Protótipo do Boeing eVTOL Personal Air Vehicle (Boeing)

A Boeing revelou recentemente que o eVTOL, o seu protótipo de veículo de transporte pessoal voador autónomo, realizou um primeiro voo bem sucedido. Não é ainda a resposta ao sonho de ter um automóvel capaz de descolagem e voar. No entanto, é um passo na direção de um novo modelo de veículo urbano, que utiliza o espaço aéreo para descongestionar as cidades. Utilizando motores elétricos e sistemas autónomos de condução, o projeto espera ultrapassar os problemas associados a este tipo de veículos. A Boeing não está sozinha nesta corrida. A Airbus está a desenvolver o CityAirbus, um projeto europeu de aeronave pessoal autónoma.

A Eterna Promessa do Carro Voador

Será que é desta que iremos ter carros voadores? Poder conduzir um automóvel que levante voo  é um antigo sonho da tecnologia. E promete transformar o transporte aéreo tal como o automóvel transformou o transporte terrestre. No entanto, esta visão futurista clássica da ficção científica, tem-se mostrado mais elusiva na realidade. Não é por falta de conceitos. Empresas e inventores, recorrentemente, mostram protótipos que prometem revolucionar esta área, mas raramente passam daí.

Desde os anos 50 do século XX que são construídos protótipo, do século XX. Podemos olhar para o aerocar de Molt Taylor ou para o  jipe voador criado pela Piasecki para o exército americano. Talvez o mais icónico destes projetos seja o Moller Skycar, em desenvolvimento desde o final do século XX, mas que nunca voou. Em 2009, a Terrafugia mostrou o Transition. Este híbrido de automóvel e avião poderá ser pilotado por condutores que tenham licença de piloto. No entanto, a tecnologia não parece ser segura ou fiável de forma a que se cumpra o sonho de um veículo capaz de transporte aéreo rotineiro ponto a ponto.

O potencial destes veículos não escapa às empresas que se dedicam ao transporte urbano. A Uber antevê a possibilidade de criar serviços de táxi urbano aéreo, utilizando veículos voadores de descolagem vertical que voam de forma autónoma. O uso de tecnologias autónomas promete ultrapassar um dos obstáculos que se colocam a este tipo de veículos, a segurança. Os riscos de acidente inerentes ao voo destes veículos podem ser diminuídos eliminando a necessidade de um piloto humano, voando em percursos controlados. Não é este o único problema associado a estes veículos. Disponibilidade de zonas de aterragem e descolagem nos espaços urbanos congestionados ou o ruído da sua propulsão são outras condicionantes.

Boeing eVTOL

Recentemente, e de forma discreta, a Boeing revelou que um protótipo de veículo de descolagem vertical não tripulado realizou com sucesso o seu primeiro voo de testes. Denominado eVTOL, utiliza motores elétricos e uma combinação de rotores para voar. Para já, demonstrou a capacidade de levantar voo e aterrar de forma autónoma. Apesar de ter revelado problemas na descolagem, que não foi totalmente vertical, e lentidão na transição entre voo vertical e horizontal. No entanto, esta aeronave desenvolvida pela divisão NeXt do gigante norte-americano da indústria aeronáutica é ambiciosa. Tem como objetivo criar um veículo sem piloto capaz de transportar dois passageiros, com autonomia de até 80 km. Irá utilizar motores elétricos para diminuir o nível de ruído no espaço urbano.

O interessante neste projeto é ter o apoio de um gigante da indústria. A Boeing, a par com a europeia Airbus, domina o mercado global da aviação civil. Outras empresas, como a brasileira Embraer, a chinesa CAC, a russa Tupolev e a canadiana Bombardier têm fatias marginais do mercado. O investimento de uma empresa desta dimensão indica que, combinando avanços nas tecnologias aeronáutica e robótica, o sonho de ter carros voadores como alternativa de transporte nas cidades poderá, finalmente, ter sustentabilidade.

Airbus na Corrida

Conceito do veículo voador autónomo CityAirbus (Airbus Industries)

A Boeing parece estar a antecipar-se com o primeiro voo do seu personal Air Vehicle. No entanto, a Airbus não se está a deixar para trás. A sua divisão de estudos avançados está a desenvolver o projeto CityAirbus. Este será uma aeronave elétrica, propulsionada por oito hélices, e capaz de transportar até quatro passageiros sem piloto. A solução de mobilidade urbana aérea da Airbus tinha os seus primeiros voos de teste planeados para o final do ano de 2018.

Restam ainda muitos desafios a superar no desenvolvimento destes veículos. Que se comportam, no fundo, como drones gigantes. Garantir segurança e fiabilidade, certificação pelas autoridades aéreas. Mas o envolvimento dos dois gigantes da aeronáutica mundial nestes projetos aponta para a possibilidade muito real destes veículos estarem ao serviço num futuro próximo. Será que iremos assistir a um duelo industrial entre construtores europeus e americanos nas aeronaves de descolagem vertical autónoma? Tal como assistimos no desenvolvimento de aeronaves para aviação civil?

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