Baratas podem sobreviver a um ataque nuclear“… “Pequenas criaturas, chamadas tardígrados, são os sobreviventes mais fortes / melhores da Terra”. Estas são frases que muitas vezes ouvimos sobre os seres vivos mais resistentes, e de certa forma também os mais estranhos do nosso planeta. Só que estas frases estão completamente erradas, e vamos ficar a saber porquê no final deste artigo.


1. Somos todos extremos!

Ser ou não “Extremo” está nos olhos de quem vê, disse Rothchild e Mancinelli num estudo científico sobre a vida em ambientes extremos. Usamos nosso próprio ponto de vista, o ponto de vista do humano, para definir o que é extremo e o que não é. E por isso temos a tendência para dar este tipo de definições aos organismos vivos, dependendo da adversidade que enfrentam. Nós chamamos termófilos (os que coabitam bem com o calor) aos organismos que preferem viver em temperaturas acima de 45-50ºC, e psicrófilos (aos que coabitam bem com o frio), ou seja aqueles que preferem temperaturas abaixo de 15ºC.

No entanto, para um organismo que prefere o calor e que lutaria para sobreviver em 25ºC, os seres humanos são seres extremos, ou seja, somos psicrófilos para eles! Neste artigo vamos mencionar vários outros nomes para outros “amantes” dos ambientes extremos.

Os principais sobreviventes que gostam de habitar em ambientes extremos de cada uma das categorias enunciadas são microorganismos, principalmente bactérias e archaea.

Archaea é a designação de um dos domínios de seres vivos, morfologicamente semelhantes às bactérias mas genética e bioquimicamente distintas destas. São conhecidas principalmente por habitar ambientes considerados extremos, como fontes hidrotermais, lagos ou mares com grande salinidade, pântanos (onde produzem metano) e ambientes ricos em gás sulfídrico e com altas temperaturas. (wiki)

Lembrem-se que, para qualquer animal ou planta que possamos acreditar ser um grande sobrevivente, há sempre um microorganismo que pode fazer melhor. Organismos que preferem viver em ambientes muito ácidos ou muito alcalinos (como em alguns vulcões ou lagos de soda) são chamados de acidófilos e alcalófilos, respectivamente.

Xerófilos são os organismos que vivem em quase ausência de água, extrema secura, como em alguns desertos. Esta secura também pode ocorrer na presença de altas concentrações salinas, sendo assim esses organismos chamados de halófilos.

Aqueles que conseguem sobreviver em altíssima pressão atmosférica são chamados de piesófilos e podem ser encontrados no fundo do mar, como por exemplo a Fossa das Marianas.

Crédito: Steemit Legenda: Fossa das Marianas – uma bola de chumbo lançada da superfície demora mais de uma hora até atingir o fundo…

Há também organismos que não podem sobreviver na presença de oxigênio (anaeróbios) e outros que só ficam felizes se a comida é escassa (oligotróficos).

Agora sim, podemos dizer que percebemos que tudo depende do ponto de vista, e que a vida apresenta muitas formas de sobrevivência.

Mas também há organismos que podem sobreviver a duas ou mais condições ambientais extremas e que por isso são chamados de poli-extremófilos. Tudo é um ponto de vista, e como somos nós que os estudamos, podemos definir o que é extremo e o que não é.

2. No entanto, existem limites!


Acima de certos limites, não podem ocorrer reações metabólicas básicas que sustentam a vida, ou pior ainda, algumas das principais moléculas da vida não podem ser formadas adequadamente ou são destruídas em compostos inorgânicos. Portanto, no caso de uma explosão de uma bomba nuclear, o calor e a radiação seriam tão altos que não haveria organismos vivos, incluindo micróbios, que fossem protegidos e sobrevivessem. Temperaturas acima de 130ºC, pressão acima de 1100 atmosferas, radiação de 5000J / m2, são alguns dos limites que estabelecemos até hoje, pois testamos os extremófilos acima desses níveis e eles não sobrevivem.

No entanto, hoje falámos sobre todos os organismos que podem empurrar ainda mais esses limites. Estudar esses organismos e seus limites ajuda-nos a entender quais planetas que poderiam ser habitáveis ​​e como a vida poderá ser em outros planetas. E este artigo também explicou como a vida começou na Terra e como ela se adapta para sobreviver num mundo em mudança.

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