Já tínhamos falado bastante sobre Trappist 1, aqui no Bit2Geek. Mas agora há mais novidades… Para recordar, a estrela (o sol) de Trappist-1 recebeu este nome por causa do telescópio que a descobriu, localizado no deserto do Atacama, e que é chamado de Transiting Planets and Planetesimals Small Telescope (um telescópio robotizado belga), ou  abreviadamente TRAPPIST.

Foi a 22 de Fevereiro de 2017 que os astrónomos anunciaram a grande novidade: O TRAPPIST descobriu um sistema solar com 2 exoplanetas em 2016. Auxiliado posteriormente pelo Spitzer Space Telescope, foram descobertos mais 5 planetas orbitando esta estrela. Um total de 7 planetas semelhantes à Terra…

TRAPPIST, o belga…

O TRAPPIST é um “monumento” à Humanidade! Existem de facto vários observatórios de renome mundial no “Caminho da Totalidade”… Todos os homens deveriam visitar estes
gigantescos telescópios do Observatório Europeu do Sul (ESO) no cerro (montanhas) do deserto de Atacama, no norte do Chile. São um hino aos céus, ou ao Espaço.

Contudo não será uma viagem fácil… Estes telescópios estão numa das áreas mais secas, mais altas e mais remotas do mundo (ver no Google Earth). É aliás por estas razões que podem tão bem aproveitar os céus nocturnos, que são também os mais escuros do planeta. Para quem quiser aceitar a sugestão, podem ser visitados a partir das 14:00 aos sábados.

Quase tão engraçado como fazer essa visita, é ir lendo as notícias que vamos tendo sobre aquilo que vamos descobrindo neste sistema solar com 7 Terras, descoberto pelo TRAPPIST…

Crédito: NASA/JPL-Caltech, impressão artística

Será que aqui há mesmo vida?

Em primeiro lugar, as equipas de detecção e estudo de exoplanetas da Universidade de Berna na Suíça, confirmaram que estes exoplanetas terão cerca de 5% da sua massa em água, e que estará em estado líquido em pelo menos 3 deles.

Estes exoplanetas estão também muito longe, a uma distância do nosso Sol de cerca de 40 anos-luz. 40 anos-luz apesar de perto do nosso sistema solar em comparação com as dimensões da nossa galáxia (a Via Láctea), é longe da Terra em termos de tecnologia para lá chegar… De facto 40 anos-luz ou seja 40 anos à velocidade de 300.000 quilómetros por segundo, é uma distância que não conseguimos percorrer com a tecnologia actual. Aliás, se tentássemos alcançar o “sistema solar” mais próximo da Terra, Alpha Centauri, que está apenas a 4,4 anos-luz com a tecnologia actual demoraríamos pelo menos 50.000 anos conforme nos explica Karen Meech no Ted Talks, sobre o Oumuamua.

E quais são os dados novos?

As recentes novidades são que o maior dos exoplanetas de TRAPPIST-1 tem uma atmosfera que foi evoluindo com as eras, ou seja que se foi modificando com o tempo.

Isto porque as observações feitas com o Telescópio Espacial Hubble da NASA revelaram que a atmosfera do planeta é diferente do seu ambiente de nascimento, o que aliás confirma que não se trata de um gigante gasoso como é por exemplo Júpiter, mas muito provavelmente um mundo rochoso semelhante aos outros que se encontram neste sistema.

“Essa atmosfera não é a que nasceu”, explicou recentemente Hannah Wakeford, investigadora do Space Telescope Science Institute, em Baltimore. A atmosfera original seria rica em hidrogénio, que actualmente os investigadores não detectam na sua assinatura. Esta atmosfera tem sido alterada por diferentes processos, e a actividade atmosférica e geológica deverá ter desempenhado um papel significativo nessas mudanças.

O Exoplaneta em estudo chama-se TRAPPIST-1g

Crédito: Representação artística feita pela NASA

TRAPPIST-1g, o sexto planeta da estrela deste sistema solar, é o alvo de toda a polémica. A equipa de Wakeford já tinha sondado as atmosferas dos primeiros cinco planetas, identificados pelas letras “b” até “f”, e descobriram que todos os cinco planetas não possuem as atmosferas de hidrogénio maciças que indicam gigantes gasosos, tornando-os por isso mais propensos a serem rochosos. Contudo o estudo anterior não tinha deixado claro se isso também acontecia com o TRAPPIST-1g, e portanto se este transportava ou não a sua atmosfera original.

Waford diz: “TRAPPIST-1g também tem uma atmosfera evoluída”.

Os resultados deste estudo de Wakeford foram apresentados em janeiro na reunião de inverno da American Astronomical Society em Seattle e são tão estranhos quanto isto: os 7 exoplanetas de TRAPPIST-1 formaram as suas atmosferas com base em hidrogénio mas actualmente esse hidrogénio desapareceu. Desapareceu nos 7 exoplanetas! TRAPPIST-1g (o maior dos mundos, e cujas  estimativas o colocam em cerca de 1,1 vezes a massa da Terra), era a última dúvida.

Quando os exoplanetas são gigantes gasosos, eles retêm a sua atmosfera original, rica em hidrogénio. Por oposição, os mundos rochosos têm o poder de mudar sua atmosfera. E o movimento do carbono pode desempenhar um papel fundamental na atmosfera em evolução.

Em resumo: as condições para a existência de vida num exoplaneta são estabilidade prolongada (não haver contínuos embates de asteróides), o que a esta distância não se consegue avaliar. Mas são 7 Terras, ou planetas rochosos…

Outra das condições é a existência de água no estado líquido, o que comprovadamente se sabe que existe, e em quantidades muito superiores à Terra. Também é necessário a existência de blocos construtores de vida – pelo menos tal como a conhecemos na Terra (carbono, hidrogénio, enxofre, nitrogénio, oxigénio, fósforo). E fonte energética, que além da estrela que orbitam, estas 7 Terras parecem ter processos geológicos complexos, tal como ficou comprovado por este estudo… Aliás, suficientes para modelar a atmosfera…

Assim sendo, com a Ciência que temos capacidade de fazer na actualidade, aquilo que se pode dizer é que a descoberta de TRAPPIST-1 não foi um Jackpot: foi mesmo um Super-JACKPOT!

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