte não possui campo magnético – embora haja alguns cientistas que acreditam  que tenha tido um há 4 bilhões de anos atrás. Alternativas estão actualmente a ser estudadas para criar um magnetismo capaz de fixar a atmosfera.

Curiosidades “especulativas”…

Marta Flisykowska, da Academia de Belas Artes da Faculdade de Arquitetura e Design de Gdańsk da Polónia, publicou recentemente um artigo baseado no projeto “Who nose”. Neste intrigante artigo intitulado “Aplicação de Tecnologias Incrementais em Considerações sobre a Estética Transhumanista“, publicado no Journal of Science and Technology of the Arts, ela dá “más notícias” aos futuros colonos…

Segundo as suas conclusões, que referi anteriormente, Flisykowska não considera Marte um planeta hospitaleiro…. A atmosfera de Marte é muito fina; a quantidade de energia solar que entra na atmosfera superior é a metade da que entra na parte da atmosfera superior da Terra; a pressão local de dióxido de carbono na superfície é 52 vezes maior que na Terra e também a gravidade muda para menos de metade, devido ao tamanho de Marte.

E ainda segundo ela “esta é apenas a ponta do iceberg de problemas com os quais teremos que lidar, se quisermos criar um habitat em Marte e pensar realisticamente sobre sua colonização ou uma vida regular lá”, comenta Flisykowska.

“O corpo humano terá que mudar se quisermos adaptar-nos às novas condições físicas. São estes os novos desafios para a medicina, ou uma mudança de direção na evolução? Sem dúvida, as condições ambientais afetam o corpo e, com o decorrer do tempo, de acordo com a lei da evolução, a adaptação às mudanças é inevitável.”

Projeto “Who nose?”

Marte
Credits: Marta Flisykowska

O projeto “Who nose?” refere-se às possibilidades da impressão 3D e da cirurgia plástica no contexto dos desafios que todos nós enfrentaremos, conclui Flisykowska.

A estrutura do nariz permite aquecer ou resfriar o ar, ajustando-o à temperatura corporal antes de chegar aos pulmões; também actua como um filtro para capturar pequenas partículas impedindo-as de atingir os pulmões (tempestades de poeira em Marte).
O nariz também hidrata o ar, adicionando humidade para evitar que o trato respiratório seque; Também fortalece a voz de uma pessoa (num ambiente extremo), além de como é sabido suportar o sentido do olfato.

As conclusões de Flisykowska são bizarras, contudo isso não implica que ela não esteja cheia de razão… Veja-se as possíveis evoluções para os nossos narizes no projecto “Who Nose?”. Será alguma destas a evolução que o nosso nariz terá quando estivermos a viver em Marte?

***Aceite a sugestão do Bit2Geek e leia Asteróides: Nasa fez um filme a explicar como a nossa segurança piorou e muito!